EUA sugerem compensações a produtos brasileiros para evitar sanções comerciais
A batalha comercial
entre os Estados Unidos e o Brasil, que ameaça retaliar em até
US$ 830 milhões os produtos norte-americanos em reação
aos subsídios concedidos ao algodão daquele país, levou
a uma nova forma de negociação. Desde terça-feira (9),
os norte-americanos intensificaram as articulações propondo
compensações ao setor têxtil brasileiro para evitar as
retaliações aos seus produtos.
Paralelamente, o governo do presidente Barack Obama envia, depois do carnaval,
antes da secretária de Estado, Hillary Clinton, um emissário
para organizar sua visita. A ideia é que a secretária venha
ao Brasil em março para articular um acordo comercial. Depois, no segundo
semestre, será a vez de Obama vir a Brasília.
Até a visita de Hllary, os negociadores norte-americanos tentam evitar
as sanções aos seus produtos. Por enquanto não há
propostas concretas, mas manifestações dos negociadores norte-americanos
sinalizando a possibilidade de um esforço para não haver a retaliação
a cerca de 222 artigos exportados para o Brasil. Uma das opções
já apresentadas é de compensar alguns produtos brasileiros que
são exportados para os Estados Unidos, mas não há detalhes.
A lista de itens que podem ser penalizados ainda está sendo elaborada
pela Câmara de Comércio Exterior (Camex). Os negociadores brasileiros,
em contrapartida, insistem que não aceitarão opção
alguma que prejudique o algodão brasileiro. A orientação
dos ministros das Relações Exteriores, Celso Amorim, e do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, é de buscar
um acordo antes da implementação das medidas – o que deve
ocorrer em março.
Inicialmente, a Camex pretende fixar as sanções em um total
de até US$ 560 milhões. A retaliação ocorrerá
por meio de reajustes na tarifa de importação de até
100 pontos percentuais. Dessa forma, um produto norte-americano que paga 12%
para entrar no país passaria a pagar 112%.
Ontem (10), Amorim disse que se a ameaça do governo dos Estados Unidos
de impor uma contrarretaliação ao Brasil for concretizada, os
norte-americanos estarão incorrendo em um erro. “Se um país
fizer isso [contrarretaliação] estará à margem
das negociações internacionais”, disse o chanceler. “Nosso
objetivo não é criar problemas com os Estados Unidos ou qualquer
outro país”, afirmou.
A iniciativa brasileira de impor sanções aos produtos norte-americanos
tem o respaldo da Organização Mundial do Comércio (OMC).
No ano passado, o organismo autorizou o Brasil a retaliar os Estados Unidos
em até US$ 830 milhões. A decisão é motivada pelos
subsídios concedidos pelo governo norte-americano aos produtores de
algodão. (Renata Giraldi)
Fonte: Agência Brasil.
11/02/2010