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Homenageada
Nelida Piñon
Jornalista, Romancista, Escritora e Professora
Imortal da Academia Brasileira de Letras

Perfil

Nélida Piñon, uma Brasileira muito especial, como poucas e tantas outras Mulheres de Vanguarda; Nélida é uma estrela maior que cintila forte no mundo feminino, algo cósmico, próprio das Divas, isso faz com que todo o seu potencial seja destacado, criando uma fecundidade literária cuidada e continuada.
Nélida Piñon - Jornalista, Romancista, Contista, Professora, carioca de Vila Isabel, Rio de Janeiro, nascida em 3 de maio de 1937, eleita em 27 de julho de 1989 para a Cadeira N° 30, sucedendo a Aurélio Buarque de Holanda, foi recebida em 3 de maio de 1990, pelo acadêmico Lêdo Ivo. Foi a primeira Mulher em mais de 100 anos de existência da ABL, a integrar a Diretoria e ocupar a Presidência da Casa de Machado de Assis, no ano do seu 1°Centenário.
Provindo de sua Literatura, marcante também são suas Palestras, envolventes e que margeiam o patamar do virtual e imaginável, levando platéias a nortear as suas fabulas com cenários cinematográficos fantásticos; Nélida é assim, surpreendentemente eloqüente.
Nélida em sua Contemporaneidade Literária ascendente, dignifica a Mulher Brasileira e o Brasil em suas Obras, onde cria uma nova macro vitrine do comportamental humano explícito, vezes por drama, política ou sobre as emoções do cotidiano dos racionais.
Produz Livros que são traduzidos para a Espanha, Estados Unidos, Alemanha, Itália, Cuba, União Soviética e Nicarágua. Seus Contos são publicados por diversas Revistas e fazem parte de Antologias Brasileira e Estrangeira.

Foto: GMG
Quando de sua estada na histórica e turistica São Francisco do Sul, a Escritora Nélida Pinõn concedeu Entrevista Exclusiva ao Diretor do Portal NetBabillons, Eros Damiam Pereira.

Entrevista

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Nélida o Brasileiro está lendo mais neste princípio do 3° Milênio?
Nélida
Bom dia! É um Prazer estar com vocês, eu não saberia dizer com certeza, a gente sempre tem a esperança que sim, pelo menos aumentou o número de publicações no Brasil, hoje tem grandes Editoras que cobrem o mercado Brasileiro e Internacional, estamos progredindo, mas ainda não na medida desejada, da maneira que o Brasil precisa para crescer realmente.

Foto: GMG
A
Jornalista, Romancista, Escritora e Professora Nélida Pinõn é uma pessoa extremamente carismática e culta, o que encanta os mortais a sua volta.

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Como foi a infância de Nélida Piñon?
Nélida
Sabe que tive uma infância que considero muito feliz! porque sobretudo fui muito amada, e quando você é amada, você se lança à vida com audácia, você tem referências muito fortes e minha família, meus pais sobretudo me estimularam à aventura, fui uma aventureira desde menina, aventureira na imaginação, nos desejos e depois na vida e me adaptaram com carícias, com livros, com oportunidades magníficas e sobretudo quando eu tinha 10 anos, foi um grande marco na minha vida, definitivo, fui levada com meus avós Daniel e Amália e com meus pais Lino e Carmem para a Galícia, na Europa e viajei por vários países, nós ficávamos nas aldeias, então tive vida de camponesa, de algum modo, ninguém imagina que eu tive este tipo de vida, enfim pela maneira do meu ser e pela experiência que fui adquirindo ao longo dos anos. Eu vivia na montanha, levava o gado, as ovelhas, enfim, meu pai me deu um cinturão com uma sacolinha de couro, onde tinha um canivete, porque ele achava que as pessoas não podiam viver sem canivete e levava também frutas, pão preto, um pão integral daquela época, um tipo de pão que havia e um pedaço de presunto, famoso jamón espanhol. Eu ia sozinha, me impressiono como estes pais tradicionais, amorosos me deram o dom da liberdade porque ia sozinha para a montanha com um cajado e lá ficava horas, desenvolvi o gosto da solidão, mas a solidão desejada e não a solidão que nasce do repúdio e lá ficava ouvindo o vento norte que se chamava Aires Norte e o ruído do vento se confundia com os uivos dos lobos que naquele tempo existiam muitos, então eu vivia em estado de graça, subia em árvores, fazia o que queria, me lançava nos rios, que achava que era rio de verdade, hoje adulta vejo que é um riachinho modesto, naquele tempo para mim, que prazeroso era um rio! Junto com uma amiga querida de infância deste período, Galil, que revi há pouco, já mulher feita, como eu, foi um encontro muito feliz, fomos responsáveis pela morte de um bode lindo que mais parecia um animal mitológico da Grécia, então tudo isso ficou marcado para sempre. Também tem as idas minhas para São Lourenço, que é no Sul de Minas com a família toda reunida, ainda digo que até hoje São Lourenço é a minha caixa de memórias, então respondendo a pergunta para não me alongar excessivamente: acho que tive uma infância muito feliz.

