Pré-sal entusiasma pequenos fornecedores
Um
total de 2,3 mil micro e pequenas empresas brasileiras foram qualificadas
como fornecedoras do setor e agora estão de olho nos negócios surgirão a partir
da descoberta de petróleo no pré-sal.
A exploração de petróleo na camada do pré-sal é o grande tema do momento para
centenas de micro e pequenos negócios. Em 11 estados brasileiros, 2,3 mil
empresas foram qualificadas como fornecedoras do setor de petróleo e gás pelo
convênio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae)
com a Petrobras, entre 2004 e 2008. Um total de 352 empresas-âncora (compradoras
de grande porte do setor) e 2,9 mil fornecedoras de pequeno porte participaram
de 33 rodadas de negócios, realizadas pelo mesmo convênio nos anos de 2005,
2006 e 2007, que totalizaram R$ 1,5 bilhão.
Empresas como a Armtec, de Fortaleza, no Ceará, especializada no desenvolvimento
e produção de equipamentos e sistemas de robótica, estão projetando novos
produtos e serviços ou adequando os existentes às profundidades da camada
do pré-sal. "Já estávamos projetando tecnologia para atender demanda da Petrobras
de guindastes para exploração em plataformas marítimas para 2012 e 2013, antes
do anúncio do pré-sal. Há mais de 20 anos o Brasil não produz esse tipo de
guindaste", afirma Roberto Macedo, diretor da Armtec.
Atualmente um guindaste off shore para 27 toneladas, utilizado nas plataformas
marítimas, custa entre R$ 7 milhões e R$ 15 milhões, informa o empresário.
“Imagino que até a exploração do pré-sal ser iniciada, serão necessários uns
200 guindastes. Nossa expectativa é relativa, no entanto, pois dependeremos
se vamos poder enquadrar nossos produtos às demandas que o pré-sal vai requerer”,
complementa Roberto.
O diretor da Armtec sugere às micro e pequenas empresas que entrem nas Redes
Petro apoiadas pelo Sebrae/Petrobras em seus estados para aproveitar as oportunidades
e se qualificar para ter acesso aos negócios da cadeia. "É mais fácil conseguir
se tornar fornecedor por meio das empresas contratadas diretamente pela Petrobras,
que são responsáveis por projetos, engenharia e contratações", sugere o empresário.
Ele observa ainda que outras grandes empresas exploradoras de petróleo e gás
também são geradoras de ótimas oportunidades para as pequenas empresas fornecedoras
de produtos e serviços.
"Nossa expectativa é muito boa. Aprovamos a atitude do presidente Lula de
fazer o marco regulatório do pré-sal para proteger a indústria nacional. Pretendemos
atuar no monitoramento em águas profundas”, diz Wilsa Atella, diretora da
Ambidados, uma pequena empresa que analisa variáveis do mar, criada por pesquisadores
egressos do Programa de Engenharia Oceânica da Universidade Federal do Rio
de Janeiro (Ufrj) em 2006 e instalada, desde o final de 2007, na Incubadora
de Empresas de Base Tecnológica da universidade. "Estamos desenvolvendo uma
bóia que transmite via satélite dados que poderão ser fornecidos às empresas
exploradoras de petróleo. Com a camada do pré-sal, o potencial de negócios
aumenta muito", diz a pesquisadora e empresária. Os contatos já estão começando
a ser feitos, segundo ela, para que em médio prazo a Ambidados receba o bônus
do novo mercado que desponta. “Temos concorrência forte no plano internacional”,
resume. O pré-sal vai movimentar bastante a indústria de todos os portes,
segundo Wilsa. Sebrae e o setor
O primeiro projeto em nível nacional do Sebrae, voltado à inserção das micro
e pequenas empresas como fornecedoras do setor de petróleo e gás, foi iniciado
no Estado do Rio de Janeiro, em 2000. Nessa época, ocorria a flexibilização
da exploração do petróleo e empresas estrangeiras começavam a desembarcar
no país. Em junho de 2000, Sebrae Nacional e Onip (Organização Nacional da
Indústria do Petróleo) firmaram convênio visando capacitar as médias e pequenas
empresas para inclusão nos cadastros de fornecedores do setor. Assim começou
o processo de construção do projeto-piloto do Sebrae para a cadeia produtiva
de petróleo e gás, implementado em 12 unidades da Federação.
(Agência
Sebrae)
Fonte: ANBA - Agencia Nacional Brasil Árabe.
06/10/2009