Perfil
Wilson
Marcelino Filho é Mistico, Astrólogo, Escritor, Semiólogo
e Religioso. Nascido em Curitiba, estado do Paraná, no Brasil, em 2
de Junho de 1954. Sua formação acadêmica foi na Faculdade
de Estudos Sociais do Paraná, em Administração de Empresas.
Cursou a Universidade Italiana Per Stranieri, em 1985, na cidade de Perúgia.
É Presidente da "Fundação Wilson Marcelino Filho"
desde a sua criação em 01 de setembro de 1999.
Sua missão é dar ao próximo condições para
que o mesmo possa desenvolver suas potencialidades. É um homem dinâmico,
justo, que rompeu as barreiras do seu próprio eu, assumindo o lado
social. Além disso Wilson é um estudioso das ciências
ocultas, escreveu vários livros que falam de emoções
e energia vital. Wilson é conhecido também como Guru Tercuri.
Entrevista
Portal Net Babillons
Wilson como surgiu o desejo de criar uma Fundação com seu nome
?
Wilson Marcelino Filho
Primeiramente gostaria de agradecer a participação no Portal
Net Babillons - Canal Entrevistas; no que se refere a pergunta, eu resolvi
criar a Fundação Wilson Marcelino Filho em 1990, naquela ocasião
fui buscar o estatuto de uma fundação e um amigo nosso conseguiu
uma cópia do estatuto da Fundação Rockfeller. Na época,
a fundação que fazia sucesso no país era a Fundação
Roberto Marinho, observei que ambas as fundações levavam o nome
de seus instituidores, então só para seguir um modelo, já
que ia ser uma fundação de direto privado, resolvi seguir aquele
modelo pré-existente de fundação com o nome de seus instituidores,
por isso coloquei o meu nome, por já existir esse modelo no mundo.
Portal Net Babillons
Há quanto
tempo existe a Fundação ?
Wilson Marcelino Filho
Em agosto de 1999 a Fundação foi legalizada e criada a escritura
pública. Fiz a escritura de dotação de bens e doei todos
os bens iniciais para que fosse feita.
Portal Net Babillons
Esta Fundação
desenvolve quais serviços na sociedade ?
Wilson Marcelino Filho
Consta no estatuto da Fundação, na sua finalidade, que ela vai
cuidar da cultura e desportos, do espiritual, dos presos e pessoas ligadas
aos presos, encaminhamento de pessoas doentes a hospitais para atendimento
e também um projeto de conscientização democrática.
Com base no estatuto criamos alguns projetos: o "Projeto Pró Liberdade",
que é um projeto de redução de pena dos presos, para
ajudar os que foram condenados há um ano e estão há dez
anos lá dentro, eles precisam de advogados que os ajudem a sair, já
que cumpriram a pena. Tem o "Projeto Revivencismo" que é
o de criar uma arte brasileira seguindo os modelos da arte egípcia,
atlante, grega e romana numa linguagem brasileira, seguindo o mesmo modelo
do renascimento. Quando começou o renascimento vieram os pais do humanismo
e disseram: "Por que vocês estão preocupados com a arte?
basta copiarem os modelos gregos e romanos que tudo vai dar certo" e
é o que estamos fazendo com o "Projeto Revivencismo". No
que tange a conscientização democrática nós criamos
o "Projeto Adão", ele visa reunir pessoas da classe média,
orientá-las, de forma que elas votem em conjunto, para terem uma consciência
democrática cada vez maior. Básicamente essas são atividades
da Fundação, embora ela faça concomitantemente outros
serviços, que são da LBF - Legião da Boa Fé, que
segue um modelo de ajudar creches, asilos, todos aqueles que necessitam de
alimentos, cestas básicas, remédios. Ajudamos 3 creches, somos
os principais auxiliadores, nos transformamos numa ONG que ajuda outras ONGS,
existem outros asilos e creches que também vamos iniciar esse processo
de ajuda.
