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Homenageado
Reinhold Stephanes
Economista e Ex-Ministro

Perfil

Reinhold Stephanes nasceu na divisa de União da Vitória com Porto União em uma pequena comunidade rural no Estado do Paraná. Economista formado na Universidade Federal do Paraná, especializado em administração pública na Alemanha foi Deputado Federal, Ministro da Previdência e Assistência Social por duas vezes e Ministro do Trabalho e da Previdência Social. Filho de agricultores, gente humilde do campo estudou em escola rural, essa origem lhe deu condições de conhecer profundamente as dificuldades da lavoura. Muito jovem ainda Stephanes foi viver em Curitiba onde cursou a Escola Técnica. Como primeira profissão foi sapateiro, logo entrou para o exército, serviu 5 anos. Formou-se em economia e fez concurso para o Governo do Estado do Paraná, foi aprovado como técnico em programação orçamentária. Assim Reinhold Stephanes iniciou a sua vida pública, uma carreira coroada de êxito, um homem público que é citado como referência nacional de justeza, bom carater e notável perseverança em prol do povo brasileiro.

Entrevista

Portal NetBabillons
Ministro Stephanes, o Sr. é natural de onde?
Reinhold Stephanes
Sou nascido na divisa de União da Vitória com Porto União, em uma pequena comunidade rural.

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Quando e onde o Sr. iniciou sua jornada política? Espelhou-se em alguém?
Reinhold Stephanes
Na verdade já comecei na vida estudantil, como líder estudantil, ocupei várias posições de lideranças, inclusive presidência de diretório acadêmico. Depois mais tarde iniciei como técnico profissional, toda uma vida profissional e cursei pela Previdência Social exatamente o antigo INPS. Após isso comecei novamente a me dedicar a vida política, fui candidato a Deputado Federal pela primeira vez e acabei fazendo a segunda maior votação do estado, foi uma surpresa naquela ocasião, já que eu não tinha nenhuma vez militado em cargos eletivos. Me espelhei muito em duas pessoas, que foram dois primeiros treinadores do setor público, que me ensinaram muito, foram Antonio Alves Oliveira Neto, diretor do orçamento do Estado do Paraná e foi diretor do orçamento do Brasil durante muitos anos e também Ivan Prefeito de Curitiba-PR, na época, uma pessoa extremamente correta e dedicada que me ensinou bastante e até uma terceira pessoa que quando eu comecei na vida pública, ele era Secretário de Educação do Estado, Véspero Mendes, eu acho que era uma outra figura extraordinária na administração pública do Estado do Paraná.

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Ministro Stephanes fale sobre sua família e como fica com uma agenda tão atribulada?
Reinhold Stephanes
A gente tem que tomar algumas opções na vida; quem exerce alguma função pública e efetivamente se dedica a essa função, acaba de uma forma ou de outra prejudicando o tempo que tem disponível à família; mas de qualquer forma termos uma boa disciplina e darmos qualidade ao tempo de nos dedicarmos a família, eu acho que isso ajuda bastante. Tenho 4 filhos e todos foram criados nesse ambiente, eu digo, que tive sucesso na criação dos 4, todos eles hoje são bem situados como profissionais, como pessoas formadas, como cidadãos e atuam hoje cada um na sua área, eu acho que não obstante essa necessidade de dedicação a atividade pública e as vezes, a ausência na família isso não criou nenhum obstáculo claro, que houvesse uma diminuição na qualidade de vida, de entendimento na família e na criação dos filhos.

