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Brasil quer retomar mercado de carne no Egito

O país árabe, que comprou mais carne de búfalo da Índia em 2008, deve recuperar o posto entre os principais mercados para a carne bovina brasileira neste ano. Apesar da crise, o setor está otimista.
O Egito, que no ano passado preferiu comprar mais carne de búfalo da Índia - na época mais competitiva que a carne bovina brasileira, está retomando as importações do produto nacional. A expectativa da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) é de que os egípcios tripliquem as compras de carne brasileira em 2009.
"O Egito já esteve entre os nossos principais mercados, registrou uma queda enorme em 2008. Com a crise, a exigência de 100% do pagamento antecipado dos indianos fez com que os egípcios voltassem a comprar carne bovina do Brasil. Agora estamos iniciando um período de recuperação que deve crescer muito ao longo do ano", afirma o diretor executivo da Abiec, Otávio Hermont Cançado. No ano passado, o Egito importou 78 mil toneladas de carne brasileira, 58% a menos ante as 184 mil toneladas importadas em 2007. Em receita, a queda nas exportações chegaram a 32%. Os US$ 348 milhões exportados em 2007 caíram para US$ 236 milhões em 2008. O setor de carnes fechou o primeiro mês de 2009 com saldo negativo. As exportações de carne bovina em valores caíram 45% em relação ao mesmo período do ano passado. No total do primeiro mês do ano, foram comercializadas no mercado externo US$ 255,69 mil ante os US$ 465,38 mil no mesmo período do ano passado. Em volume, houve queda de 34%, com 81,81 mil toneladas vendidas ante as 124,7 mil toneladas exportadas em janeiro de 2008. Os dados foram divulgados ontem (12) pela Abiec. As exportações de carne in natura registraram queda de 38% com 56,6 mil toneladas exportadas em janeiro contra 91,9 mil toneladas no mesmo período de 2008. Em valores, as exportações de carne in natura caíram 54%, com o faturamento de US$ 168,46 mil ante os US$ 364,74 mil de janeiro do ano passado. A carne industrializada totalizou 13,46 mil toneladas exportadas. Em janeiro de 2008, o volume exportado do produto chegou a 19,16 mil toneladas, representando uma queda de 18%. Em valores, a queda foi de 45%, com US$ 54,74 mil vendidos em janeiro, ante US$ 69,5 mil no mesmo mês do ano passado. De acordo com Cançado, parte desta queda nas exportações se deve aos efeitos da crise financeira mundial, que reduziu a oferta de crédito para importadores e exportadores. Além disso, segundo Cançado, em janeiro de 2008 tanto o volume como a receita das exportações foram atípicas. "Naquela época existia a expectativa do embargo feito pela União Europeia e muitas empresas brasileiras anteciparam suas vendas", disse. Efeitos da crise Em meio à crise de crédito que tem afetado o setor, os exportadores de carne bovina deverão aumentar embarques nos próximos meses com o objetivo de amenizar uma queda nos preços internacionais. "O país deve exportar mais volumes para ter a mesma receita. Mas essa não será a tendência para o ano todo", afirmou Cançado. Segundo o diretor, os números de janeiro foram impactados negativamente pela queima de estoques em países importadores, que compraram menos por falta de crédito. "Além disso, a base de comparação com o mesmo mês do ano passado é forte, pois foi um mês atípico. Naquele período o mercado se antecipou às restrições impostas pela União Europeia em 2008 e realizou grandes embarques", disse. Vendo sinais de recuperação nas vendas de janeiro em relação a dezembro de 2008, Cançado conclui que a crise não é de demanda, e sim de financiamentos para operações de comércio exterior. Por isso, ele está confiante numa retomada mais forte nos negócios dos frigoríficos brasileiros, mesmo porque a oferta de crédito também não estaria tão baixa como no ano passado. Ele citou como exemplo de retomada de maiores volumes embarcados de carne in natura para Rússia (alta de 50% na comparação dezembro/janeiro), Hong Kong (6%), Itália (38%), Líbano (20%) e Holanda (66%). As maiores exportações para esses destinos, no entanto, foram feitas a preços mais baixos mesmo em relação a dezembro. Os russos, maiores importadores do produto do Brasil, pagaram no mês passado um preço médio de US$ 2.181 por tonelada, contra US$ 2.610 em dezembro, sinal de que novos contratos estão sendo fechados a menores valores. A Abiec prevê para este ano um faturamento anual com as exportações entre uma estabilidade ou leve queda ante 2008, quando o setor obteve US$ 5,3 bilhões. Questionado se os exportadores não enfrentariam dificuldades para ampliar os volumes em meio à crise num ritmo capaz de permitir que a receita ao menos se aproxime da de 2008, Cançado afirmou que eventualmente os preços poderiam subir um pouco, reduzindo a necessidade de aumento das vendas externas. "Acho que até o final do primeiro trimestre vamos ter uma ideia do preço médio", disse o diretor, estimando uma retomada mais forte nos embarques a partir do segundo trimestre. Cota Hilton Na última quarta-feira (11), a Abiec protocolou no Palácio do Itamaraty, em Brasília, um pedido de compensação na cota Hilton de exportações de carne bovina para a União Européia. A entidade quer a adição de oito mil toneladas de carne bovina, que se somarão às cinco mil toneladas já existentes. "A compensação é pela entrada da Romênia e Bulgária nas importações de carne da região", disse. A cota Hilton é uma parcela de exportação de carne bovina nobre para a União Européia que possui menor tributação. Mesmo com a possibilidade de não conseguir atingir a cota existente por conta da crise e da falta de conclusão das negociações com a União Européia, a Abiec quer chegar em 2011 com a compensação aprovada. O diretor também declarou que a Abiec está monitorando eventuais medidas protecionistas do mercado exportador de carne bovina. "O momento é de abertura de mercado para fazer movimentar a economia e não de proteção. Se isso acontecer, como já sabemos de ocorrências em outros setores, vamos pedir a intervenção imediata do governo", disse Cançado. (Geovana Page)
Fonte: ANBA - Agência de Notícias Brasil Árabe.
13/02/2009