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Em sua opinião porque o Governo Brasileiro não faz uma Campanha Nacional contínua do Livro nas escolas, ruas, locais públicos de grande tráfego, direcionando até mesmo uma baixa no custo dos livros?
Nélida
Acredito que não é o Governo de hoje, mas sim todos os Governos, eles nunca tiveram como meta a Educação, eu acho que a Educação não foi prioridade brasileira, ou seja, a Sociedade Brasileira no seu todo, incluindo o Poder, acreditaram que a Educação não era essencial para o brasileiro, eles acreditavam que o modelo econômico nasceria do nada, das máquinas, nasceria do investimento, mas ocorre que investimento, dinheiro, tudo isso sem educação, você navega equivocadamente. Bom, isso é importante que se diga, está havendo um esforço inicial de isentar o livro de imposto, mas tudo isso demonstra uma boa intenção, mas não é uma campanha maciça que se entenda que ler o livro é um sustentáculo do pensamento. Um país não pode progredir realmente enquanto não incorporar toda a sua população ao saber, a cultura, a reflexão até porque sem isso nenhum operário poderá ler o manual, não pode entender como aquela máquina opera, não pode cobrar atitudes cívicas, porque não sabe como protestar, tem medo, é um ser intimidado. Nós não somos uma sociedade participativa, nós reclamamos, às vezes vamos para as ruas com as Caras Pintadas, são movimentos cívicos bonitos, mas não são permanentes. Nós somos, de algum modo, negligentes com a nossa história, então se você soma todos esses detalhes, que estou apenas passando ligeiramente por eles, o que você percebe é a ausência de Educação, de uma ideologia, ou que nome se queira intitular da Educação, sem a grande Educação e a Cultura não se pode realmente romper essa cadeia, prisão na qual estamos.

Foto: GMG
Nélida fala com muito carinho de sua família e de sua infância, onde pode desfrutar do gosto pela aventura, pelos livros, mas principalmente pelo sentimento de ter sido uma filha muito amada.

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Nélida como você vê a produção do Livro Digital, com a Tecnologia se expandindo tão fortemente pelo Brasil inteiro?
Nélida
Eu não sei se isso de verdade está acontecendo, porque vejo o livro em si. Quando você agarra um livro de verdade, você agarra a sua liberdade, sua solidão, suas prerrogativas maiores; ao meu juízo não vejo o livro na tela do computador, você lê, tem acesso as informações, mas o prazer de ler advém muito do objeto. Nós somos seres humanos e temos nossos fetiches, nossos símbolos, o livro tem um poder extraordinário, você agarra e vai para um cantinho e lê o que quer, você é dono único do instrumental que o livro requer, é o pensamento, é a adesão a sua realidade, o que livro lhe oferece é a emoção que você põe nas coisas, já não é o que se pode fazer na frente do computador, não vejo tanto, ao que eu sei, isso possa ser um sucesso extraordinário, não pegou ainda e nem creio que pegue. A toda hora decretam a falência, a morte do livro, e o livro se sustenta, o livro resiste ao longo dos séculos, é uma conquista irremovível dos horizontes humanos, é fantástico! Todo mundo quer fazer um livro, todo mundo lhe oferece um livro, quando você chega à casa de alguém a pessoa fala: olha o meu livro, olha o livro que ganhei, que escrevi, assine aqui, é uma coisa extraordinária não há como você não reverenciar o livro, o livro é um "Totem Sagrado".

