Fale conosco, e-mail, telefone e endereço.
Abertura.
Índice do Canal.
Assista On Line a TV Net Babillons
Assista On Line a TV Net Babillons

Mercado financeiro permanecerá instável no primeiro semestre

Apesar dos sinais de recuperação desde o final do ano passado, o primeiro semestre de 2009 ainda será marcado pela instabilidade no mercado financeiro. Segundo analistas entrevistados hoje (7) pela Agência Brasil, o mercado internacional vem demonstrando um otimismo desde as festas de fim de ano com a proximidade da posse de Barack Obama nos Estados Unidos.
Entre os dias 2 e 6 de janeiro, o Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), teve valorização de 12,6%, somando 42.312 pontos. Hoje, no entanto, o indicador da Bovespa registrou uma queda de 3,53% e o dólar subiu 2,7%, atingindo R$ 2,24.
Um sinal positivo para o Brasil foi a captação de US$ 1 bilhão realizada ontem (6) pelo governo no mercado internacional, que passou os últimos seis meses com escassez de linhas de crédito. Hoje, o Tesouro Nacional voltou a obter US$ 25 milhões na Ásia.
A economista Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria, diz que o repentino otimismo dos investidores está relacionado às expectativas em torno da nova gestão do governo norte-americano. “Ele [Obama] tem surpreendido o mercado com o anúncio de investimentos”, afirma. Ainda no final de 2008, Obama solicitou um aumento de recursos ao Congresso dos Estados Unidos. O novo presidente norte-americano assume no próximo dia 20.
De acordo com a economista, surgiram notícias nos últimos dias sobre a possibilidade de que os investimentos norte-americanos ultrapassem a US$ 1 trilhão. Essa notícia trouxe um estímulo para os investidores. Na prática, significa um aumento dos gastos públicos em infra-estrutura (rodovias, ferrovias, saneamento, etc), gerando emprego e renda.
O mercado financeiro, ressalta Alessandra Ribeiro, se animou com a decisão de Obama de cortar impostos e, por meio dos incentivos fiscais, colocar um fim à desconfiança do mercado, permitindo maior circulação da moeda e, conseqüentemente, do aumento na oferta de crédito. “A retomada do dinamismo da economia norte-americana puxa as demais economias”, diz ela, lembrando que a intenção de aumentar gastos públicos não é exclusividade dos norte-americanos, exemplo que vem sendo seguido por outros países da Europa e da Ásia.
Para Alessandra Ribeiro, o Brasil deve se beneficiar com o novo quadro que começa a se desenhar porque, em situação de risco, os investidores migram para a compra de títulos das economias mais desenvolvidas e, se não há mais o temor de antes, a tendência é de um retorno do capital estrangeiro.
"De outubro para cá, houve uma fuga dos investidores para os títulos norte-americanos como forma de proteção", observa o economista Luis Jurandir Simões, professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis Atuariais e Financeiras (Fipecafi).
O retorno dos investidores explica em parte a valorização do real frente o dólar de 9,2%, entre 29 de dezembro e os primeiros quatro dias de 2009.
Simões avalia que o potencial brasileiro na movimentação das commodities (soja, minério de ferro, petróleo) já é um sinal das chances de avanço na economia. Segundo ele, mesmo com a crise, o mundo continuará necessitando de alimentos e outros produtos fornecidos pelo Brasil, como o aço. O que emperra a aceleração da atividade produtiva, pondera, “é alto peso da carga tributária”.
Ele destacou que aos poucos as empresas estão voltando a obter crédito e que isso evidencia uma melhora da economia. No entanto, adverte que o ritmo “não vai voltar aos patamares que existia antes da crise”. Simões também não acredita que será repetida a euforia dos investidores no mercado de ações a partir de 2003 e que levou à pontuação máxima do Ibovespa a 73.616, em 20 de maio do ano passado.
No acumulado de 2008, o Ibovespa recuou em 41,2% com agravamento da crise financeira iniciada nos Estados Unidos e que chegou ao ápice no último trimestre do no passado. A última vez que o mercado brasileiro de ações encerrou o ano em queda foi em 2002 (-17%).(Marli Moreira)
Fonte:Agência Brasil.
07/01/2009