Perfil
Dirigiu o turismo nos municípios de Lapa, Antonina e Rio Negro e tem forte atuação no litoral paranaense. Seu trabalho como consultor e palestrante abrange toda a região sul brasileira. É pioneiro em projetos de Turismo Férreo no Brasil e Turismo Rural no Paraná. Dirigiu e apresentou diversos programas de televisão voltados a área do turismo em TV a cabo e aberta.
Entrevista
Portal Net Babillons
Márcio hoje o que teria que fazer o Prefeito, o Governador, como seus
Secretários de turismo para pujar mais turismo para suas Cidades, seus
Estados ?
Márcio Assad
Já existem programas importantes em termos nacionais, estaduais e municipais
na área do turismo, porém na hora de viabilizar determinados
projetos as coisas tem alguns entraves. Eu sempre digo que o poder público
tem que fazer a parte dele, mas a grande parte dele é sensibilizar
o empresariado que tem que investir, o poder público não tem
que ser dono de hotel, dono de empreendimento, ele tem que fazer é
o fomento da atividade. Qual é a obrigação do poder público?
é a estrutura básica, essa não pode ser prescindida,
tem que ter acesso bom, um bom meio de comunicação, tem que
ter uma boa rede de saúde e segurança pública, essas
coisas são inerentes ao poder público. Ainda convencer o empresário
a investir, desse investimento nós vamos estar criando um produto turístico.
Existe uma diferença muito grande entre potencial turístico
e produto turístico, o que nós temos que ter são produtos
e esse produto se fará com investimentos, ora públicos para
fomentar, mais o investimento privado, que tem que vir para criar a estrutura
receptiva, receber bem o turista, essa é a palavra chave.
Portal Net Babillons
Márcio hoje no Brasil se fala muito de turismo, urbano, rural e até
de ecoturismo. Nesse tripé que nós observamos, qual é
o mais importante, ou soma-se um ao outro ?
Márcio Assad
Existem regiões que tem todos esses pré-requisitos para desenvolver,
tem áreas que podem ser desenvolvido o turismo cultural, na mesma cidade
ou região junto com o rural, também o ecológico e tudo
mais, acho que podem se somar. Ainda dentro dessas definições
existe o turismo de eventos que é um turismo qualificado que traz recursos
e tudo mais. Uma coisa não nega a outra, desde que se faça tudo
muito bem feito, hoje há um avanço muito grande, na qualidade,
nos serviços, hoje muito mais do que ontem nós estamos já
vendendo a qualidade de nossos produtos turísticos, mas enfim, seja
ele cultural, ecológico, urbano, rural, de eventos, de serviços,
inclusive turismo saúde, tudo tem que ter qualidade: de atendimento,
de receptividade, qualidade de equipamentos, profissionais qualificados. Falando
de hotelaria, desde o porteiro, o recepcionista do hotel, até o gerente
geral, todo mundo tem que estar preparado para dar a qualidade ao cliente
especial que é o turista, que está desfrutando e pagando para
isso, tem que dar a qualidade. Independente do segmento de turismo a qualidade
é fundamental.
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Você falou em hotelaria, isso nos ergue uma questão. Exatamente
por quê o hoteleiro brasileiro é diferente do hoteleiro dos Estados
Unidos, o hoteleiro americano faz muito mais propaganda o brasileiro ainda
é acanhado, por quê essa diferença tão grande ?
Márcio Assad
Existe uma diferença muito grande entre dono de hotel e hoteleiro,
isso é fundamental. Existem pessoas que chegaram a atividade hoteleira,
a atividade de turismo sem qualquer experiência ou formação.
Na verdade hoje há uma globalização também nesse
setor, tanto isso é verdade que as maiores redes do mundo estão
empreendendo no Brasil. Essa tendência muda completamente o perfil do
hoteleiro no Brasil, nós já temos indícios disso. Acredito
que as pessoas tem que se adaptar, os donos de hotéis e hoteleiros
a uma nova realidade, quem não souber se inserir devidamente no mercado,
vai ficando no caminho, isso sem dúvida nenhuma. Se existe essa característica
hoje, creio que isso menos do que ontem, ela vai deixar de existir, as pessoas
vão ter que vender muito bem o seu produto e entregar aquilo que estão
vendendo.
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Qual seria o papel da operadora de turismo com uma possível parceria
com esses hoteleiros, já existe de fato alguma cientificação
real em cima disso, ou as operadoras se limitam a desenvolver seu trabalho
independentemente ?