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A Internet em sua Vida e Carreira Profissional trouxe quais benefícios?
Nélida

Cheguei muito tarde, meu o advento da Internet foi só em 1999; fui nesse sentido muito anacrônica, resisti muito, mas quando entrei, gostei. O que eu me enamorei da Internet foram os famosos e-mails; hoje em dia sou apaixonada pelos e-mails, eu adoro escrever, gosto de receber e sinto que de algum modo adquiri pela forma de se escrever os e-mails, um coloquial que eu não tinha, quer dizer, não tinha para as cartas, nunca fui uma correspondente boa, não gostava de cartas, dizia para alguns amigos: você é tão bem dotado nas cartas e eu era formal nas cartas, embora seja uma pessoa amorosa, agora estou sendo muito amorosa nas minhas mensagens, estou casando o que escrevo com o meu coração, foi um aprendizado para mim. Estou encantada agora, por exemplo, mandar os meus anexos pelo Mundo, aprendi, mas não faço pesquisa em relação aos afetos que se quer conquistar, de repente é interessante que se diga, veja-me na Internet sem dizer mais nada, sempre te ajuda.


Para a Escritora Nélida Pinõn o livro é um "Totem Sagrado", pois quando você agarra um livro de verdade, você agarra a sua liberdade, sua solidão, suas prerrogativas maiores.

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Por que no Brasil o Livro Custa tão Caro, considerando que aqui temos os maiores reflorestamentos do Mundo?
Nélida
Não acredito que a questão esteja nas árvores, no papel, acho que a questão é psicológica e sobretudo agora que estou pensando melhor, é porque as edições são muito pequenas, se a edição é pequena o custo é maior, se as edições fossem enormes o livro seria mais barato. Vão se repetindo os fenômenos que interditam a leitura, a pessoa alfabetiza-se mas quem se alfabetiza não quer dizer que entenda o que se está lendo, sempre digo que a música é milagrosa, você escuta primeiro, você trabalha ouvindo música, ou se você interrompe o seu trabalho para ouvir música não precisa entender de partitura, você não precisa entender como se constrói uma música, das claves de sol, fá, nada, você escuta e se emociona, mas o livro você agarra e lê porque você é alfabetizado, mas não entende nada, então é uma coisa tremenda, você tem que entender o mínimo que lhe permita assimilar, para o que você está lendo lhe de prazer, se você não entende o que está lendo, não tem o hábito da leitura, ler é impossível! Este é o grande drama e ao mesmo tempo quando você finalmente é educada para entender o livro. Queridos, nada é tão extraordinário quanto o Livro!
Há dois dias atrás, me pediram da Europa uma Campanha, não sei se é na Espanha que estão fazendo do livro "Me de boas razões para ler", eu percebi que tinha que fazer isso para estimular o jovem, então botei assim; que ler estimula a libido, exalta a fúria da carne, falei coisas assim, enfim e que te ensina à poética do amor e foi rápido para a Europa, porque eu não estou fazendo um jogo que falte verdade. É verdade! você é muito mais sedutora quando lê, você aprende com a Literatura coisas extraordinárias, a seduzir alguém, você é um ser muito mais interessante, muito mais bem sucedido, inclusive amorosamente.

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Nélida como é ser uma Imortal da ABL - Academia Brasileira de Letras?
Nélida
Eu entrei para a Academia levada pelo sentimento da memória; lembro que o Presidente Austregésilo de Athayde foi um grande Presidente da Casa, de nossa Instituição, porque eu não tinha tradição na Casa, não freqüentava a Academia, nunca demonstrei desejo de pertencer a ela, então quando afinal cedi ao Jorge Amado e a Ligia Fagundes Telles, que nós estávamos em Lisboa e me inscrevi; o Presidente Austregésilo me chamou: "Vem Aqui!" e disse: "Por que a Senhora quer entrar na Academia?" Aí eu me senti desafiada e disse: "Presidente eu não quero entrar na Academia pela Glória" mas sim pela "Memória que vocês podem me oferecer", mesmo porque Presidente se eu quiser a glória vou ganhar lá fora, na calçada, não aqui dentro, com os meus Livros na calçada é que vou ganhar e não dentro da Academia.
"Quero dizer que é uma Casa extraordinária, que congrega hoje e sempre os maiores nomes da Sociedade Brasileira, sem dúvida!"

