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Ações brasileiras atraem emergentes

O mercado de capitais do Brasil tem despertado grande interesse de investidores de outros países em desenvolvimento, além de ter voltado a receber volumes expressivos de recursos externos em geral.
O mercado brasileiro de capitais está atraindo grande atenção de investidores de outros países emergentes, especialmente da Ásia e do Oriente Médio. A informação foi dada ontem (23) à ANBA pelo diretor-executivo de fomento e desenvolvimento de negócios da BM&FBovespa, Paulo Oliveira. A BM&FBovespa é a empresa de capital aberto que controla a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).
“Há um grande potencial de crescimento dos investimentos da Ásia e Oriente Médio em termos relativos”, disse Oliveira. “E a bolsa está se preparando para atender a essa demanda”, acrescentou.
Para atrair demais recursos ao Brasil, a BM&FBovespa e outras entidades ligadas ao mercado de capitais vão retomar a Iniciativa Best de promoção no exterior, começando pela Ásia. “[O programa] terá estrutura de roadshow e vai visitar cidades para vender produtos, não mais o país”, disse Oliveira. Em sua avaliação, a imagem do país já foi bem divulgada lá fora.
Nos últimos meses os investidores estrangeiros retornaram ao mercado brasileiro e ajudaram a bolsa paulista a ser uma das mais valorizadas do momento. Só para se ter uma idéia, a entrada líquida de recursos externos na Bovespa em maio foi de R$ 6,08 bilhões, um recorde mensal. O Ibovespa, principal índice da instituição, teve valorização de quase 33% de janeiro até ontem.
A maioria das aplicações, porém, é originária de países desenvolvidos, como os Estados Unidos e nações européias. Com a resistência da economia brasileira frente á crise, no entanto, se tornou bastante atrativo também para capitais de países em desenvolvimento.
Com o recrudescimento da crise, em meados do ano passado, houve fuga de capitais estrangeiros do mercado brasileiro, o que fez com que o Ibovespa caísse bruscamente, contrastando com a forte valorização que vinha acumulando nos últimos anos.
De acordo com Oliveira, a queda brusca foi causada pela retirada de dinheiro de investidores estrangeiros preocupados em cobrir perdas em outros mercados mais afetados pela crise. O problema não foi do Brasil, mas da necessidade de fundos internacionais de ter dinheiro em caixa.
Segundo o vice-presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec), Ricardo Tadeu Martins, como resultado desse movimento, muitos fundos ficaram com recursos disponíveis, aplicados em papéis com baixo ou nenhum rendimento, como títulos do governo norte-americano.
Esse excesso de liquidez fez com que os fundos voltassem a procurar alternativas de investimentos mais rentáveis em países emergentes. Nesse sentido, o Brasil acabou se beneficiando por ter resistido bem à crise, seja do ponto de vista macroeconômico, do mercado financeiro ou das empresas em geral.
“O tamanho do mercado brasileiro é também um diferencial em relação a outros emergentes”, afirmou Oliveira. “O Brasil tem sido colocado como grande destaque em relação à crise”, disse Martins. “Pelo porte das empresas, setores de atuação e liquidez, a tendência é que [o mercado] continue assim”, acrescentou.
Horizonte
Embora seja cedo para dizer que o capital estrangeiro retornou para ficar, para Martins alguns indicadores apontam para uma permanência de prazo mais longo. Entre eles o desempenho do índice das ações das empresas com capitalização de mercado abaixo de R$ 2 bilhões, o “small cap”, que valorizou mais do os outros da Bovespa. “São papéis de negociação mais baixa, de liquidez mais estreita e que demoram mais para dar retorno”, afirmou o diretor da Apimec. Segundo ele, são aplicações condizentes com investidores que esperam resultados “num horizonte maior”.
Além disso, ele acrescentou que as expectativas sobre a taxa de câmbio continuam a ser de valorização do real frente ao dólar, resultado de mais ingresso do que saída de dinheiro do país. Outros fatores são a demanda por commodities na Ásia, especialmente na China, que ajuda a valorizar grandes empresas brasileiras que atuam nas áreas de mineração, petróleo, siderurgia e agronegócio; e a depreciação excessiva de ações de companhias de alguns setores no segundo semestre de 2008 e que agora voltam a ganhar corpo, como é o caso da construção civil. “O capital procura muito aquelas ações que foram muito depreciadas em 2008”, ressaltou.
Mesmo com a desvalorização que a Bovespa sofreu na última semana, os analistas acreditam que no longo prazo a tendência é de estabilização. “[Os investidores perguntam:] será que o problema [da crise] foi bem digerido? É normal esperar volatilidade nesse momento, mas a tendência é de normalização”, destacou Oliveira.
Na avaliação do executivo da BM&FBovespa, a eventual saída de investimentos estrangeiros do Brasil nesse momento terá como causa o medo do risco, pois o mercado brasileiro não perde em termos de competitividade para “os concorrentes”. (Alexandre Rocha)
Fonte: Agência Brasil.
24/06/2009