Portal Net Babillons
Qual é
o organograma da Fundação ?
Wilson Marcelino Filho
O organograma da Fundação ficou distribuído em um Conselho
Curador, um Conselho Fiscal e um Conselho Deliberativo. No Conselho Curador,
que é o órgão máximo da Fundação,
estão: minha esposa Márcia, minha Mãe e outros integrantes.
O Conselho Administrativo, é comandado por mim e por Carlos Alberto,
que é secretário, tem outras pessoas. O Conselho Fiscal é
composto pelo Dr. Munir, pela Clarisse Gama França e outros integrantes,
essas pessoas formam o organograma da Fundação. Todos esses
conselhos trabalham harmonizados, objetivando dar seqüência aos
trabalhos propostos pela "Fundação Wilson Marcelino Filho",
que é chamada pelo nickname de Funwilson.
Portal Net Babillons
Os projetos desenvolvidos
pela Fundação tem participações governamentais
ou empresariais ?
Wilson Marcelino Filho
Todos os projetos que fizemos, acabam tendo o apoio da comunidade direta ou
indiretamente, com empresários que se irmanam em nossas causas e que
nos ajudam. Por exemplo, resolvemos ajudar na criação do "Só
Vida", que é um projeto, como diz a finalidade da Fundação
de encaminharmento a doentes, então criamos o grupo "Só
Vida", que é um grupo de apoio aos aidéticos. Conseguimos
de um empresário, o Omar Guérios, que ele fizesse a terraplanagem
do local onde seria construída a sede do "Só Vida".
Depois consegui com a Dra. Seleni, que ela nos auxiliasse na obtenção
de itens, para serem entregues na festa feita para a criação
do "Só Vida", com o Dr. Munir, advogado, que ele fizesse
toda a parte jurídica do "Só Vida". Conseguimos também
com Sr. Maurício Lemanski que nos cedesse a fazenda que ele tem, para
que nos organizássemos inteiramente o "Só Vida" ,e
assim sucessivamente; temos pedido para várias pessoas. Posteriormente
consegui com o Banestado, uma sede que era anteriormente da Liga das Senhoras
Católicas, fosse transferida para o "Só Vida". Enfim
foram desenvolvidos vários trabalhos, temos pedido coisas para os empresários
e eles nos tem atendido em todas as áreas, mas para isso temos que
fazer e apresentar um bom projeto. A função da Fundação
é intermediária em um processo onde ela formaliza alguma coisa
que o empresário possa fazer diretamente, mas por intermédio
da Fundação há mais legitimidade.
Portal Net Babillons
Existe um projeto
de expansão visando o futuro da "Fundação Wilson
Marcelino Filho" ?
Wilson Marcelino Filho
Sim, a "Fundação Wilson Marcelino Filho" vem sempre
fazendo uma dialética sobre si mesma, então ela vem observando
formas de aprimoramento, e essas formas visam expandir as finalidades da Fundação,
a mente da Fundação é a seguinte: é gestora de
bens que pertencem a comunidade, é um instrumento de execução
formal do bem, assim você pode fazer o bem por um instrumento formal
que é a Fundação. Eu sempre brinco que para fazer o mal
é muito fácil, mas para fazer o bem é preciso de ciência,
é preciso de conhecimento, uma fórmula para não criar
situações desagradáveis. Por exemplo, agora a Fundação
decidiu que vai atuar fazendo diagnósticos, temos projetado para este
ano que vamos identificar áreas que as pessoas estão precisando
de ajuda e a partir dali, daquela necessidade, vamos buscar na sociedade recursos
para resolver aquele problema. Porque não se ajuda as pessoas arbitrariamente,
não podemos levar cestas básicas para alguém se na verdade
eles estão precisando de livros didáticos, vamos fazer sondagem,
vamos diagnosticar o problema e a partir daí buscamos a solução
competente para levar aquele benefício para aquela população,
uma vez resolvido o problema, vamos criar um arquivo de multimídia,
com vídeos, com livros, revistas, relatórios para ter um know-how
de como fazer as coisas, no sentido de ajudar a sociedade. A partir dai nós
vamos buscar empresas, pessoas mais preocupadas com o avanço social
da sociedade, para que elas tenham cada vez mais confiabilidade e consigam
resultados cada vez mais eficazes.