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Você, como uma Mulher viajada diga qual o País pelo qual passou, que é Culto e mais Lê?
Nélida
Bom, as Estatísticas indicam o Estados Unidos, a França, enfim alguns outros Países da Europa, de verdade mais do que saber quem identifica o fenômeno humano com a Cultura, então nesse sentido, por exemplo, eu acho a França, um País muito fascinante em termos Culturais, é um País que ainda dá grandes Filósofos, grandes Pensadores, grandes Escritores, ou seja, o debate da cultura é muito natural. Eu passei, agora, dois meses em Paris e vendo a televisão é impressionante como há Programas assim de TV Aberta comum, discutindo questões que eu fiquei impressionada, porque nunca vi em nenhuma outra Rede de Televisão Internacional, ou seja, a maneira de ser do Francês no cotidiano é uma maneira inteligente de pensar, e por quê? Pela grande educação dos Institutos Franceses.

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Um sonho seu ainda não Realizado?
Nélida
Sabe, que nunca a minha vida foi programada; a única coisa não que eu programei, mas, que exaltei muito cedo era a Literatura, desde menina me auto-proclamava Escritora. Eu lembro que lá pelos 9 anos nós íamos para os hotéis e puxava o paletó do meu Pai e dizia: "Pai põe aí na minha ficha do Hotel que eu sou Escritora", meu Pai ficava um pouco assustado, mas ao mesmo tempo ele foi tão generoso comigo, eu dizia para ele colocar, mas nem sabia bem o que era ser Escritora, então esse foi o grande sonho desejado, era escrever. Eu me lembro, vou fazer uma confidência, minha mãe e eu estávamos em São Lourenço, então, quando você está em uma Estação de Águas, você percorre um Circuito das Águas, dos Cinemas, vai tomar um chazinho, então havia a pratica de visitar a Cartomante, minha mãe ia com as minhas tias e, eu disse: "Mãe, pergunte a Cartomante se irei publicar Livros?" Aí a minha mãe foi, ou ela ou a minha tia perguntou, não sei bem quem foi e quando voltou disse: "Não minha filha você não vai ser Escritora", fui a uma tristeza profunda, mas ainda bem que eu cancelei o vaticínio dessa Cartomante.


Desde criança Nélida tinha um objetivo definido ser Escritora e rindo diz: Ainda bem que não acreditei nos prenúncios de uma cartomante que minha mãe visitou.

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Como Jornalista, qual a sua opinião sobre o Jornalismo do Século XXI, no Brasil e no Mundo?
Nélida
Não sei se posso emitir uma opinião de forma mais categórica, mas eu acho por exemplo, gosto muito de certos Meios de Informação, que são muito bons. O que estou sentindo falta em certos Países e sobretudo, no Brasil é a "Grande Reportagem", eu sou fascinada pela figura do Repórter e hoje em dia o Repórter não é tão valorizado, como ele foi no passado. Hoje todo mundo quer ser Jornalista, emitir opiniões, fazer o Jornalismo opinativo quase ensaístico demonstrando as suas altas incumbências intelectuais, e me recinto daqueles homens e mulheres que iam para rua, iam para a floresta, iam para o mar, para onde fosse, para onde estava o drama humano e registravam esse drama, a que preço fosse e eu acho que hoje, todos nós estamos muito adestrados, muito domesticados e não domesticados no sentido do grego "domus" da casa, é uma rua falsa.

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Como Literata e Professora o que você acha que está faltando no sistema de Educação no Brasil?
Nélida
Meu Deus está faltando muito! Os Professores são muito heróicos, há pouco tempo fiz uma Conferência para 15.000 Professores, fui convidada em São Paulo num estádio e digo o que penso sobre a Educação, dentro do que sei e do que posso. Então, eu acho que o Professor é uma figura heróica e extremamente desvalorizada, portanto, como que você pode ter uma educação, em que o ser fundamental mítico da sociedade educacional não pode estar aparelhado, não tem auto-estima e tem salários miseráveis? É tão difícil você examinar a questão, a não ser que você a ataque em conjunto e que você entenda a sua profunda precariedade e que como eu lhes disse ainda há pouco, que adote uma postura política da sociedade como um todo, agora o momento fundamental do Brasil é a Educação, mas de verdade e não paliativo, paliativo não vai nos levar a nossa grandeza.