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Ministro Stephanes, o Brasil é o maior país em extensão territorial para projetos de agricultura. Por que este gigante não lidera as exportações mundiais de produtos agrícolas?
Reinhold Stephanes
Primeiro não é toda a área do Brasil que é disponível para a agricultura. Só a área que nós temos chamada de Amazônia Legal já ocupa mais da metade do Brasil e não é uma área disponível, temos outras áreas que não estão em condições de produtividade. Mas de qualquer forma temos vantagens comparativas muito grandes, áreas muito boas, temos vários climas ao mesmo tempo, então você pode plantar frutas numa área do Brasil, caso não possa, então se inverte o esquema, pela extensão do território brasileiro. Mas a principal questão nossa de exportação de produção em escala maior e exportação depende muito de mercado, de preço, eu diria que se nós tivéssemos um mercado fora, franco, um mercado aberto, o Brasil poderia produzir muito mais e com certeza produziria muito mais, até porque o Brasil tem uma produtividade elevada, uma série de tipos de produtos. Só que os produtos agrícolas que são produzidos nos Estados Unidos e na Europa são subsidiados, então nós temos certa dificuldade de competir com esses produtos, uma razão é essa; não produzimos mais por falta de preço no mercado, outra também é porque os outros países do mundo produzem bastante, os Estados Unidos tem esse excedente de produção, a Europa também, a maioria dos produtos tem excedente de produção. É claro que o Brasil também está se especializando em alguns produtos, principalmente em fruticultura onde o mercado é bastante aberto. Mas de qualquer forma eu acho que o Brasil vem crescendo e se desenvolvendo dentro das possibilidades do mercado internacional.

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Ministro, o Sr. como defensor da Reforma do Poder Judiciário, quais medidas crê que sejam imprescindíveis para vivermos um estado de dignidade e justiça?
Reinhold Stephanes
A questão do judiciário como outras reformas do Brasil vêm sendo debatidas e muito discutidas. Evidentemente que uma justiça que não possa ser feita com rapidez, ela perde grande parte do seu efeito e até de sua necessidade. Eu diria que é uma atividade muito complexa, muito difícil; nossas reformas já teriam sido feitas, se fossem tão fáceis como, as vezes, as pessoas imaginam. Mas por outro lado, eu também diria que nós temos cabeças suficientes, pessoas com conhecimento suficiente para elaborar uma boa reforma. O que nós precisaríamos era escolher as melhores cabeças que temos no Brasil nesta área, dentro do próprio judiciário, mas não só em termos de legislação, em termos de leis, como também de procedimento e até em termos gerenciais; porque não adianta termos um bom sistema, que seja mal administrado. Então, nesses três enfoques: na questão das leis, na questão da estrutura e na questão do gerenciamento. Montar efetivamente um projeto para o Brasil nessas três áreas, depois submeter esses projetos ao Congresso, eu acho que o grande erro que se comete hoje é imaginar que o Congresso possa produzir uma reforma. A reforma tem que vir tecnicamente, bem elaborada e consistente para depois ser submetida ao Congresso, porque lá nós temos mais de 500 deputados e mais de 80 senadores onde cada um tem um pensamento diferente, o que é natural dentro da democracia, por isso ele é o Congresso, por isso é o Parlamento, é uma das questões que se discutem, então lá é muito difícil surgir um projeto bem consistente e anônimo.

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Ministro o que a saúde do brasileiro está precisando emergencialmente, neste início de terceiro milênio?
Reinhold Stephanes
Eu acho que precisa mais de dinheiro, de recursos. De forma geral o Brasil tem construído um sistema de saúde descentralizado, acho que é um sistema de saúde razoável, que vem evoluindo bastante nos últimos 10 ou 15 anos. Agora precisa de dinheiro, recursos, até porque estamos gastando cada vez mais. Além do sistema que atendia a população no passado, hoje nós temos também uma mudança no perfil da população, temos cada vez mais pessoas idosas no Brasil, vivendo mais tempo, que necessitam de um atendimento médico cada vez maior.
Então o que há necessidade dentro do setor saúde do brasileiro, neste momento, é fundamentalmente aumentar os recursos.

