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Perfil

Luiz Carlos Borges da Silveira, Médico, Ex-Ministro da Saúde no governo do Presidente José Sarney e Empresário. Natural de Lapa, cidade paranaense, uma das mais tradicionais e históricas do Brasil.
Entre os sonhos de Borges da Silveira, está o de conseguir realizar muito mais pela educação no Brasil.
Borges da Silveira é um homem público de reconhecida competência e respeitabilidade perante a opinião pública nacional e internacional.

Entrevista

• Na Política

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Como surgiu o gosto pela política em sua vida?
Dr. Luiz Carlos Borges da Silveira
Iniciou quando eu era estudante de medicina, exerci um cargo no primeiro governo Ney Braga, no estado do Paraná, como Chefe de Gabinete do Departamento de Assistência Técnica aos Municípios, esse Departamento era o órgão que atendia todos os Prefeitos do Paraná, era eu quem recebia as suas reinvindicações e encaminhava para o devido atendimento. Esse relacionamento me fez viajar muito pelo Paraná, realizando seminários para formação e melhoria das condições técnicas de Prefeitos e Vereadores em todas as regiões do Estado, realizamos o primeiro Congresso Nacional de Municípios em Curitiba-PR. Isso tudo me fez, ter uma visão mais política. Após me formar em Medicina, fui para o interior do Paraná, no sudoeste do Estado, Pato Branco especificamente, com a missão de implantar saúde pública. O trabalho de implantação de saúde pública na região mais nova do Estado: haviam poucos médicos, hospitais somente 4 dos 28 municípios, postos de saúde, 3. Então todo esse trabalho que nós fizemos nos anos de 1965 a 1970, implantando a saúde pública, nos fez ter um contato muito grande com as lideranças municipais e com isso, assumi uma posição política, e fui guindado a disputar a eleição, fui eleito vice-prefeito em 1976, de Pato Branco; em 1978 fui eleito Deputado Federal, na época um candidato pregando a renovação contra os políticos tradicionais daquela região e consegui uma eleição muito boa, depois outra em 1982 e em 1986, peguei o gosto pela coisa. Continuo até hoje participando de política, mas atualmente não estou militando.

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Quando Ministro da Saúde, qual o momento de maior realização?
Dr. Luiz Carlos Borges da Silveira
Eu acho que nós fizemos algumas coisas importantes, que deixamos aqui no Brasil. Uma das que mais me deixou satisfeito e até hoje repercute foi que nós tínhamos um problema sério de paralisia infantil em nosso país e as campanhas de vacinação não conseguiam atingir o objetivo, o povo não procurava os postos de saúde, apesar da vacina ser gratuita. Nós tínhamos que achar uma motivação. Foi feita, então, uma campanha nas escolas de todo o Brasil, para a escolha do personagem que iria marcar a vacinação no Brasil. Foi aí que criamos o Zé Gotinha, que hoje, sem dúvida nenhuma, é fator preponderante no estímulo à prevenção de doenças. A vacinação no Brasil hoje é exemplo para o mundo, outros países copiaram os dias de vacinação, como é feito no Brasil. A partir dessa época não tivemos mais nenhum caso de paralisia infantil. Acho que esse foi um fato marcante.
Tem um outro muito importante pelo que representou e está representando até hoje no Brasil; quando nós assumimos o Ministério, logo em seguida, fomos para um Congresso Internacional de Ministros de Saúde, em Londres, 151 ministros de saúde de vários países do mundo estavam reunidos para discutir Aids, que estava começando no Brasil, quando estive lá eu tinha pouco conhecimento sobre essa doença, mas quando vi o que estava acontecendo no mundo, o que já acontecia na Suíça e na Suécia, nos países mais desenvolvidos, que os governos já estavam distribuindo gratuitamente seringas e agulhas descartáveis para evitar a contaminação. Vi também o que estava acontecendo na África Negra, países como Uganda que estavam em segundo lugar no números de casos de Aids, embora por outro tipo de transmissão, pela promiscuidade sexual, vi que o Brasil tinha os dois. Tinha a possibilidade através de injeções por drogados, pela trasfusão de sangue e pela promiscuidade sexual, então eu vim para o Brasil e entrei com tudo, recebi críticas, a própria CNBB foi contra, porque fiz a primeira propaganda em defesa do uso da camisinha e jogamos isso na mídia, falamos muito sobre isso, tomamos outras posições em relação a Aids. Naquela época, no Brasil, 12% dos casos de Aids eram ocasionados por transfusão de sangue, não havia controle da qualidade do sangue do doador. Se uma pessoa fosse operada vinha um parente e doava sangue se o tipo sanguíneo fosse compatível. Mas se esse doador tivesse hepatite, um passado de malária, sífilis ou qualquer uma dessas doenças transmissíveis, isso não era analisado.Então o que eu fiz, consegui que o Congresso Nacional aprovasse em uma semana uma lei estabalecendo a obrigatoriedade de exames para os doadores, para quatro doenças principais. Além disso criamos a rede de hemocentros para coletar o sangue.
Houve mais um fato que foi a campanha anti fumo. Na época foi um ato de coragem, por meio de Portaria Ministerial, estabelecendo a exigência de fazer constar nas carteiras de cigarros: “O Ministério da Saúde adverte...”. Isso há 12 anos atrás foi um ato polêmico. Hoje os fumantes estão marginalizados, mas na época a força das empresas produtoras de cigarro era muito grande e como elas pagavam muitos impostos nunca o governo tomou posições contra elas.
Regulamentamos e liberamos o uso de produtos dietéticos no Brasil, o que era proibido até então.
Aprovei e apoiei financiamento para a implantação do projeto SIATE em Curitiba, para atendimento de emergências médicas.
Criamos o Plano de Sangue e hemoderivados, regulamentando este setor tão importante para a saúde.
Eu acho que essas foram algumas posições que deram repercussão e trouxeram resultados positivos para o povo brasileiro.