Márcio Assad
Eu tenho certeza que nós estamos vivendo uma verdadeira revolução
nessa área. As agências de viagem correm risco de deixar de existir,
ou modificar a sua atividade, porque você tem on line como se comunicar
direto com os prestadores de serviço, as agências de viagem vão
se transformar em consultores de viagem e aí lhes mostrar a melhor
maneira de viajar, tentar entender o que você quer e não serem
meros emissores de bilhetes. As operadoras, também estarão inseridas
neste mesmo contesto.

Márcio Assad, tem larga experiência no ramo do turismo e na área
de televisão. Dinâmico, competente, ama e vive o que faz.
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Há que se aprofundar muito mais, a parceria terá que ser muito maior entre a área que produz o serviço e a área que vende o serviço, até chegar ao cliente. Há uma modificação muito grande na área do turismo, está em andamento e eu digo que setores podem até deixar de existir, dentro dessa transição.
Portal Net Babillons
Márcio o que exatamente o governo tem feito para beneficiar o turismo
de brasileiros dentro do Brasil ?
Márcio Assad
Já há alguns anos a Embratur tem imprimido algumas campanhas,
"Conheça o Brasil" e outras mais, essas campanhas tem sido
cada vez mais eficientes. Isso somado a algumas questões externas,
vamos imaginar que depois do atentado ao World Trade Center, forçosamente
começou a se fazer mais o turismo interno. Também dentro da
área oficial, se falando de Embratur, existem alguns programas importantes,
como o programa de municipalização do turismo que é o
PNMT, é muito importante. Porém isso tem que ser uma prática
entendida de baixo para cima, que os municípios assumam essa questão,
agora está correta a estratégia, não pode ser trocada
de 4 em 4 anos ou, as vezes, até em menos.
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Márcio nessa situação de novos investimentos na área
turística do nosso grande Brasil, o governo tem implementado situações
de beneficiar estes investidores ?
Márcio Assad
Não, na verdade o que existe hoje se falando de recurso para isso,
os recursos, as vezes anunciados não tem chego a todos, ou a grande
parte, daqueles que almejam esse recurso para investir. Outra coisa é
que os juros no Brasil são impossíveis de se trabalhar. Outrora
existiu o Fundo Geral de Turismo, o FUNGETUR, que foi o responsável,
por exemplo, pela construção da hotelaria do Nordeste e tudo
mais. Hoje existem alguns anúncios de recursos que advirão com
o PRODETUR e uma série de coisas, tanto para a iniciativa privada,
quando para o poder público investir no turismo. Mas a resposta é
que hoje há carência de uma política de financiamentos.
Todo mundo quer que a coisa seja factível, não adianta você
acenar com recursos que são impagáveis. Porque hotelaria e todo
investimento que se faz em turismo, não se pode imaginar a curto prazo,
tem que imaginar a médio e longo prazos. É uma tendência
da média do empresário brasileiro, em querer o retorno rápido.
São essas duas coisas, é o empresário ter o entendimento
que o retorno é mais a longo prazo e existir linhas de crédito
que não sejam às vezes só voltadas a constar no papel
e não poder se viabilizar, porque aí o empresário depois
não consegue honrar os seus compromissos.
Portal Net Babillons
Os grandes investimentos como parques temáticos, já são
realidade no Brasil como um todo, ou está limitado as grandes metrópoles,
como São Paulo e Rio ?
Márcio Assad
Aí é uma questão de mercado, esses parques vão
ocorrer próximos ao seu público alvo por uma série de
razões. O deslocamento do cidadão com a família, às
vezes, a distância poderia inviabilizar. Em escala poderia se pensar
de forma diferente, se nós tivessemos um transporte aéreo interno
mais em conta, isso facilitaria muito. É um grande segmento, existem
conversas, projetos de parques temáticos na região sul, atrações
muito importantes que podem ser feitas, porém eu acho que hoje eles
preferem estar localizados próximos aos centros emissores, isso é
uma estratégia do empresário que está desenvolvendo o
empreendimento é que pode avaliar melhor. É um mercado interessante,
é um mercado importante, é um mercado que dá certo, sem
dúvida nenhuma, até pelos produtos agregados ao que é
um parque temático, só que são grandes volumes de recurso
para desenvolver, você precisa de todo um produto formatado. O entretenimento,
é um grande negócio, é a indústria do futuro,
é comprovado que o homem vai trabalhar menos em questão de horas,
vamos ter um trabalho sendo feito de forma cada vez mais eficiente e com menor
desgaste de tempo, físico e mental. E há uma grande perspectiva
na indústria do turismo e do lazer, essas duas aliadas são muito
importantes e aí entra essa opção de parques temáticos,
existem coisas fantásticas colocadas no papel, em projeções
virtuais, se isso for viabilizado nós teremos aí grandes mega
atrativos em termos de Brasil e poderemos competir até com os grandes
parques do mundo.
Curitiba
- PR, 29 de Janeiro de 2002.