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Ministro Stephanes o Sr. já participou de vários governos com cargos de importância maior, quais os projetos que o Sr. mais gostaria de ter efetivado e que não conseguiu?
Reinhold Stephanes
Eu participei do Governo a nível estadual, já fui Secretário da Agricultura junto com o então Governador Nei Braga, acho que foi um trabalho muito interessante, importante em termos de agricultura no Paraná, foram 4 anos que pudemos aplicar a experiência que tínhamos adquirido antes, já tinha trabalhado no Ministério da Agricultura. Depois trabalhei no Governo Geisel, como Presidente do antigo INPS e INAMPS, mais tarde no Governo Collor e finalmente no Governo Fernando Henrique Cardoso.
Acho que a maior dificuldade foi de se fazer uma reforma previdenciária no Brasil que fosse mais justa, mais equitativa, acabasse com os grandes privilégios e procurasse entender um pouco melhor as pessoas de mais baixo teto. Acho que foi aí onde tivemos muitas dificuldades, porque as pessoas que tem privilégios dificilmente querem abrir mão deles, e se fazer uma reforma prejudicando ou retirando privilégios de algumas pessoas cria-se uma reação muito grande, não necessariamente naqueles que são beneficiados, esses saberão que vão ser beneficiados e ajudarão nessa luta da mudança desse papel que existia anteriormente. Mas acho que de qualquer forma muita coisa pode ser feita principalmente dando garantia e certeza que no futuro teremos dinheiro para pagar as aposentadorias, para aqueles que estão aposentados e para aqueles que vão se aposentar lá na frente.
O meu grande desejo é ter uma previdência mais justa e melhor distribuída para todos e nisto ainda não conseguimos chegar.

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Dos projetos que conseguiu efetivar enquanto Ministro, quais o Sr. cita com orgulho?
Reinhold Stephanes
Inegavelmente seria o combate a corrupção; nós conseguimos em nosso período demitir centenas de funcionários que tinham participado de atos ilegais de corrupção, conseguimos prender juízes, advogados; se fez um trabalho muito grande, não só em punir aqueles que tinham feito coisas erradas, como principalmente estruturar o sistema que evitasse que essas que coisas voltassem a se repetir. Hoje dentro da Previdência Social não é mais possível fazer grandes esquemas de corrupção, podem haver pequenos desvios e mesmo assim os mecanismos vão acabar detectando isso. Acho que esse foi o grande mérito eliminar, em grande parte, a corrupção que existia, punir os culpados e procurar criar sistemas que prevenissem a possibilidade de novos desvios e atos de corrupção no futuro.

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Considerando que as Universidades Federais de todo o Brasil estão superlotadas, sabe-se a necessidade de haverem novas instituições de ensino gratuito. Por que o Governo não tem investido em novas Universidades, visto que é o que a iniciativa privada vem fazendo com o estudo pago?
Reinhold Stephanes
O Governo não tem investido porque não tem dinheiro para investir; porque a estrutura de gastos nossa está toda comprometida tanto a nível de Municípios, como a nível de Estado e a nível de União. Sobra pouco dinheiro para outras atividades, ou para reforçar atividades importantes como a educação, saúde, justiça e segurança que são questões básicas e fundamentais. Acho que a questão básica é a falta de recursos e por outro lado o Governo priorizou o ensino básico, o ensino técnico, o ensino profissional, então não teve mais recursos para atender a todas essas necessidades. Novamente nós caímos na questão fundamental que é a questão de recursos.

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O que representa o Estado do Paraná em sua vida política?
Reinhold Stephanes
No Estado do Paraná eu me desenvolvi, eu cresci no Estado, aprendi aqui, vivo aqui. O apoio político em todas as eleições foram do Estado do Paraná. É o Estado onde os meus filhos trabalham e onde cresceram, é o meu lar, o meu fundamento e parte da minha existência pessoal e política.

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Fale sobre um de seus momentos políticos mais emocionantes? Por quê?
Reinhold Stephanes
Toda a vida de um político, desde que ela seja uma dedicação naquilo que se faz, fazer política com seriedade e ética, gostar daquilo que se faz, é emocionante em todos os momentos, a gente participa de vários atos, de vários momentos importantes da nação. Eu como Secretário participei de alguns Governos do Estado, como Ministro participei de 3 Governos na República, participei de muitos atos importantes que aconteceram no Brasil, inclusive no impeachement do Collor, eu era Ministro do Collor naquele momento.
Eu diria que dois momentos foram muito importantes - um momento foi mais recente, quando no Governo Collor os Ministros se reuniram, dos quais eu fazia parte, e nós resolvemos continuar governando o país independente do Presidente, já que a presidência estava em crise naquele momento e o processo de impeachement durou muito tempo. Naquele momento os Ministros tinham que administrar o país e não se deixar contaminar pelas questões políticas que estavam surgindo paralelamente, acho que esse foi um momento muito importante, onde pudemos dar uma grande contribuição ao país, até que a população nem sentiu isso, o Governo continuou apesar de estar dentro de uma grande crise. Eu diria que teve um momento anterior a isso, quando resolvi me candidatar pela primeira vez a Deputado Federal, eu era profissional, era um técnico. Na época fui conversar com o Prefeito de Curitiba, disse que me candidataria e ele me disse: "Você não tem perfil para isso, você não é político, você é um técnico, um profissional, você não vai ter sucesso, até porque você não tem jeito para isso". Eu acabei mesmo assim me candidatando, dentro de uma opinião: acho que todas as pessoas de uma sociedade devem participar de uma forma ou de outra do processo político, ou participa elegendo, escolhendo pessoas, ou participa ajudando a escolher pessoas, no sentido de participar mais efetivamente no processo, ou ocupa o seu próprio espaço dentro deste universo, ou seja, é candidato.