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Na vida pública quando ministro, qual o projeto que desejava realizar e não foi possível ?
Dr. Luiz Carlos Borges da Silveira
O quadro de saúde no Brasié muito sério. Já dizia Miguel Couto que “O Brasil é um grande hospital”.
As grandes diferenças sócio-econômicas existentes contribuem para isso.Desnutrição nas regiões mais carentes, acompanhadas de diarréia, por falta de higiene e saneamento básico e, nas regiões mais ricas, as doenças da abastança.
Ao lado disso, as doenças tropicais endêmicas e epidêmicas.
Dentro desse quadro é preciso colocar a prevenção à saúde como prioritárias e isso procurei fazer no Ministério. Um projeto que tentei implantar, mas não consegui, foi o Instituto Nacional de Assistência Materno-Infantil, promovendo a fusão do INAN (Instituto Nacional de Alimentação) com a Divisão de Assistência Materno-Infantil. A função deste instituto seria a de coordenar e executar um programa de assistência integral à gestante e à criança até os 7 anos de idade.Inclusive com complementação alimentar através dos postos de saúde, para evitar a desnutrição e suas consequências.
Dessa maneira,cuidaríamos do binômio, mãe e filho, e mudaríamos a situação da saúde do povo brasileiro.

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O Brasil em relação a outros países desenvolvidos, deixa a desejar exatamente no que e por quê?
Dr. Luiz Carlos Borges da Silveira
Eu acho que deixa a desejar é na educação, principalmente. O Brasil é um país que tem todas as condições e vai ser sem dúvida um dos países mais importantes no mundo, já é hoje, mas vai ser muito mais. Acho que tudo que está acontecendo no mundo recentemente inclusive as lutas na Ásia, no Oriente, o episódio que aconteceu no Estados Unidos em 11 de setembro de 2001, tudo isso vai favorecer a imagem do Brasil lá fora. Porque é um país que recebe pessoas de todas as raças do mundo e bem, essas pessoas convivem muito bem em nosso país. É um país fantástico, um país que não tem terremoto, não tem maremoto, não tem briga racial, não tem briga religiosa, um país que tem a maior área agricultável de terras do mundo, um país que tem um subsolo riquíssimo, um litoral extenso e belo, então é um país completo. O que precisamos é dar condições para nossa gente. Então é isso que eu acho que é o mais importante para o Brasil, que a hora que nós capacitarmos e profissionalizarmos nossa população, não terá país igual no universo.