Portal Net Babillons
Quais os projetos
efetivados pela Fundação que você pode citar como resultado
100% ?
Wilson Marcelino Filho
Na verdade sempre digo que o nosso estado de bem aventurança, não
é um processo estático, é um processo dinâmico,
se você consegue ajudar as pessoas a resolverem o seu problema da fome,
logo depois você vai ter que resolver o problema da moradia, se resolver
o da moradia e o da fome, vai ter que dar o grau de instrução,
dando o grau de instrução ela vai atrás de outas coisas,
vai precisar de recursos para adquirir as suas coisas, etc. Então as
necessidades aumentam sempre, nunca é um êxito total, porque
as necessidades são crescentes.
Agora o grande êxito que conseguimos com a Fundação, não
foi com projetos, foi criar uma maneira própria de ajudar o próximo.
Nós ajudávamos muito menos pessoas antes, do que hoje; o número
de pessoas que participavam ajudando a Fundação era menor, conseguimos
granjear uma grande credibilidade junto à população.
Precisamos trabalhar cada vez mais para preservar o bom nome e conseguir através
disso uma mudança efetiva dentro do processo. Por exemplo, quando ajudamos
o Lar de Meninos São Luís, fomos com algumas senhoras, uma foi
a madrinha do Ministério Público, Sra. Inês Postareck,
que doou carteiras para uma sala de aula, depois minha mãe deu carteiras
para outra sala, naquela ocasião fizemos aquilo e achamos o máximo,
hoje estamos fazendo coisas muito maiores e achamos que estamos fazendo o
mínimo, porque na medida que você vai se conscientizando, você
muda. Quando ajudamos a compor o "Só Vida", que é
a primeira casa de apoio aos aidéticos do Brasil, achamos que aquilo
era o máximo, mas quando vimos o real tamanho da Aids, vimos que não
fizemos nada. A tarefa a se fazer é muito grandiosa, existe uma expressão
que diz: "Ao invés de nos preocuparmos com a indignidade do mundo,
temos que nos preocupar em dignificar o espaço que ocupamos",
pelo que sentimos, estamos conseguindo dignificar o nosso próprio espaço.
Portal Net Babillons
Quais os projetos
que você pretende efetivar, num futuro próximo, pela Fundação
?
Wilson Marcelino Filho
Eu quero na verdade transformar o "Projeto Adão", que é
conscientização democrática, num projeto que se estenda
ao Paraná inteiro. Hoje o "Projeto Adão" está
restrito mais a Curitiba e região metropolitana, estamos chamando pessoas
que tem maior conscientização democrática para que elas
criem uma sustentabilidade para que possamos estendê-lo ao Paraná
inteiro. Essa é nossa meta principal para o ano de 2002.
Portal Net Babillons
Os empresários
que desejarem subvencionar projetos com a Fundação, o que precisam
fazer ?
Wilson Marcelino Filho
O primeiro passo é ligar para a Fundação, depois receberão
nossa visita, vamos mostrar o trabalho que estamos desenvolvendo, na medida
que haja o interesse deles em investir, vamos encaminhá-los para um
Projeto que seja condizente com o interesse deles. O telefone da Fundação
é (41) 236-1110, falar com Márcia.
Portal Net Babillons
Wilson qual é
sua formação acadêmica ?
Wilson Marcelino Filho
Eu me formei em Administração de Empresas pela Faculdade de
Estudos Sociais do Paraná, ali eu tive noções de contabilidade,
posteriormente fiz um curso na Price Waterhouse, que é uma empresa
multinacional inglesa de auditoria onde fiquei 3 anos, de lá passei
para Santa Catarina e fui gerenciar um terço das empresas do Sr. Aderbal
Ramos da Silva que foi um dos maiores políticos de Santa Catarina.