Foto: GMG
Reinhold Stephanes é um exemplo vivo de brasilidade politicamente correto, pertence a linha dos justos que pensa no povo, faz o melhor para o povo. Um progressista acima de tudo.

Eu achei que contribuíria mesmo como técnico, como profissional, ao invés de ficar falando mal da classe política, deveria participar e a minha forma de participar foi ser candidato. Para surpresa de todos na época, fui o segundo mais votado do Paraná, para mim foi um momento bastante importante.

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Descobre-se que hoje é imprescindível a participação feminina nos projetos de campanhas políticas. Como o Sr. vê tudo isso?
Reinhold Stephanes
A mulher inegavelmente vem ocupando seu espaço, tanto na área comercial, na área industrial, na direção de empresas, no setor público, hoje a maioria das chefias já são ocupadas por mulheres, acho que isso vem de um processo natural. Dentro de alguns anos nós vamos ter mais candidatas, e mais candidatas principalmente com sucesso, mas isso dentro em um processo que já vem acontecendo em outros setores, em outras áreas da vida profissional e das atividades sociais.

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Curitiba, no Estado do Paraná é considerada nacional e internacionalmente como cidade modelo. Como foi para o Sr. ter participado do Plano Diretor desta cidade?
Reinhold Stephanes
Isso foi praticamente no início da minha carreira, da minha vida pública, eu fui selecionado dentro de uma equipe muito restrita, que iria trabalhar em conjunto com a empresa Serepe de São Paulo, coordenado pelo grande arquiteto brasileiro que era o Jorge William, que foi Secretário do Planejamento do Estado de São Paulo, também Secretário da Prefeitura do Estado de São Paulo, é considerado um dos grande nomes do urbanismo no Brasil. Eu era bastante jovem, recém formado; acabei participando da inauguração do plano diretor de Curitiba, o primeiro plano que deu origem ao IPUC depois. Isso foi muito gratificante por um lado e por outro lado me ajudou muito a aprender, lógico que eu já tinha uma graduação básica, já estava com uma pós-graduação, mas isso me ajudou a aprender muito porque eu comecei a trabalhar com pessoas com larga experiência em termos de desenvolvimento de cidades e de planejamento urbano como chamavámos na época.

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Cite o nome de um cidadão brasileiro acima de qualquer suspeita, que tenha feitos nacionais?
Reinhold Stephanes
Acho que no Brasil temos muita gente boa, o problema é que nossa imprensa divulga mais aqueles que cometem erros, deslizes, determinadas faltas ou questões mais graves. Mas acho que o Brasil tem muitas pessoas desde as anônimas que ajudam a construir o Brasil, que são milhões de brasileiros, até as pessoas que se sobressaem no cenário nacional, como Antonio Ermírio de Moraes, que é uma pessoas extraordinária, eu diria até que o Fernando Henrique Cardoso é uma pessoa extraordinária. Ele tem muitas dificuldades para administrar o país, não faz aquilo que, as vezes, todos nós queremos ou aquilo que ele gostaria de fazer, mas dentro daquilo que ele pode fazer, eu o considero uma pessoa extraordinária.

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Mulher exemplo de cidadania no Brasil?
Reinhold Stephanes
Novamente temos tanta gente para citar, mas eu diria que pela discrição hoje, a primeira dama do país, a Senhora Ruth Cardoso, como professora, como antropóloga, enfim toda a história dela e até pela forma discreta com que ela trabalha e ajuda o Presidente a administrar o Brasil, ela é um exemplo. Uma outra mulher que faz um trabalho extraordinário aqui no Brasil e pouco aparece é a irmã do Airton Senna, Viviane Senna, através da fundação dela, é uma mulher extraordinária e especial..