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Se o Senhor pudesse emergencialmente sancionar uma lei nacional para efetivamente melhorar a qualidade de vida do povo brasileiro, qual seria? Por quê?
Dr. Luiz Carlos Borges da Silveira
É proibido roubar! e roubar em órgãos públicos. Eu inclusive sugeri ao senador Osmar Dias e parece que ele apresentou esse projeto, tornar inafiançável o crime de roubo do dinheiro público. Se você analisar, o IBGE publicou há pouco tempo um trabalho dizendo que os desvios correspondem a 20%, eu acho que é mais, se somarmos os governos executivo, legislativo, judiciário, federal, estaduais e municipais no Brasil dá mais de 40% . Então você põe isso: 40% a mais, quantas vidas seriam salvas, quanto melhoraria na educação, quanto melhoraria na saúde... então eu acho que se tivesse essa lei, iria melhorar a qualidade de vida do brasileiro.

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Que leis vigentes o Senhor gostaria que fossem substituídas ou anuladas. Por quê?
Dr. Luiz Carlos Borges da Silveira
É dificil dizer que leis vigentes hoje, mas tem leis como a da CPMF, é mais um imposto que todo o ano dizem que é provisório e passa para o ano seguinte. Sou até favorável, como fiscalização de fraudes na declaração do imposto de renda, poderia ser útil, mas desde que tirassem outros impostos. A maior potencialidade que o Brasil tem para enfrentar a globalização é através da agricultura e produtos agropecuários, é nisso que nós temos condições de competir com o Japão, China, Inglaterra, EUA, Alemanha, não tem outro país com as condições que nós temos para produzir. Nos outros países os produtos agrícolas são subsidiados, o nosso tem uma taxação entre o início à saída do produto, até chegar à exportação ou o consumidor, em mais de 33% de impostos, isso inviabiliza. Tem que se rever isso, a lei que eu alteraria seria a das taxações, a reforma tributária é necessária, ao lado da reforma política no Brasil. Se nós fizermos uma reforma política que possa consolidar partidos políticos, que a população se conscientize e participe mais na escolha dos seus representantes, se nesta condição tivermos uma reforma tributária que descentralize.
Brasília foi criada para ser uma capital como Washington nos EUA, era para ter 500 mil habitantes no máximo e hoje já tem mais de 2 milhões de habitantes. Com a revolução militar, o Brasil foi comandado por 22 anos, o país teve um desenvolvimento econômico, mas em compensação, teve um atraso exatamente na tributação, porque um governo militar, para ter condições de apoio, precisavar ter os governadores e os prefeitos sob a sua tutela, com o apoio deles. E com isso eles mudaram a constituição em 1967, que era uma constituição que dava força aos municípios, eles inverteram e trouxeram toda a tributação para o poder central. Para os estados dependerem do orçamento federal e os municípios também, com isso se tornaram dependentes financeiramente e politicamente, que era o interesse deles. Então eu sou defensor de uma reforma tributária, não a que o governo esá defendendo, centralizandomais arrecadação com o poder central. Eu acho que o passeio do dinheiro,quando sai do município e vai para o federal, não volta parao município.Um exemplo bem simples: Loteria Esportiva, se ficasse x% no município do que é arrecadado, que é para assistência social, a população estaria vendo o que foi feito, ao passo que vai para lá e você vê para onde vai ? Você não vê o resultado disso. Então um país do tamanho do nosso com as diferenças sociais, econômicas e culturais de uma região para outra, não pode ter uma administração com arredação centralizada. Você não pode decidir o destino de cidades do interior do Piauí, do Paraná ou de Santa Catarina, de gabinetes acarpetados de Brasília, onde tecnocratas fazem relatórios bonitos e decidem o que deve ser feito, então isso tem que mudar e mudará somente com a reforma tributária descentralizada.