Então aprendi administração quando estava na Faculdade
de Estudos Sociais do Paraná, aprendi contabilidade e auditoria quando
estava na Price e depois quando estava nas empresas do Sr. Aderbal, eu tinha
tempo suficiente em Florianópolis, que é um lugar muito aprazível,
para ler e aproveitei para estudar psicologia, como autodidata, tenho noções
de astrologia, de mitologia grega e acabei me apaixonando pela semiologia,
hoje me auto intitulo um semiólogo, porque gosto demais, principalmente
pela semiologia professada por Roland Barthes, acho que hoje é a mente
superior em entendimento semiológico no mundo.
Portal Net Babillons
Você é
Escritor, fale sobre o tema que desenvolve ?
Wilson Marcelino Filho
O primeiro livro que fiz, foi muito simpático, porque se chamava "Céu
de Areia", eu estava em Florianópolis-Santa Catarina; tinha feito
algumas poesias quando morava em São Paulo, um dia encontrei meus arquivos
e achei que eram bonitas, então lancei o livro de poesias "Céu
de Areia". Tiveram pessoas ao meu redor que gostaram e me exortaram a
compor novas poesias, fiz "Flores do Tempo", nesse já mesclei
um pouco de mitologia grega, um pouco de prosa, algumas visoformas (retratos),
fiz um mix de tudo isso e lancei "Flores do Tempo". As pessoas começaram
a comentar que eu tinha facilidade para a prosa, então fiz um livro
só de frases chamado "Frases de Terra", que muito agradou.
Depois eu tive a visão (revelação espiritual) na Barra
da Lagoa em Florianópolis-SC, começaram a me perguntar porque
estava trabalhando com místico, com o mundo espiritual, eu sempre tinha
que explicar para as pessoas os fenômenos que estavam acontecendo comigo,
então lancei "A Bíblia do Iniciado", na ocasião,
o atual Prefeito de Curitiba-PR, Rafael Greca, prefaciou o livro. Greca tem
e sempre teve um grande amor por Curitiba, de ver aquele amor quando fez a
festa dos 300 anos de Curitiba, percebi que estava contagiado, então
comecei a escrever e retratar Curitiba em poemas e acabei fazendo o livro
chamado "Curitiba 301 Anos, Uma Semana de Amor", uma comparação
com aquele filme "Nove Semanas e Meia de Amor", fiz como se fosse
uma semana inteira me devotando amorosamente a Curitiba.
Wilson Marcelino Filho, Presidente da Fundação que leva o seu
nome, um ser humano progressista e fraterno.
Fiz um projeto com a Fundação Cultural e criei um livro, cujo nome é "Veredas ou Policlope Torbazom", muitas pessoas gostaram e queriam que eu demonstrasse o modo como escrevi. Então fiz uma coisa para os escritores emergentes, aqueles que quisessem começar na literatura, mostrei que na literatura, neste livro, eles precisam de um pano de fundo para que se possa escrever. Normalmente os autores fazem os livros sem um pano de fundo. Um exemplo é Alexandre Dumas, quando escreveu o "Conde de Monte Cristo", usou como pano de fundo o Bonapartismo, em cima disso ele criou a ficção da história do livro, então criou o pano de fundo de Luís XIV para criar "O Homem da Máscara de Ferro". Mostrei para os escritores que se eles criassem um pano de fundo ia ser muito mais fácil escrever. Peguei o pano de fundo do Ciclope, que é o gigante de um olho só e criei o "Policlope", que é o gigante que tem dez olhos nas pontas dos dedos da mão, essa foi minha viagem literária. No prelo tenho "Isto é o Protocristianismo", e o "Novíssimo Testamento" que é o último livro.
Portal Net Babillons
Você tem
um lado místico, ele interfere no desenvolvimento dos projetos da Fundação,
ou o mesmo tem ajudado ?