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Na gastronomia o Ministro tem preferência por quais pratos?
Reinhold Stephanes
Não tenho uma preferência especial, mas é claro que a gente gosta de um bacalhau, de um peixe, de uma peixada bem preparada, em determinados momentos de uma boa feijoada, de um carneiro bem feito. O Brasil tem uma gama muito grande, uma variedade muito rica de comidas, então não tenho nenhuma preferência em especial.

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A fé e Deus estão em que plano na sua vida?
Reinhold Stephanes
Toda pessoa tem que acreditar em alguma coisa, toda pessoa tem que acreditar em Deus, independente de religião. Eu acabei sendo batizado, por circunstância de família na Igreja Luterana, porque a mãe era luterana e o pai era católico, então fui batizado nas duas. E fui seguindo até uma certa idade a Igreja Luterana, depois, mais tarde me casei com uma mulher católica, meus filhos foram batizados na Igreja Católica. Eu acho que quem dá mais religião aos filhos normalmente é a mãe, que tem sempre a capacidade de dedicar mais a formação espiritual dos filhos. Acabei seguindo a Igreja Católica, então acho que é importante que toda pessoa siga uma determinada religião, que tenha fé e acredite.

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Ministro Stephanes, se o Sr. viesse a dirigir esta grande nação, qual seria a sua linha de raciocínio na questão administração e povo?
Reinhold Stephanes
Eu volto a uma colocação que fiz anteriormente, acho que o Brasil tem pessoas especiais, excepcionais em todas as atividades, em todos os setores.
Acho que a primeira questão de um governante é saber escolher quem vai ajudá-lo a governar e dentro deste universo encontrar as melhores pessoas, para ter efetivamente uma equipe, porque administrar um país não é questão de uma pessoa, é uma questão de conjunto.
Algumas reformas devem ser feitas para que a representatividade do povo junto aos poderes legislativos, no caso da Câmara Federal e o Congresso Nacional também melhorasse de qualidade, aí você precisa de uma reforma política para que pessoas possam ser melhor escolhidas. Fora isso eu nunca vi muita dificuldade naquilo que fiz, porque desde que fui escolhido para ser Secretário da Fazenda, com apenas 25 anos de idade, no município de Curitiba procurei executar minha função e acho que executei bem. Depois, logo em seguida, fui dirigir a Previdência Social do Brasil inteiro, na época estava com trinta e poucos anos. Sempre simplifico um pouco as coisas, evito complicar, mas sempre dentro dessa idéia, ou seja, de escolher as melhores pessoas para me ajudarem nesses trabalhos. Não é difícil desde que a gente adote profissionalismo, adote seriedade, adote ética, escolha as melhores pessoas. Temos que compreender que governar uma nação com 170 milhões de habitantes com as mais variadas culturas interagindo nesse país, com as mais variadas condições regionais, quer dizer: o Amazonas é um país, o Nordeste é um outro país, o Sul é outro país. Onde existe por um lado muita riqueza sendo produzida, por outro lado muita marginalização, muita pobreza existindo, é um país complexo, é um país difícil, enfim não se consegue resolver os problemas em uma administração pública, mas acho que um país que consegue ter de um a cinco presidente seguidos que executem bem a sua parte em governar o país, vai para a frente. Acredito muito no Brasil sobre esse aspecto.

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Ministro Stephanes, deixe uma mensagem para os Universitários Brasileiros?
Reinhold Stephanes
Eu acho que sou uma pessoa muito otimista, acredito e conheço o Brasil em praticamente todas as suas áreas e regiões, acho que é um belíssimo país, que vem melhorando sua situação social e econômica. O seu potencial começa a ser desenvolvido, acho que talvez em dez, quinze ou vinte anos, não num horizonte muito distante, o Brasil vai ser uma país muito mais justo, muito mais desenvolvido do que hoje, até porque os seus fundamentos demonstram isso, que ele caminha nesta direção. Então minha mensagem é de muito otimismo e pedindo que todas as pessoas, como cidadãos, participem desse processo do desenvolvimento do país. Eu diria que até nessa questão de cidadania o Brasil evoluiu muito, se olharmos o que uma pessoa pensava há dez anos atrás em relação a sua participação, o seu direito, as suas obrigações, nós vemos que houve uma evolução muito grande. Como exemplo o Código do Consumidor foi uma introdução extraordinária no país, onde o cidadão passou a ver que tem direitos, e assim por diante, poderia citar uma séria de exemplos, de coisas positivas que vem acontecendo no país apesar dos grandes problemas que ainda temos que enfrentar.