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Por quê no Brasil, os cientistas não recebem incentivos do governo para realizarem ou divulgarem mais os seus inventos e descobertas?
Dr. Luiz Carlos Borges da Silveira
Eu tenho impressão que é uma soma de fatores, um deles, talvez, é a falta de cultura para colocar a pesquisa como prioridade. Em segundo lugar, há prioridades mais urgentes em um país em desenvolvimento, com grandes problemas sociais e necessidadede de obras de infra-estrutura para atender à população que continua em constante migração interna para novas regiões. Eu no Ministério,dentro dessa escassez de recursos, procurei fazer e disse isso abertamente à imprensa, q
ue quando os problemas fossem nossos, tínhamos que aplicar na pesquisa. Quanto a Aids me perguntavam na imprensa: “Mas o senhor não incentiva a pesquisa sobre Aids...”, eu acho que nós temos que pesquisar sobre a malária, sobre a doença de chagas, sobre as doenças que nós temos aqui e dar toda a força aos nossos cientistas para podermos melhorar essas condições. A Aids, os Estados Unidos estão gastando milhões em pesquisa e nós podemos aproveitar o que eles fizerem. Então eu acho que nós temos que dar aos nossos cientistas, as nossas universidades mais condições para pesquisa, deve ser feito, mas deve ser priorizado com aquilo que os outros países não pesquisam e nós precisamos, para o nosso bem.

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O povo brasileiro parece liberal, porém segundo pesquisas é conservador. Em sua opinião, o político deve ser bem estruturado familiarmente e economicamente?
Dr. Luiz Carlos Borges da Silveira
Eu acho que sim, precisa ser por vários motivos. Familiarmente, eu acho, porque com isso ele tem mais sensibilidade, analisa melhor as coisas e tem uma condição melhor até para representar uma população. Economicamente, até porque, com isso ele não vai ter que usar de outros meios, porque nós sabemos que o político no Brasil, apesar de falarem tanto que o deputado ganha bem (eu posso falar porque hoje não tenho nenhum cargo público), acho que o deputado é mal remunerado dentro da sua atividade, quando vejo deputados que hoje para se elegerem, a grande maioria, gasta mais de um milhão de reais em uma campanha política e durante 4 anos ele recebe quatrocentos mil reais em salários, isso ele gasta até para sua manutenção, ora, ele vai procurar outros meios para suprir e com isso às vezes, muitos deles, usam caminhos que não são aceitáveis.
Então eu acho que é importante estar bem economicamente. Outro motivo que eu acho importante é que ele tem que estar preparado para representar a população, conhecendo os problemas e tendo mínimo de formação intelectual.

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Em sua opinião o político brasileiro do novo milênio precisa ter qual perfil?
Dr. Luiz Carlos Borges da Silveira
O político eu acho que precisa ter seriedade, honestidade, competência. Esse seria um político ideal. É o que todos nós almejamos e que hoje infelizmente, é uma minoria. Mas hoje a dificuldade das pessoas entrarem na política é muito grande, pelo custo de uma campanha política, pela vantagem que levam pessoas que têm programas populares de rádio e televisão, direcionados para o povo, e, com isto, têm contato permanente com o eleitor, prejudicandoa participação de cidadões com aqueles requisitos. Estamos começando com a lei da responsabilidade fiscal, com aquilo que hoje faz as coisas serem transparentes, os processos contra políticos do executivo, do legislativo, do judiciário, isso vai fazer com que a população vá se conscientizando e através da melhoria da educação dessa população, da conscientização política de que na democracia você participa, você vota no seu representante, vê se ele tem condições e deixa de lado seus interesses financeiros, que hoje ainda corrompem a política eleitoral brasileira, só assim nós vamos melhorar o nível. O nível que todo brasileiro consciente quer: competência, honestidade e seriedade.


A trajetória de êxito de Borges da Silveira como homem público lhe
deu sapiência, para acreditar que a educação no Brasil é o maior investimento.

• Na Medicina

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Em sua opinião, na medicina brasileira qual foi o maior avanço, até os dias atuais?
Dr. Luiz Carlos Borges da Silveira
Eu acho que os avanços tecnológicos nos diagnósticos, isso foi um dos grandes avanços, como a ressonância magnética, a evolução do diagnóstico por imagens, isso trouxe condições para diagnósticos que melhoraram muito o nível da medicina.

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Quem tem mais longevidade no Brasil - o Homem ou a Mulher?
Dr. Luiz Carlos Borges da Silveira
As estatísticas mostram que a mulher tem mais longevidade. Talvez porque a mulher seja mais comedida nos seus hábitos alimentares, no consumob bebidas e no uso do cigarro; talvez isso seja o fator. Apesar de hoje a mulher já estar no mercado de trabalho intensamente, já está com doenças que antes não tinham, como o stress. Mulher dificilmente tinha infarto, hoje tem, dificilmente tinha úlcera, hoje tem; já está mudando o perfil, mas hoje, as estatísticas mostram que a mulher tem mais longevidade.

