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Perfil

Vicente Klonowski é como um adolescente livre, leve e solto. O aventureiro in solo, aos 55 anos, tem excelente saúde e usa a sua sabedoria da Faculdade de Arquitetura para navegar pela faixa litorânea da Costa Brasileira, em uma jangada, embarcação tradicional do Nordeste do Brasil.
Casado, pai de um garotinho de três anos e quando não está navegando ou operacionalizando um Projeto para zarpar, está experimentando a aventura de viver com a família.
Vicente tem aproveitado esses insights radicais de aventura in solo para observar e registrar em fotos, fatos e dados a vida passando. Toda essa sua história, conforme o que diz o Navegador será brevemente transformado em Livro.
Viajar em jangada ou caiaque, embarcações pequenas de pouquíssima segurança é extremamente arriscado, o perigo é constante, e isso já aconteceu em águas mornas e frias, tranquilas e agitadas, durante o dia e a noite.
Outro ponto forte da vida deste Navegador é o convívio com comunidades e populações junto à Costa Litorânea em suas paragens, na conversa, na troca de conhecimento, na adaptação aos costumes, no acolhimento por parte dos nativos.
Vicente ainda neste ano de 2009 se prepara para uma nova aventura, seu maior compromisso é com o contemplar e preservar da natureza.
Ele é Carioca e atualmente reside na Ilha da Magia, Florianópolis, no Estado de Santa Catarina.

Entrevista

Foto: GMG
O Diretor do Portal NetBabillons, Eros Damiam Pereira entrevistou o Navegador Vicente Klonowski que aportou no Museu Nacional do Mar para uma breve visita e descanso.

Portal NetBabillons
Quando aconteceu a sua primeira aventura?
Vicente

A primeira aventura é meio difícil dizer, porque desde criança a gente faz as experiências, mas fiz algumas coisas que ficaram bem marcadas. Para mim foi uma viagem pela Amazônia e cheguei até os Andes; eu andei pela Amazônia a pé, sozinho durante dois anos.

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As aventuras no mar vieram em que época?
Vicente

O mar foi em 1988 quando eu fiz uma viagem a remo do Rio Grande do Norte até Laguna, em Santa Catarina, em um Caiaque Oceânico projetado para essa viagem.

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Quando você está no meio do mar em busca do seu destino, o que se passa por sua cabeça, o que acontece com a cabeça de um Navegador In Solo?
Vicente

Olha, a viagem solitária, às vezes, tem um esplendor muito grande, existe uma interação, justamente para você não se sentir sozinho, nós nos sentimos acompanhados do Universo, das estrelas à noite, do mar quando está bom, porque quando está ruim a gente se sente mais sozinho, mas quando o mar está bom é um grande companheiro.

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Existe a idéia de você escrever um Livro relatando suas experiências e aventuras?
Vicente

Eu estou escrevendo sobre a viagem a remo, mas eu sou meio lento para isso. Estou fazendo em três volumes a Costa Brasileira que naveguei de Natal até Laguna, a primeira parte está quase pronta, que é até Salvador.

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Evidente que você para se inserir dentro de um contexto de navegação e sair em busca de aventuras, destinos incertos teve um conhecimento de estudos, mas o que exatamente você chegou a fazer?
Vicente

Eu estudei Arquitetura e sou Artista Plástico, acho que o lado das Artes Plásticas me dá muita sensibilidade, essa coisa de você criar um momento especial na sua vida, de estar no mar eu acho que vem daí também. A minha família era de Artistas, minha mãe é Artista Plástica e o irmão também.

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Vicente, nas suas paragens pela Costa Brasileira do que você se alimenta?
Vicente

Eu como a mesma comida que o pescador, ou faço a minha, também, que bom ter a troca! Eu sou meio vegetariano, como peixe, no mar é difícil você não ser “pexívoro”, eu como peixe e levo as minhas coisas. Agora na casa do pescador eu como a comida por ele servida, é muito interessante você saber receber também e a pessoa que está nos recebendo tem um grande orgulho de poder partilhar.

