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Em Dubai, os negócios continuam

A moratória anunciada pela holding Dubai World não paralisou a economia do emirado. Na avaliação de brasileiros que moram e trabalham lá, ela só oficializou uma situação que já existia.
O anúncio da moratória da Dubai World, realizado na semana passada, não paralisou os negócios no emirado. Na avaliação de brasileiros que moram e trabalham por lá, a repercussão negativa foi muito maior do que o impacto real da decisão na economia.
"A meu ver, [a moratória] não vai afetar mais o mercado [imobiliário] do que ele já foi afetado. Ele já está conservador, retraído", disse o empresário Omar Khaled Hamaoui, sócio da Engeprot, empresa brasileira de engenharia que tem filial em Dubai e toca obras nos Emirados Árabes Unidos.
A avaliação é de que a moratória - ocorrida principalmente para socorrer a incorporadora Nakheel, uma das subsidiárias da Dubai World - foi a oficialização de uma situação conhecida. A companhia já vinha enfrentando dificuldades desde o recrudescimento da crise financeira internacional, no segundo semestre do ano passado.
O ramo imobiliário, um dos motores do crescimento de Dubai nos últimos anos, sofreu com a falta de crédito no mercado internacional e, segundo o diretor do escritório de representação do Banco do Brasil no emirado, Renato Gerundio de Azevedo, a situação de liquidez estava até pior no final de 2008.
"Quem está sentindo mais agora é o mercado de capitais. O sistema bancário está trabalhando normalmente. Eu estou convencido de que os bancos daqui são sólidos e estão pouco alavancados para não terem problemas", declarou Azevedo.
A percepção é também de que é a Dubai World que está com problemas, não Dubai propriamente dito, muito menos os Emirados. "O país não quebrou", afirmou Guilherme Giffoni, do laticínio Itambé. "Dubai não vai mudar de lugar, seu sucesso como centro de logística resulta da localização geográfica. Quem está instalado aqui não vai sair", acrescentou.
Há confiança também de que as negociações da Dubai World com seus credores vão chegar a bom termo. “Os bancos com alguma exposição aos ativos da Dubai World têm um relacionamento maduro com a empresa para administrar esse assunto. Não vejo [a moratória] como um grande problema para esses bancos, pois eles têm muitos outros negócios que [a] compensam”, afirmou Azevedo. Ele destacou que o BB “não tem nenhuma exposição” aos ativos da holding.
Na mesma linha, Giffoni ressaltou que os investidores têm suas aplicações pulverizadas em diferentes negócios. Tanto ele como Azevedo destacaram que não há receio de falta de liquidez no sistema financeiro e não houve corrida aos bancos, até porque o Banco Central dos Emirados disponibilizou recursos para instituições nacionais e estrangeiras que enfrentarem problemas por causa da Dubai World. A holding renegocia US$ 26 bilhões em dívidas. “É a situação de uma empresa, que vai ter que ser resolvida”, disse Hamaoui, referindo-se ao fato de que o emirado de Dubai tem outras grandes companhias que não sofrem com o mesmo problema.
De acordo com ele, quem enfrenta problemas atualmente são fornecedores e empresas contratadas pela Nakheel, que na realidade já vinham tendo seus pagamentos atrasados. Para Hamaoui, no próximo ano o mercado imobiliário de Dubai deverá se manter em ritmo lento, com melhora prevista somente para 2011.
O empresário lembrou ainda que não existe só Dubai nos Emirados. “Abu Dhabi (a capital do país) tem contrabalançado o que está ocorrendo em Dubai, que estava muito aberto ao capital estrangeiro e foi atingido pela crise [financeira internacional]. Em Abu Dhabi há muito capital próprio e as empresas que atuam lá conseguem compensar em parte [a retração do mercado de Dubai]”, declarou.
Azevedo foi mais adiante e destacou que o Oriente Médio como um todo continua a ser um mercado de grande potencial, que não perdeu a atratividade por causa da moratória da Dubai World. Ele acrescentou que, se por um lado uma parte dos investidores está receosa, outros vêem a situação como oportunidade para comprar papéis com deságio sabendo que “não há risco de default” no futuro.
“É importante entender isso como o caso de uma empresa, de um ativo que teve de ser revisto e refinanciado, não como um plano fracassado”, declarou o diretor do BB. “Outras empresas [do emirado e da região] não têm nada a ver com isso, não dá para generalizar”, disse.
Giffoni afirmou ainda que o comércio, outro ingrediente importante da economia de Dubai, não dá sinais de prejuízo. “Ontem mesmo eu estive no Dubai Mall, que é o maior shopping do mundo, e andei trombando com gente pelos corredores”, disse. “Para o comércio, seja interno ou externo, Dubai vai muito bem, não há do que reclamar”, acrescentou. (Alexandre Rocha)
Fonte: ANBA - Agência Nacional Brasil Árabe.
01/12/2009