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Empresários sírios e seus negócios com o Brasil

Tarif Akhras e Najib Assaf têm vários pontos em comum: dirigem grandes grupos familiares, atuam em diferentes áreas e têm forte relacionamento comercial com companhias brasileiras.
A Síria importou do Brasil o equivalente a US$ 107,6 milhões no primeiro semestre de 2009, sendo que os principais produtos comercializados foram açúcar e café. Dois empresários locais têm uma participação importante nesse fluxo e, se depender deles, a tendência é que os negócios aumentem. Tarif Akhras, de Homs, e Najib Assaf, de Damasco, comandam grupos empresariais de grande porte com muitos pontos em comum. Ambas são companhias de origem familiar, têm atuação em diferentes áreas, como comércio de commodities, agroindústria, logística, imóveis e bancos, e cresceram fortemente nos últimos 10 anos com a abertura econômica do país. Eles são concorrentes diretos em vários setores.
“Acreditamos na diversificação, pois isso dá suporte ao grupo e à Síria. Nesse período de transição o país precisa se desenvolver em muitas direções, não queremos ficar circulando em volta de nós mesmos, atuando em apenas um setor, já que há potencial em várias atividades”, disse Akhras, dono de um conglomerado que leva seu nome. “O problema é que na década de 60 o governo nacionalizou a economia e o país ficou no ‘freezer’ por mais de 30 anos, até 1999”, acrescentou Assaf, que ao receber alguém entrega cinco cartões de visitas, um para cada uma de suas empresas.
Ambos destacaram que seus grupos atendem, além do mercado sírio, o Iraque, a Jordânia e o Líbano. Akhras ressaltou ainda que a Síria assinou um tratado para formação de uma área de livre comércio com a Turquia, o que significa a abertura de mais mercado para suas empresas.
Outra semelhança entre eles é a ligação direta com o Brasil em parte importante de seus negócios. Assaf detém 61% de uma refinaria de açúcar em Homs, que tem como outros sócios a Cargill, a Wellington Marketing, uma empresa com sede em Dubai, e alguns investidores da região. A brasileira Crystalsev teve uma participação de 10% no início do negócio, que foi comprada por Assaf. Todo o açúcar bruto utilizado, porém, continua a vir do Brasil.
Na mesma linha, Akhras está terminando de construir sua própria refinaria, que deve começar a operar em novembro, também utilizando matéria-prima brasileira. “Temos negócios de longa data com o Brasil, principalmente na área de açúcar, e há dois anos começamos a importar equipamentos para a usina”, afirmou. As fábricas de ambos os empresários sírios foram construídas com máquinas e equipamentos importados do Brasil.
Mas com são várias áreas de atuação dos grupos, existem também outros negócios com o Brasil, alguns ainda em estado inicial. No caso de Akhras, por exemplo, ele está começando a importar carne bovina congelada e fresca, já comprou gado vivo para vender ao mercado libanês, e agora está se preparando para trazer animas para a Síria. É que o grupo está formando uma fazenda na região de Homs, que deverá ter instalações de abate e frigorífico.
“Procuramos promover negócios com o Brasil porque a acreditamos que há muito potencial”, afirmou Akhras. O empresário atua também em outras áreas de do agronegócio, como a de lácteos, tem uma esmagadora de soja, cuja matéria-prima vem principalmente dos Estados Unidos, e um moinho.
Assaf, por sua vez, disse que está aberto para estudar novos negócios com empresas brasileiras, exceto na importação de equipamentos para refinarias de açúcar. Segundo ele, a qualidade e a tecnologia do maquinário utilizado em sua usina estão aquém do que ele esperava, sendo que existem produtos mais avançados no mercado internacional. “Não adianta o produto ser mais barato se vai dar problema após seis meses. No longo prazo acaba ficando mais caro”, destacou.
Investimentos
Ele afirmou, no entanto, que estuda novos projetos em áreas, como geração de energia elétrica e siderurgia, e gostaria de discutir possibilidades de parcerias com companhias brasileiras. Uma de suas idéias é produzir aço na Síria e o minério de ferro poderia vir do Brasil. “Estamos prontos para discutir”, declarou. Assaf demonstrou interesse na indústria brasileira do etanol e fez várias perguntas sobre o assunto à reportagem da ANBA.
Akhras, que atua também no ramo de construção civil, está construindo um hotel em Homs que foi projetado por um escritório de arquitetura brasileiro. No ano passado, em parceria com esse mesmo escritório, ensaiou lançar um empreendimento imobiliário no Brasil, mas por causa de crise, que inibiu os financiamentos, o projeto foi suspenso.
“Mas estamos olhando para fazer investimentos no futuro próximo, assim que acharmos algo com potencial [na área imobiliária]”, declarou Akhras. “Amo o Brasil e estou sempre procurando oportunidades para desenvolver negócios com companhias de lá”, acrescentou.
(Alexandre Rocha)
Fonte:ANBA - Agência Nacional Brasil Árabe.
24/07/2009