China foi a saída para exportações brasileiras durante a crise, diz presidente da Apex-Brasil
As exportadoras
brasileiras mudaram sua estratégia ao longo de 2009 para evitar maiores
perdas e enfrentar melhor os efeitos da crise internacional. Para isso, direcionaram
suas vendas para a China. Segundo o presidente da Agência Brasileira
de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil),
Alessandro Teixeira, vários setores apoiados pela agência vinham
apostando fortemente no mercado japonês, mas perceberam que haveria
um forte desaquecimento da economia do Japão e mudaram o rumo de sua
estratégia.
“No ano passado, avaliamos que haveria uma queda expressiva no PIB [Produto
Interno Bruto] do Japão e orientamos as empresas a focar em outros
mercados, como a China”, disse Alessandro. O PIB japonês deve
recuar 6% em 2009.
A Apex-Brasil apoia 74 setores da economia que envolvem 9.400 empresas. Segundo
ele, a estratégia de enfrentamento da crise foi aumentar a visibilidade
do produto brasileiro. Para isso, a Apex realizou, por exemplo, um estudo
de todo o segmento de moda na Ásia, de joias a roupas, e identificou
40 cidades chinesas que poderiam ser atraentes para os produtos brasileiros.
Para Teixeira, os chineses não ameaçam as vendas externas do
Brasil. “A China vai ser um parceiro mais estrutural do comércio
brasileiro e não apenas um esforço no momento da crise. O mercado
chinês é uma oportunidade, e não uma ameaça para
as exportações brasileiras.”
Ele informou que as exportações de projetos apoiados pela Apex-Brasil
caíram, neste ano, 7,7%, bem menos do que a redução de
23,4% das exportações brasileiras como um todo, tendo como base
de comparação produtos manufaturados e semimanufaturados (industrializados).
Segundo ele, as exportações totais do Brasil devem fechar 2009
em US$ 155 bilhões e devem voltar a crescer no ano que vem por conta
da retomada do consumo mundial. As vendas externas atingiram um pico histórico
de US$ 197 bilhões no ano passado. "As exportações
podem alcançar US$ 170 bilhões no ano que vem", disse.
Neste ano, a Apex-Brasil participou de 842 eventos para promover as exportações
e atrair investimentos para o Brasil. A agência, conforme Teixeira,
está com um trabalho regionalizado para ajudar os estados na atração
de investimentos estrangeiros. Com apoio do Banco Mundial, já há
projetos piloto em Pernambuco, na Bahia, no Pará e em Minas Gerais.
Ao todo, a Apex vem monitorando 357 projetos de investimentos no Brasil. (Enio
Vieira)
Fonte:Agência Brasil.
14/12/2009