Wilson Marcelino Filho
O que muitas pessoas não sabem é que a palavra Cristo, vem do
Cristós, do grego, que significa o amor que você tem pelo próximo.
Toda pessoa que está encantada, ou seja, que está na vivência
na espiritualidade, ela desenvolve por conseguinte um amor ao próximo,
está com o Cristo dentro dela. Eu brinco muitas vezes, que uma pessoa
fala: "Em nome de Jesus...", e digo: se você fizer algum mal
vai estar com Jesus, mas não vai estar com o Cristo, o importante em
qualquer religião, budismo, cristianismo ou monadismo,é professar
o bem. Onde está o bem está Deus, está o Cristo. Esse
sentimento do Cristo, de querer fazer o bem contagiou a Fundação.
Se você está com uma Fundação, se tem que pegar
bens, dinheiro, para partilhar com a caridade e ainda devotar o seu trabalho,
então isso é a caridade máxima, é um Cristo em
ação. Na realidade esses dois lados não se conflitam,
eles tem uma relação de inter-dependência, eles tem uma
relação de complementação.
Portal Net Babillons
Wilson, ter uma
Fundação com o seu próprio nome, é uma grande
responsabilidade ?
Wilson Marcelino Filho
Confesso que quando comecei a Fundação que tinha o meu nome,
me senti envaidecido, porque começaram a me associar como se eu fosse
uma pessoa poderosa, pela Fundação ter o meu nome. Na verdade
foi uma sensação que tive à princípio, posteriormente
fui dando conta que os trabalhos que a Fundação desenvolve são
muito poderosos e isso faz com que ela iniba um pouco as minhas atitudes,
porque comecei a ficar extremamente cuidadoso, zeloso dos meus atos, porque
vi que qualquer ato que eu tenha refletirá na Fundação.
Então a Fundação vem se tornando a menina dos olhos,
a figura central onde desenvolvo as coisas e se eu for imprudente ou inconseqüente
é lógico que de alguma forma vai macular o nome da Fundação.
É uma responsabilidade muito grande, requer um dispêndio muito
maior da conservação das suas atitudes.
Portal Net Babillons
Você como
homem extremado em sensibilidade, qual a sua visão no campo da arte
?
Wilson Marcelino Filho
A minha visão é platônica. Platão descobriu uma
diferença substancial entre participação e imitação.
Estudei durante muito tempo a arte, mas não tinha entendido esse conceito
simples de participação e imitação. Quando um
artista concebe alguma coisa que está no plano das idéias, por
exemplo um quadro de uma marina, ele tira do plano inteligível, que
é o plano das idéias, para o plano sensível da realidade,
ele cria aquele quadro, visto que estava no plano transcendental e veio para
o mundo das formas. Mas no momento que ele começa, pega o quadro que
está no plano das formas e faz outro copiando, está no plano
da imitação. Existem dois planos distintos que as pessoas percebem
que é o da participação, tirando do mundo inteligível
para o mundo sensível, e o da imitação que já
está no plano sensível. Então todas as que são
tiradas do plano inteligível para o plano sensível, são
as mais difíceis, são as criações propriamente
ditas, as demais são imitações. Mas se você tem
uma obra que acabou de participar do mundo sensível e vai aprimorando
de cada vez mais, vai chegar o momento que ela não terá mais
nada a melhorar, chegando a perfeição, será chamada de
obra prima.
Você vê muitas vezes o termo obra prima, mas não sabe que
ele se originou do platonismo. O que me deixou amante e apaixonado pela arte
é a capacidade de pegar um material e ir aprimorando até chegar
numa obra prima. Então Platão não deve pintar as coisas
da natureza, porque se você pinta o Sol, nunca vai melhorar o Sol, se
você pinta uma casa que foi feita por alguém, pode encontrar
uma maneira de fazer uma casa melhor. A arte tem que ajudar a arte, a medida
que vou pintando uma casa eu posso melhorá-la cada vez mais, se eu
pinto uma flor, não vou conseguir melhorar a criação
de Deus. O mundo da natureza independe do mundo arte feito, que é o
mundo do homem. Então eu gosto da arte do jeito que Platão vê,
a arte para aprimorar o mundo do homem.