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Para você qual o Imortal mais Importante de toda a história da Academia Brasileira de Letras?
Nélida
Fácil...Fácil... Machado de Assis que foi um dos Fundadores, foi o Primeiro Presidente da Casa, morreu como Presidente, mas isso não é nada em relação a sua Obra. Eu acho e costumo dizer, vou me permitir que repita essa frase, digo sempre: "Se Machado de Assis existiu, o Brasil é possível, não há desculpa para o fracasso!" Machado de Assis é ao meu juízo o mais importante de todos os Brasileiros, sua Obra é Universal e se ajusta a todos os movimentos estéticos, cada tempo gera uma tendência estética, uma tendência interpretativa da Obra Literária e Machado de Assis com os seus textos corresponde a essas indagações novas que afloram nas mentes contemporâneas. Eu fico impressionada porque ele, a sua vida contraria o seu pessimismo, porque você vê no Dom Casmurro, ele prega o determinismo, a Capitu não é condenada no final, ela é condenada no início da narrativa do Bentinho, então, quando ele demonstra ser essa criatura pessimista, determinista na Obra, ele de certa forma tinha um grande desprezo pelo ser humano, uma desconsideração pelo humano, não uma desconsideração moral, mas uma descrença o melhor dito; ele na sua vida desmente isso, tinha todos os inconvenientes, pobre, mulato, autodidata, doente e este homem chegou a ser já em vida, o Escritor mais importante
do Brasil, seu enterro foi um enterro importante, a sua vida. Como é possível ele ter chegado a essa síntese, essa essência do pensamento a "Obra do Machado" é pautada não só pela grande inteligência criativa, mas é um texto culto, você vê, por exemplo, Esaú e Jacó que é um romance muito pouco lido, é um romance ao meu juízo, político, ele que era acusado de ter sido um pouco omisso, o que é uma bobagem, porque a Literatura não é omissa, a Literatura é um compromisso com a vida de que ponto de vista seja, então no Esaú e Jacó, por exemplo, você vê uma personagem como a Flora, nela se concentram virtudes extraordinárias, é uma das poucas personagens de Machado cuja alma se salva. Você vê comparado um pouco a Goethe, o eclesiástico na presença dele, o Sterne, o Pascal, só que é muito interessante o grande Pascal, pensador Francês tinha um extraordinário consolo, porque Pascal acreditava em Deus e Machado de Assis não tinha o consolo da crença e da fé, porque ele não acreditava em Deus. Enfim, eu falaria de Machado de Assis horas e horas porque sou uma apaixonada e já fiz vários cursos sobre ele.

Foto: GMG
Nélida Pinõn é uma Mulher a frente de seu tempo, determinada, positiva e com muita alegria de viver abriu grandes espaços para a Mulher Brasileira, tornou-se a Primeira Mulher a ser Presidente da Academia Brasileira de Letras.