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Em sua opinião médica por quê a fitoterapia não é melhor explorada pela medicina brasileira; considerando a nossa rica botânica?
Dr. Luiz Carlos Borges da Silveira
Eu acho que é falta de estrutura para isso. Quando eu estava no Ministério fiz um convênio e contratei a Unicamp, em Campinas para fazer pesquisa nessa área, foram pesquisadas nessa época, 120 ervas, dessas 40 se tornaram medicamentos, corroborando com o que se falou, a potencialidade das ervas. Recentemente estão tirando alguns produtos do mercado porque o Ministério não fez análise, eles estão há muito tempo, por que não fizeram análise? Porque não tem estrutura para analisar, não temos estrutura no Brasil para analisar os produtos. Então com isso você tem dificuldades, muito dos produtos que estão aí não tem legalização, não tem procedimento, não tem avaliação, não tem visto os efeitos colaterais, não tem estudo sobre isso, que é muito sério e grave. Então isso não existe no Brasil, porque nossa indústria farmacêutica é muito frágil. Ela é dependente dos grandes grupos internacionais. Hoje, se tivermos 100 laboratórios de produtos farmacêuticos no Brasil, 97 são brasileiros e 3 são multinacionais, só que os 3 dominam 95% do mercado. Os nossos são os de fundo de quintal, não tem centro de pesquisa, são normalmente copiadores dos produtos que vem. As nossas universidades que poderiam pesquisar, não estão tendo as condições. É possível, mas isso precisa ser incentivado.

• Na Área Empresarial

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Empresarialmente a sua atuação é direcionada em quais setores?
Dr. Luiz Carlos Borges da Silveira
Atualmente ao ramo da educação, nós temos participação em algumas faculdades no interior do Estado do Paraná. Iniciamos em Pato Branco, que hoje não sou mais sócio, mas temos uma consultoria lá; em Lapa, Campina Grande do Sul, Curitiba, Cornélio Procópio e Arapoti. Temos participação e temos um centro de coordenação para manter a mesma estrutura de qualidade, tanto no ensino, como a parte burocrática do funcionamento das faculdades. Estou com a empresa Educom, que é educação continuada, no estado do Tocantins como sede, teve início lá, mas vamos ter também em Curitiba-PR esta mesma empresa.

• Na Economia

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O Senhor é contra ou a favor da entrada de capital estrangeiro no Brasil, em áreas de mercado aberto?
Dr. Luiz Carlos Borges da Silveira
Eu não sou contra, eu acho que hoje nós estamos num processo de globalização e o que nós precisamos ser é competentes. O que precisa mudar no Brasil é que o empresário brasileiro sempre é tratado com desvantagem em relação ao empresário estrangeiro. Eles têm muito mais condições, eles têm dinheiro barato, empréstimos com juros baixo, que nós não temos, eles vem aqui e recebem uma série de vantagens dos governos, que oferecem uma série de condições que não oferecem para a recuperação de empresas que já estão aqui, gerando empregos. Então essa política indústrial e agrícola no Brasil, não existe. Precisa existir para dar condições aos nossos e aí, podem vir os outros, eu acho que nós temos condições de competir. Mas não podemos continuar pagando impostos como se paga hoje. Os produtos que se vendem nas lojas de R$ 1,99 e nas distribuídoras de produtos de R$ 1,99. Eu tive a oportunidade de no final do ano constatar com minha esposa. Fizemos na faculdade da Lapa uma campanha para ajudar as crianças carentes, então pedimos aos alunos da faculdade para cadastrarem mil crianças. Eu fui comprar os presentes numa dessas distribuidoras de R$ 1,99, vi coisas que vem da China, de Taiwan; que eles vendem a R$ 1,30 depois de tantas passagens até chegar aqui, deve sair daquele país por R$ 0,40. Que condições o brasileiro tem de produzir isso assim, não tem! Então o custo aqui é muito alto, temos que ter uma política para dar condições ao empresário para ele poder competir.