Portal Net Babillons
Em sua opinião
o jovem universitário brasileiro precisa do que para se tornar um profissional
de êxito ?
Wilson Marcelino Filho
Essa é a pergunta mais agradável para responder; hoje eu estou
com 48 anos e vejo que estou distante da mocidade que eu nem sabia que num
dia poderia acabar. Então fico agindo assim como se estivesse trabalhando
num rescaldo da mocidade, ou seja, aquelas coisas gostosas que vivi na mocidade,
tento ritualizá-las de alguma forma, para manter para mim mesmo um
astral bom, estar bem com as pessoas, buscar ser feliz. Eu sinto que hoje
a mocidade age pelo ímpeto, sempre digo aos amigos próximos,
que a diferença entre o jovem e o adulto é que os dois entendem
o risco, mas o jovem corre o risco e o adulto não. Depois ao longo
do tempo descobri que os jovens entendem, mas não compreendem. A "noesis",
que é a compreensão, como os gregos chamavam, ela é algo
mais do que o entender, só que no momento que você compreende
as coisas, você vê que antes só entendia. Então
eu gostaria de pedir para os jovens que eles tentassem visualizar aquelas
coisas que eles estão estudando, procurando, que buscassem algo a mais
que aquele entendimento que eles estão tentando ter, que eles aprendam
até chegar a mestria das coisas. No momento que você vai trabalhando
uma coisa bastante, vai revolvendo, vai pensando, sai do estágio humano,
e começa a transcender na chamada magia. Eu gostaria que os jovens
buscassem a magia das coisas, ou seja, buscassem se transcendentalizar numa
coisa melhor e que eles encarassem as coisas não como nomes e fórmulas
estanques e paradas, mas sim como formas verdadeiras. Na hora que eles pensassem
em pátria, não pensassem só no nome, mas entendessem
o que é o país, que devem lutar por ele. Quando pensassem em
família, saber que têem uma família, que têem que
trabalhar, ganhar dinheiro para sustentar a família. Quando tiver um
amigo e ele estiver em dificuldades, saber que deve ir ao encontro aquele
amigo e ajudar, resgatar, porque ele é um amigo de verdade. A idéia
é não ficar na conceituação apenas de uma forma
leve, mas tentar compreender a grandiosidade das coisas, porque aí
"ele" vai poder interagir pela sociedade, como o próprio
Portal Net Babillons, que está passando informações para
as pessoas de uma forma grandiosa, maravilhosa, isso é interagir: acreditar
na pátria, no país, nas potencialidades do que podemos fazer.
Portal Net Babillons
Você além
de presidir uma Fundação é um intelectual, fale sobre
a mulher do Terceiro Milênio ?
Wilson Marcelino Filho
Eu sou grato ao Vinícius porque ele sacralizou as mulheres, ele falou
das mulheres e para falar das mulheres temos que falar do amor. Elas tem na
mão o cetro do amor, o amor é indubitavelmente a maior força:
Jesus só pregou o amor, Buda só pregou o amor, o mundo só
precisa do amor para viver. Elas já nascem com o amor, o papel delas
é fundamental, porque, na sociedade do bruto, que era a sociedade não
civilizada, o entendimento capital era que a força é que comandava
a estrutura. Naquele filme de Stanley Kubrick, mostra aqueles macacos que
estavam brigando, de repente um deles vê um osso no chão, ele
pega para usar como clava e bater no outro, então ele entende que a
força dele, mais a força do osso, o tornaria mais forte. A força
bruta é uma coisa que funcionou muito no Império Romano, mas
depois com o advento das leis, dos direitos humanos, o que aconteceu foi que
a sociedade mudou, hoje o que vale é a sensibilidade. Por exemplo,
o computador requer mais a sensibilidade, então as mulheres estão
tendo facilidade em acessá-lo. No mercado têxtil, nas finanças,
tudo está precisando de sensibilidade, de doçura, da passividade
no sentido de aceitar as coisas.