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Nélida como é ter sido a 1a. Presidente Mulher da ABL - Academia Brasileira de Letras?
Nélida
Olha foi uma experiência que eu diria extraordinária! Naquele momento não pensei que era extraordinária, porque trabalhei muitíssimo e não tinha tempo para pensar em mais nada, se não trabalho e até nem sei como foi que fiz um discurso, que até teve muita repercussão, que foi o discurso dos 100 anos quando houve a sessão solene e escrevi um texto que se chamava a "Paixão do Verbo" muito bem! Mas hoje, retrospectivamente, acho que foi muito importante para mim, não no sentido de ter dado mais prestígio, tive uma imprensa fantástica que cobriu todas as minhas atividades o ano inteiro, mas porque eu dizia antigamente, engraçado, dizia antigamente assim, começo o meu discurso de posse na Academia, dizendo: sou brasileira recente, porque sempre me achava recente no Brasil e não era com tristeza que dizia isso, mas com naturalidade, de verdade me sentia uma brasileira, que faltava sabe o quê? Uns trezentos anos do Brasil, tanto é que quando eu encontrava um brasileiro antigo não só de família, mas que sempre esteve aqui no Brasil olhava para ele para buscar uma contra-facção, para saber como saber como ele se comportaria diante de alguma coisa e como reagiria ao comportamento dele, eu tinha uma certa nostalgia de ser recente no Brasil. Depois de alguns anos já na Academia, sobretudo, me fez muito bem porque o meu trabalho era tão intenso, trabalhava com a língua, defendia a língua portuguesa, defendia a Academia, coisas que eu sempre fiz mas
de uma forma muito formal e muito intensa, porque falava quase todos os dias com a imprensa, e nas palestras também, muito bem; então fiquei pensando Nélida você é uma mulher muito antiga neste país e me dei conta que meu avô também não tinha chegado há tão pouco tempo, de repente mudou minha ótica, não posso dizer que sou uma brasileira recente, posso até fazer evocações do que pensei no passado, porque me sinto hoje uma brasileira antiga porque antes dizia, se sou recente não posso falar do Brasil do jeito que gostaria e ao mesmo tempo eu dizia porque sou recente, posso olhar o Brasil criticamente como nenhum brasileiro pode fazê-lo, é como se tivesse uma mirada de uma
cristã nova sem precisar abjurar como Fernando de Aragão e Isabel, a Católica, obrigaram os Judeus e as minorias a fazê-lo. Então hoje acho que estas experiências da Presidência me aclararam esses pontos.

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Você é uma Célebre Mulher que conquistou espaços maravilhosos em sua vida, como classifica a Evolução da Mulher Brasileira?
Nélida
Bom eu reconheço que nós progredimos muito no sentido de nos entregarmos mais à sociedade, ganharmos uma linguagem, exercemos uma pequena liderança. Hoje a presença da Mulher em vários setores é proeminente, mas não é suficiente, isso é se você olha não só no Brasil, no Mundo; o retrato do G8, por exemplo, ou o retrato do encontro dos Presidentes Líberos-Americanos, o que seja: qualquer reunião da União Européia você vê uma Mulher de saia ou calça comprida aquelas bonitinhas, com aqueles conjuntos negros elegantes e você vê um mundo enorme de ternos e gravatas, ou seja, as decisões do Mundo são feitas pelos homens e dizem respeito à metade da população que é constituída por mulheres, isso ainda é muito forte porque o mundo é gerido e administrado por uma ótica masculina; eu não digo a figura do homem, porque a figura verdadeira do homem, deveria ser aquele homem que é capaz de abraçar todos os corpos, que é capaz de responder por todas as consciências então eu falo da masculina,de gênero, penso que é absolutamente insuficiente. Agora, por exemplo, em Espanha o Presidente José Luis Rodríguez Zapatero, um homem moço, corajoso, atrevido, do Partido Socialista, tinha prometido em Campanha que faria uma Paridade Ministerial e o fez, está certo alguém pode dizer; mas tem que ser assim, nem sempre precisa ser assim, você tem que escolher o que há de melhor, mas não é possível que entre as mulheres, não há mulheres formidáveis e entre os homens não há também homens formidáveis, mas é preciso impregnar a sociedade humana com uma visão de Mulher e com uma visão de Homem, somos tão diferentes, não tanto, mas somos diferentes, mas que isso quando você fertiliza a sociedade com que a mulher pensa e
fertiliza esta sociedade com que o homem pensa você terá uma sociedade muito mais fascinante, mais rica e diria muito mais justa nesse sentido. Eu sou uma feminista histórica, mas não sou uma fanática, tenho uma visão histórica da humanidade e vejo porque sou uma leitora de história, sou uma Mulher que freqüenta o século XIV,
freqüento o século XV, os séculos de minha preferência XVI, enfim e vejo a trajetória da Mulher; queridos amigos queiram ou não tivemos uma trajetória de humilhação social.

Foto: GMG
O Publicitário Eros Damiam Pereira que também é Escritor, ficou extasiado com o poder sedutor das palavras da Escritora Nélida Piñon.