Foto: GMG
Simples, prático e sempre navegando em embarcações pequenas e modestas sem muita tecnologia, Vicente se identifica com os pescadores que sempre tem conhecimento para ensinar.

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Vicente, você se intitula um ser humano mais próximo da vida saudável, da natureza?
Vicente
Olha! Eu tenho uns momentos largos de ficar parado, mas esse momento de estar no mar é muito especial, eu me sinto pleno no mar, lá fora. Agora essa viagem com a Jangada, ela é muito bonita; parece que você navega de forma mais macia em um barco de vela, de pano, que você vê o bambu que cresceu no bambuzal, você vê o mastro feito de madeira que foi uma árvore, é uma coisa direta, do que com os materiais sintéticos, artificiais, dos barcos feito nos estaleiros; este foi feito em casa, em parte por um mestre jangadeiro.

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Como aconteceu a escolha pela Jangada para fazer essas aventuras náuticas?
Vicente

Eu sou apaixonado pela Jangada e pela Canoa, mas Jangada é um barco muito seguro para se navegar ao largo e eu gosto de navegar ao largo, fora da Costa, uma navegação Costeira mas sem ser água interior. A Jangada é um barco muito bonito, muito especial, com qualidades náuticas interessantes e a idéia é usar um barco onde ele não existe. Um barco típico de pesca aonde ele não existe, para que as populações que vivem do mar, que não é só pescador, como também o velejador possam ver um outro tipo de embarcação, que é de outra região que não a sua, então eles vêem que se pode navegar com essa embarcação na sua região. Às vezes eles pensam que esse tipo de embarcação só se pode navegar lá no Nordeste por causa dos ventos, mas não, aqui no Sul o vento também permite navegar uma Jangada e com isso estimular o pescador a resgatar a vela, que ele usava antigamente nas Baleeiras, nas Canoas, em nossas regiões todas.

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Essa idéia das aventuras no mar in solo, elas irão continuar, você tem algum novo projeto para este ano ainda?
Vicente

Esse trecho que eu estou fazendo é uma experiência, na verdade. Uma experiência com a embarcação e comigo, o que estou levando, os espaços que estou utilizando, o que está funcionando, o que tem demais no barco e estou levando este barco de uma residência que eu tinha para outra, que eu mudei para Florianópolis. O que estou pensando é no final do ano sair com um projeto que seria um Trabalho de Pesquisa de Náutica Popular com a Jangada, então será um trecho bem maior e eu tenho que estar bem preparado.

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Para esse Projeto a Jangada será a mesma que você está usando nesta viagem ou será reprojetada ?
Vicente

Não, será a mesma, só com algumas alterações nos equipamentos, no material que compõe a minha sobrevivência.

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Você é um homem alto, um aventureiro náutico que fugiu da altura padrão do brasileiro, você pensou a respeito disso ao usar a Jangada?
Vicente

Eu tenho 1,94 cm e me adapto bem nela, o que acontece, às vezes, é as pessoas entenderem que uma pessoa com a minha estatura ou com a aparência de um estrangeiro não poderia navegar uma embarcação típica e isso é um tabu. Na verdade os Brasileiros deviam navegar os barcos brasileiros até os fabricados fora, nós deveríamos aproveitar mais a nossa tecnologia, que foi desenvolvida pelos nossos mestres tradicionais. Eu estou levando um barco brasileiro e sou Brasileiro.