O homem vê o todo, a mulher vê o detalhe, se entrar alguém
aqui eu vou ver o todo, minha esposa verá que estava com sapato preto,
camisa de tal tipo, elas tem o entendimento dos detalhes. Então as
mulheres do terceiro milênio terão uma força muito superior,
porque tem o entendimento da sensibilidade. Se os homens não correrem
em busca da sensibilidade, com certeza terão problemas para os próximos
tempos.
Portal Net Babillons
A Fundação
já está informatizada ?
A Fundação Wilson Marcelino Filho começou a ser informatizada
pelo Carlos Humberto, que tem uma formação muito grande em informática;
depois que se iniciou o "Projeto Adão", um grupo de pessoas
da extinta Telepar, os melhores técnicos da área de informática
vieram aqui capitaneados pela figura do Gilson Caron Tecerolli e desenvolveram
projetos de informática para a Fundação, eles vêm
trabalhando para que a Fundação fique cada vez mais informatizada
e pretendemos incrementar ainda mais esse trabalho.
Quero agradecer ao Portal à entrevista e dizer que nossos projetos,
não são mais da Fundação, mas sim, de todos.
Portal Net Babillons
O que você
acha do mundo da Internet ?
Wilson Marcelino Filho
No meu entender Aristóteles descobriu há muitos anos uma coisa
maravilhosa, que nós temos virtudes naturais e virtudes práticas.
Nas virtudes naturais a potência prescende o ato, por exemplo a potência
de ver, precede o ato de você ver, basta que você apareça
na minha frente para veja você, porque eu já tenho isso potencialmente.
Se você fala, basta você falar para eu ouvir, porque a potência
de ouvir, precede o ato de ouvir. Na virtude prática, eu primeiro preciso
da atitude prática para ter a potência, primeiro e bato a máquina,
para depois me tornar um bom datilógrafo. Primeiro construo casas,
para depois me tornar um bom construtor. Ele descobriu que existia uma potencialidade
virtual, que nascia dentro de você e poderia ser virtualizado, por exemplo,
a folha é verde, mas ela tem o potencial para se tornar amarela, então
o sol vem como catalisador nesse processo, incide sobre a flor verde e a torna
amarela, então ele virtualiza essa capacidade da folha. Esse mundo
chamado virtual, pode realizar-se; o homem antes do advento do computador
não tinha o virtual, na medida que criou-se a rede chamada Internet,
virtualizou tudo, então nos tornamos potencialmente capazes de tudo.
Então aquela sensação que tínhamos de impotência,
principalmente na área de comunicação, de repente, saímos
do sonho para a realidade.
Neste momento estou fazendo uma entrevista para o Portal Net Babillons e daqui
vou ganhar o mundo inteiro, pessoas do mundo inteiro vão poder ver
as minhas "visoformas" (imagens) e vão ler as minhas "grafoformas
" (palavras escritas), desde que haja um tradutor, elas vão receber
este entendimento, vão descobrir o meu inteligível, mas isso
é um processo virtual que elas terão, embora eu não as
conheça. Isso é a magia do virtual em ação, como
as pessoas só viviam no mundo real, a entrada no mundo virtual significa
a entrada numa dimensão diferente, porque a dimensão é
extra-dimensional, ela se processa numa dimensão superior.
A Internet é realmente uma coisa fabulosa porque ela criou uma outra
dimensão para os homens se inter comunicarem, se inter-relacionarem
e fazerem coisas. Nós inclusive não sabemos a extensão
dessa descoberta, ainda não vimos o alcance. Todas as pessoas que quiserem
se modernizar e globalizar o seu entendimento devem usar a Internet.
Curitiba - PR, 05 de Julho de 2002.