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Como foi ganhar a Honraria do Prêmio Príncipe das Astúrias, na Espanha, no mês de Junho de 2005?
Nélida
Eu fiquei muito comovida e foi uma grande honra como Brasileira, Escritora, Mulher, considero como o segundo maior Prêmio do Mundo, eu não esperava e pra conjunto de obra, pra toda a sua trajetória pessoal, intelectual. Realmente fiquei muito emocionada e agora vou, em Outubro receber o Prêmio, pessoalmente, lá na Espanha.

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Curiosidade de todos os Brasileiros, como é conviver com os Imortais na Academia Brasileira de Letras?
Nélida

Olha os Imortais são encantadores, eu não estou dizendo isso para agradá-los porque não preciso mais agradar, porque já estou dentro da Academia, não dependo mais dos votos deles, então é muito isenta a minha opinião, mas, são pessoas muito bem educadas, tivemos apenas pequenos conflitos que fazem parte da humanidade, mas me impressiona como que em geral temos uma simetria, uma harmonia muito grande e para surpresa de todos, antes de entrarmos no plenário quando estamos em torno da mesa tomando nossos chazinhos, nosso pastel, o bolo inglês, enfim nossos quitutes, nós rimos muito, somos sabe o quê? Antigamente se dizia peraltas, mas hoje somos travessos, levados porque contamos coisas até um pouquinho, mas naturalmente picantes, agradáveis, porque a vida é feita das pequenas interdições e nós exercemos esse direito de sermos jovens, como se fôramos jovens.

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Nélida deixe um conselho aos Universitários Brasileiros?
Nélida
Bom, eu gostaria de dizer o seguinte: vocês conseguiram uma coisa extraordinária, chegar a uma Universidade em um País aonde poucos chegam, agora a Universidade foi desvalorizada pela multiplicação das Universidades sem grandes critérios, então acho que cada Universitário Brasileiro deveria se dispor a aperfeiçoar a Universidade, a exigir que a sociedade seja melhor para estar à altura de seus sonhos, então eu acho que este é um debate que o Jovem Universitário deveria assumir e exigir da sociedade de Brasília, daquele Castelo de ponte elevadiça que é Brasília. Brasília é realmente muito alheia a realidade Brasileira, então que ele desfrute da Universidade, do Saber, que ele Estude, que o Conhecimento não seja matéria obrigatória, Viver é matéria Obrigatória, e viver se vive muito melhor quando se sabe mais, então que se façam grandes sedutores da vida e a sedução que lhe há de chegar através do saber, de uma Universidade de melhores padrões e não da Universidade Brasileira, que não sei se vocês sabem que nenhuma Universidade Brasileira está presente em uma famosíssima lista que nem sempre é publicada em todos os lugares, mas que existe, em que eles
classificam as Universidades Internacionais pelas suas qualidades e não há uma Universidade Brasileira em uma lista de duzentas; isto fala do Brasil, isto fala do nosso fracasso Educacional, isso fala do seguinte: que futuro nós vamos ter se não estamos na lista dos duzentos. Estou exagerada? Não!


A Imortal Nélida Piñon falou ao Diretor da Agência GMG e Portal NetBabillons, Eros Damiam Pereira que o professor é uma figura heróica e extremamente desvalorizada. Complementou é preciso que se adote uma postura, uma política específica para a Educação no Brasil.