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Mas isso impede que daqui para frente você possa ter um Projeto específico e novo?
Vicente

Eu gosto das coisas pequenas, para mim parece que as coisas não podem ultrapassar uma dimensão humana, quando se faz uma coisa muito grande, muito cheia de equipamentos parece que se perde a relação com o próximo, com a pessoa que se pode encontrar no caminho. Às vezes a Jangada é rústica, mas isso aproxima mais do que se eu tivesse em um barco sofisticado, com equipamentos de última geração, GPS e tudo mais, então para mim é interessante estar em uma forma mais simples para chegar em um homem mais simples que tenha um conhecimento mais aguçado, porém, ameaçado de se perder, que é o conhecimento de náutica popular.

Foto: GMG
O Carioca Vicente Klonowski cheio de sonhos e projetos, tem o Mar como uma das suas maiores paixões .

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Vicente, um momento de muita emoção vivenciado em algumas das suas aventuras?
Vicente

Eu posso lembrar do mais próximo, bom vou citar dois. No tempo da canoagem eu estava em uma barra muito complicada para entrar e o mar estava todo espumando, as ondas quebravam inteiras e eu precisava entrar para dormir, estava em um Caiaque e vi um jangadeiro que parecia estar em cima d’água, porque não tinha vela, ele estava a remo e eu perguntei por onde seria melhor entrar, ele pediu que eu esperasse ele puxar e rede que me mostrava. Ele entrou pelo meio das ondas, onde era mais baixo pelo canal que saía o rio e quando chegamos na praia ele me arranjou uma Sororoca imensa, eu lhe disse, mas como vou comer esse peixe inteiro, pois sou sozinho e ele me disse o seguinte: “Você não é sozinho, você é você e quem mais for te receber”, isso me fez refletir porque eu pensava “vou levar o que eu preciso”, é bom a gente ter um senso de poupar a natureza e não ser extravagante no consumo, mas é bom pensar naquele que irá te receber. É interessante também em outros termos levarmos conhecimento de outras regiões para esses povoados e aí pode funcionar um projeto de intercâmbio cultural. Esse momento mexeu muito comigo, porque eu tinha outra visão, a de levar sempre o mínimo possível, mas temos que pensar naquele que irá nos receber.

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São Francisco do Sul, a Baía Babitonga, o Museu Nacional do Mar, o que você tem a falar sobre essa Terra?
Vicente

Ah! isso aqui é um Paraíso, tem seus problemas como em qualquer outra parte que se tenha civilização moderna. Mas, para mim São Francisco do Sul tem um foco cultural muito importante, onde se valoriza tudo isso, foi até mais por esse lado que eu parei aqui, a idéia era só passar para fazer um teste no barco, mas isso aqui me seduziu, deu vontade de parar e ficar vários dias. Cheguei primeiramente no Capri Iate Clube onde fui muito bem recebido, aconteceu como um visgo (risos), para sair está difícil e acaba tendo sempre uma desculpa, de que o tempo não estará muito bom (risos). Já no Museu Nacional do Mar fizemos oficinas com as crianças, o que foi muito importante.

Foto: GMG
Cheio de histórias e curiosidades para contar pelos lugares onde já passou, o Navegador relata que ao mesmo tempo que bate a solidão, sente o mar como seu maior companheiro.

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Dos povos ribeirinhos, aqui no Brasil, por onde você já passou, qual foi a peculiaridade que mais lhe chamou atenção?
Vicente

Eu posso dizer uma coisa? Tem uma coisa no homem simples que é muito especial, ele não tem medo de te receber. Agora se você chega em um condomínio de luxo as pessoas tem muitos bens materiais e acabam se sentindo ameaçadas com pessoas desconhecidas e acabam tendo razão. Mas na casa do pescador você chega, pendura a máquina fotográfica em um prego da porta e não some nada, eu passei por vários lugares e é muito difícil perder ou sumir algum equipamento, passei pela Ilha do Bom Abrigo, pela Ilha do Mel, aqui em São Francisco do Sul e sigo para Florianópolis. Pelo homem mais simples você não perde nada, pelo contrário, ainda ganha e se puder deixe alguns valores também.