• Na Família

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Borges da Silveira em casa, no convívio familiar, como é?
Dr. Luiz Carlos Borges da Silveira
Graças a Deus tenho uma família espetacular, tenho filhos, minha mulher tem boa saúde, todos os filhos já se formaram, tem curso superior, todos estão se encaminhando ou já estão encaminhados na vida, todos estão em volta participando nas nossas coisas, no nosso trabalho. Então eu tenho uma família muito unida, muito boa e a convivência é a de um cidadão normal, infelizmente, que deveria ter no final de semana mais lazer, mas ainda estamos ficando bastante em casa e agora curtindo a neta, a primeira e o avô corujá está lá direto, convivendo com uma família fantástica.

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Leitura e arte fazem parte de sua vida? Quais suas preferências?
Dr. Luiz Carlos Borges da Silveira
Fazem, mas não me considero um homem culto, me considero prático, que estudou. Fiz curso superior, acho que fiz muito bem, sou um homem que a universidade da vida ensinou muito, acho que tenho um conhecimento geral razoável. Aprecio muito as artes plásticas, gosto muito, frequento exposições de quadros, procuro adquirir quando possível, em casa tenho muitos quadros. Aprecio muito a arte, acho que deve ser estimulada cada vez mais. Aprecio a música e gosto, sou um brasileiro fanático, acho que a música brasileira é a mais versátil e a melhor do mundo, não tem nada parecido. Pena que hoje a indústria americana consiga levar a sua cultura, influenciando todos no mundo inteiro. Sou um defensor da música popular brasileira, nós temos grandes músicos, verdadeiros poetas compositores. Como leitor, leio bastante, hoje livros não técnicos, mas romances, livros assim de momento que podem influenciar a vida, o que se está fazendo na área de educação; então eu sou não um homem culto, mas um homem que procura estar atualizado.

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Entretenimento e lazer quando e onde?
Dr. Luiz Carlos Borges da Silveira
Pouco entretenimento, ainda aquele de você em casa com a família: a filha, a nora, a mulher, jogar uma canastrinha. Você assistir televisão, hoje se tem bons canais e uma facilidade muito grande para escolher programas. Não sou homem de grandes esportes, nunca fui um grande jogador, mas como todo brasileiro procurei ser jogador de futebol, aí me contundi e tive que encerrar a carreira. Não faço nem pratico esportes, como muita gente gosta de pesca, barco, eu não tenho esses hábitos.

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Existem regimes, receitas especiais em sua gastronomia? Fale de suas preferências.
Dr. Luiz Carlos Borges da Silveira
Acho que preferências existem. Eu sou um grande comilão, como bem, poucos pratos eu não aprecio, não sou muito de apreciar pratos sofisticados. Gosto muito de quibe, apesar de não ter descendência árabe, gosto muito do nosso feijão, a nossa feijoada, sou fã da feijoada, do churrasco também. Então eu aprecio, gosto mais das comidas fortes, apesar de saber que não são tão boas para a saúde.

• Na Educação

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Uma mensagem ou conselho para os universitários brasileiros.
Dr. Luiz Carlos Borges da Silveira
Nessa fase o universitário não sabe bem como vai ser seu futuro, na maioria dos casos é um rebelde, que está sempre contestando as coisas. Acho que o universitário tem que procurar estudar de manhã, estudar à tarde e estudar à noite, depois que terminar seu curso continuar estudando, porque nunca aprendemos tudo aquilo que precisamos aprender. A evolução do mundo, a evolução da tecnologia nos faz, nos obriga que tenhamos continuidade na educação. Então o universitário precisa fazer uma base sólida e saber que ele vai ter que continuar na competitividade do mundo de hoje, na dificuldade que ele vai encontrar no mercado de trabalho, ele tem que ser muito competente. Para ser competente, tem que ter uma grande formação, essa formação ele deve obter com o seu esforço pessoal, deve cobrar da sua instituição de ensino.
Não queira ser universitário só para ter um diploma, procure aproveitar cobrando da sua instituição de ensino, dos seus professores qualidade de seu aprendizado.

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Um grande projeto seu, ainda não realizado?
Dr. Luiz Carlos Borges da Silveira
Nós estamos no estado do Tocantins realizando um trabalho na área de ensino a distância. Eu acho que o futuro do Brasil é isso. Acho que o que eu puder fazer pelo ensino no Brasil, ou dar a minha contribuição para acrescer ou participar de um processo que possa levar o conhecimento e a informação aos brasileiros de todos os rincões dessa pátria, esse é um projeto que me realiza.