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Um filme que mais gostou e porquê?
Reinhold Stephanes
Eu gosto muito do filme "Tema de Lara" acho que retratou uma situação de época na Rússia, da revolução russa muito interessante, faz a gente refletir muito principalmente sobre o aspecto humano.

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Ministro Stephanes, o Sr. é favorável que num futuro próximo haja a exigência que para ser político, o cidadão tenha que ter um diploma universitário oficial sobre política, ou um curso graduado de equivalência?
Reinhold Stephanes
Isso é muito discutível, as pessoas acham que para ser político, para exercer uma função política, você tem que ter um determinado nível intelectual, uma certa formação, mas outros acham que isso não seria democrático. Porque, as vezes, pessoas com pouca formação tem uma sensibilidade muito grande, são capazes de entender uma situação ou determinadas circunstâncias, ao passo que outras pessoas altamente formadas acabam nos decepcionando, aplicando mal o conhecimento adquirido. Eu acho que a democracia em princípio não deve exigir uma formação sobre esse aspecto; ela deve exigir a seleção natural do povo em escolher as pessoas que devem governar, administrar, enfim, participar de todo o processo político do país. O fundamental seria formar melhor a população para que ela possa escolher melhor e criar mecanismos mais transparentes para que todos tenham acesso as informações necessárias para uma boa escolha.

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Sabemos que as Redes de TVs Nacionais suprimem a identidade regional das culturas brasileiras. Que importância o Sr. vê nas TVs regionais?
Reinhold Stephanes
A importância é fundamental, porque as TVs nacionais e o exemplo está no Brasil praticamente impõem uma cultura, um linguajar, enfim, praticamente elas impõem tudo, de cima para baixo a nível nacional. Tanto que uma novela produzida no Rio de Janeiro logo gera costumes no interior do Acre, no interior do Rio Grande do Sul, com uma velocidade extremamente grande. E nem sempre as TVs são um padrão de educação, um padrão que deve servir de referência a todos nós.
Então a TV regional sob este ponto estaria menos contaminada, estaria vivendo mais uma vida local, estaria mais de acordo com a cultura de cada região, de cada população.

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Ministro Stephanes, no que o Brasil precisa investir mais, para que possa passar para a lista dos países de Primeiro Mundo, na sua opinião?
Reinhold Stephanes
Hoje temos questões básicas e fundamentais dentro do país, que deve ser a preocupação de qualquer pessoa que milita dentro da atividade pública, ou até de qualquer cidadão: é a questão do emprego, criar condições para geração de empregos, isso precisa de uma série de tipos de investimentos em termos de infra-estrutura que possam ajudar a gerar empregos. Outra questão fundamental é a segurança, hoje isso também preocupa qualquer cidadão dentro do país; depois vem aquelas questões clássicas, mais investimento na saúde, na educação que é prioritária, saneamento básico, alimentação e até moradia que é uma questão básica. Acho que ainda temos um leque muito grande de necessidades de investimentos no país.

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Ministro, o que significa nos dias de hoje a Internet como um todo, na vida do cidadão do terceiro milênio?
Reinhold Stephanes
Cada vez mais a comunicação através dos meios eletrônicos passa a ser bastante importante, o uso dos meios eletrônicos, embora isso ainda esteja disponível para um determinado grupo de pessoas, isso não está disseminado no Brasil em todas as faixas, mas isso com o tempo vai acabar, sem dúvida nenhuma é um ponto importante. Mas também não chega ao ponto, que muitos acham, que vai chegar a substituir o ensino. O ensino vai continuar em grande parte nas salas de aula, sendo acompanhado pelo professor, a internet vai ser um instrumento auxiliar.

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Portal NetBabillons, 09 de Julho de 2002.

 

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