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Na Mídia Jornalística há muito interesse pelos seus roteiros, pelas aventuras in solo ou isso ainda não acontece no Brasil?
Vicente

Quando eu fiz a viagem de caiaque houve interesse, agora está sendo diferente porque o meu interesse é mais para testar a embarcação para viabilizar o projeto que deve sair no final do ano, aí então farei um trabalho de divulgação. O interessante é que já consigo passar uma idéia do que posso fazer e de que posso ter mais parceiros à frente, isso vem a somar, inclusive o fato de vocês estarem aqui.

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Vicente , o Projeto de sua próxima aventura necessitará Patrocínio ou você já se sustenta nesse sentido?
Vicente

Eu ainda preciso de apoio, mas não é muito e às vezes isso desacredita quem quer financiar, é um projeto simples, barato e dá um retorno muito grande principalmente nas comunidades por onde passo e para a mídia também, obviamente.

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Sua próxima aventura, onde ela terá início e qual será o seu ponto final?
Vicente

A idéia é fazer o trecho de São Vicente até Laguna em Santa Catarina, uma das idéias é levantar a possibilidade do Mito de Sumé deixar de ser mito, pois ele foi um Navegador que passou pelo Brasil antes mesmo do Brasil ser colonizado e teria deixado uma ótima impressão entre os índios. Ele não foi um colonizador, um dominador, ele teria sido um ser humano muito especial para os grupos indígenas por onde ele passou. Eu achei muito interessante essa história, no Brasil a gente explora, usufrui pouquíssimo da nossa história, dos nossos mitos que podem gerar páginas belíssimas de trabalhos e uma das coisas que farei é avivar isso aí, que é o “Sumé”; que teria deixado marcas nos rochedos e ele passou em um barco a vela também e tinha sempre a intenção de fazer um intercâmbio de conhecimento com os índios, ele teria ensinado o uso da erva-matte para os grupos guaranis, que é o conhecido chimarrão que tomamos hoje em dia, ele teria trazido a banana de São Tomé. Os Jesuítas acreditam que seria ele o São Tomé, ou passou a usar isso para atrair os índios para a Igreja. Mas, ele teria sido mesmo uma pessoa especial e não um São Tomé. Achei interessantíssima a história e resolvi dar o nome do Projeto de “As Rotas do Sumé”.

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No sentido da sua bagagem cultural e todas as suas expedições isso lhe concedeu conhecimento, você está aberto para Palestrar?
Vicente

Sim perfeitamente, eu estarei morando em Florianópolis até o final do ano, data da próxima viagem, estou à disposição. O perfil das minhas Palestras é para crianças, mulheres e homens pescadores, velejadores, além das oficinas de vela. As Palestras são muito interessantes, pois acabam amadurecendo o que iremos fazer, existe sempre uma troca, as pessoas ficam interessadas e elas também passam algo de novo a você que serve de referência para o seu caminho. As Palestras também são uma contrapartida para os Patrocinadores, durante as viagens pelas comunidades nas quais eu passo.

Foto: GMG
Além da navegação e da preservação do Meio Ambiente o Navegador Vicente, carrega consigo outros projetos, como o de Palestrar e ministrar Oficinas.


Vicente
Considerações Finais
O mar é muito bonito, ele é aberto, não é limitado a tecnologias sofisticadas, “ele” chegou aqui através de caravela, que eram barcos com velas de pano e madeira e até hoje pode-se navegar muito bem. A idéia é gente ver a vida com mais simplicidade e tentar alcançar as coisas que nos dão prazer, estar no espaço que se deseja estar.

Foto: GMG
O Diretor do Portal NetBabillons, Eros Damiam Pereira não resistiu ao convite do Navegador, Vicente Klonowski e entrou na Jangada para conhecê-la mais de perto.


Contato com o Navegador Vicente Klonowski
Email: vicente.klonowski@yahoo.com.br

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Portal NetBabillons, 19 de Junho de 2009.

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