• Opinião

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Um país exemplo, em qualidade de vida. Por quê?
Dr. Luiz Carlos Borges da Silveira
Tem alguns países, mas o Canadá, na minha opinião, é o que oferece a melhor qualidade de vida à sua população, apesar de ter um inverno extremamente rigoroso, a qualidade de vida do canadense é muito grande. O governo é mais liberal, mas atua naquilo que precisa atuar, para dar condições e qualidade de vida à população.

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Cite o nome de 03 brasileiros que Senhor homenagearia. Por quê?
Dr. Luiz Carlos Borges da Silveira
Eu citaria os não tão antigos, Getúlio Vargas, pelas leis trabalhistas que ele instituiu, na época foram importantíssimas, além disso, a Petrobras, a Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda. Getúlio Vargas foi um grande brasileiro, um grande Presidente, polêmico sem dúvida, como todo líder é polêmico, mas prestou um serviço importante para o Brasil.
Citaria depois, Juscelino Kubistcheck pela fase desenvolvimentista para nosso país. Um homem que acreditou, enfrentou polêmicas, foi criticado na época, pode ter tido erros, mas sem dúvida nenhuma o seu slogam “50 anos em 5” ele conseguiu fazer no Brasil.
Também citaria Tancredo Neves, pela sua sapiência política, pela sua capacidade de aglutinação e eu convivi bastante com ele. Conheci sua honestidade, um homem que exerceu durante 50 anos a política, vários ministérios, vários governos e nunca teve qualquer coisa que pudesse se dizer em termos de desonestidade. Além disso foi um grande conciliador, um homem que uniu o Brasil na recuperação da democracia.

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O Brasil é um dos 10 países que mais navega na Internet do planeta, é o 2º que mais cresce em usuários. Como o Sr. vê esta aplicação na vida do ser humano do terceiro milênio?
Dr. Luiz Carlos Borges da Silveira
Eu acho que a internet é a informação, a atualização, a facilidade. Hoje você conhece qualquer coisa do mundo, em qualquer setor entrando na internet. Isso talvez, foi o maior avanço tecnológico que aconteceu. Fico feliz quando vejo que o Brasil, considerado em desenvolvimento, com grande número de pessoas analfabetas e semi-analfabetas e hoje, está nesta condição, então você vê a ânsia do brasileiro em ser informado, eu acho que isso é muito importante.

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O que significa o Estado do Paraná em sua vida pública?
Dr. Luiz Carlos Borges da Silveira
Significa tudo. Sou da Lapa, a cidade talvez mais tradicional do nosso estado, uma cidade histórica, legendária, o heroísmo dos seus habitantes que defendeu a Federação em 1894, cidade tradicional. Morei em Curitiba por muito tempo, depois fui para o sudoeste do Paraná onde fui 15 anos médico, médico da saúde pública, dono de hospital, médico clínico geral que atendia toda a população. Então conheço muito bem o Paraná e todos os seus municípios. Fui eleito Deputado Federal com 32.000 votos em 1978, em 1982 fiz 60.000 votos e se repetiu em 1986 também. Na verdade o Paraná representa politicamente tudo para mim.

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O que o Senhor espera de melhor para o planeta Terra neste milênio?
Dr. Luiz Carlos Borges da Silveira
Eu espero mais amor entre os homens, mais compreensão, acho que nós precisamos mudar, estamos indo por um caminho muito perigoso. O que está faltando é isso - acreditarmos mais num ser superior e naquilo que ele pregou sempre, o amor entre os homens. É isso que nos diferencia dos outros animais e nós não podemos continuar como estamos hoje. Nós vivemos hoje num país como o Brasil que, ainda dentro desse aspecto, é melhor que os outros; mas que já está caminhando para uma violência descabida, para um ódio inusitado, isso pode melhorar. Eu espero! melhorando isso, melhora o mundo para todos.

Portal NetBabillons, 20 de Janeiro de 2002.

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Homenageado
Dr. Luiz Carlos Borges da Silveira
Médico, Ex-Ministro da Saúde e Empresário