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O papel da Família em sua vida profissional de alguma forma lhe incentivou para o sucesso?
Nélida
Ah! extraordinária a Família, foi fundamental na minha vida e as pessoas até olham para mim, porque não é de bom tom falar da família, não é elegante, não é excitante intelectualmente falar da Família, mas o que eu vou fazer, sou uma mulher que penso, independente, autônoma, sou muito insubordinada no que devo ser, mas eu acho que a Família foi um cofre, foi um porto, foi um amparo maravilhoso na minha vida, não sei o que teria sido sem a minha Família e não digo a Família que as pessoas dizem do casamento não, isso não existe, digo a Família fundacional, a Família que me deu o
pão, que me deu o leite, que me deu amor, que me deu fantasia, que me permitiu ser um pouco delirante ao ponto, de meu Pai Lino dizer assim para minha Mãe: Carmem essa menina não sei aonde vai parar, mas nada fizeram para me impedir, ao contrário ele só dizia assim: está feliz minha filha? estou meu pai, então está bom! Ele só tinha uma exigência, posso fazer uma confidência é extraordinário, nós morávamos no Leblon em uma casa de dois andares e eu descia, ele ficava deslumbrado como se tivesse vendo a menina mais linda do mundo, a pessoa mais amada, tinha adoração por mim e ele dizia assim: aonde se vai minha filha, vou sair e ele não me dava mesada e eu entendia porque ele não queria que eu fosse excessivamente livre, que dependesse um pouquinho dele e pedia dinheiro a ele toda vez que saia, era uma pessoa de uma generosidade, claro, dentro do que ele podia e dizia assim: minha filha você colocou combinação, naquele tempo se usava combinação, porque olha você sabe vai para o sol e vai ficar transparente, então essa era a maneira que ele tinha de preservar a minha honra através da combinação, era maravilhoso! Perdi meu pai com 22 anos, tenho uma imensa tristeza que ele não estava presente quando lancei meu primeiro livro, porque teria sido uma imensa alegria, mas tenho a bênção de Deus que a minha Mãe faleceu com 85 anos e de maneira que ela estava sempre presente e ele também onde quer que esteja, sempre que ganho algum Prêmio, quando alguém me quer bem, quando alguém expressa um carinho eu penso, vim de longe para poder chegar neste lugar.


Para Nélida Pinõn o mais importante imortal é Machado de Assis e criou uma máxima "Se Machado de Assis existiu, o Brasil é possível, não há desculpa para o fracasso!"

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Em sua opinião 3 Brasileiros Públicos dignos de Honra ao Mérito?
Nélida
Ah! estas listas são perigosas, porque no momento eu prefiro dizer que são mais de três, se eu não acreditar que são mais de três estou perdida, não posso dizer porque são mais de três e dizendo que são mais de três, dou esperança ao Brasil.

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Fale sobre a religiosidade brasileira e a de sua 2° Pátria, na Espanha em Santiago de Compostela?
Nélida
Olha as nossas Religiosidades são muito interessantes e muito originais. Eu gosto, nós não somos um povo, vamos dizer, cada qual é capaz de dizer: sou isso ou aquilo, outro sou uma devota de Roma ou sou devota de uma vertente de Lutero que seja, sou Presbiteriana, sou Anglicana que são aquelas Igrejas Protestantes mais chiques, mais Elegantes, ou Evangélicos são mais do povo, mais modestos ou sou Católico, sou Muçulmana, sou Judaica o que seja o importante eu acho que é cada pessoa tem o

direito de escolher o seu Deus e enfeitá-lo com os ornamentos da sua opção, mas o que eu percebo no caso brasileiro, desses povos aventureiros que tem muita fantasia é que as nossas Religiões, as nossas Crenças são deliciosamente impregnadas por muita Fé. No Brasil, por exemplo, o Católico Brasileiro é muito infiltrado, o que é maravilhoso, pelo mundo do Candomblé, pelo mundo do Africano, por Crenças secretas e isso nos torna seres mais independentes, não temos vocação para o fanatismo religioso e me parece que não temos esse fanatismo religioso porque nós, de certo modo que somos curiosos em relação a Deus, aos Deuses, é como se nós pagássemos tributos a várias entidades e isso eu gosto muito.

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Para o Universitário Brasileiro Nélida diz: que ele desfrute da Universidade, do Saber, pois chegou a um patamar aonde poucos chegam.

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Em suas Palestras e Conferências pelo mundo afora qual o tema mais abordado?
Nélida
Bom varia muito, porque, por exemplo, até 2004 eu tinha uma Cátedra na Universidade de Miami então programava os meus Cursos sobre que autores iria falar, sobre que temas etc... mas sempre de algum modo percebo que as pessoas querem muito que você fale sobre a criação literária, os fundamentos da literatura, como é a invenção, então eu tenho impressão, existe esta grande curiosidade do humano por alguma coisa tão misteriosa que é a criação, a fabulação das coisas, tenho impressão que este é um tema que mais atrai as pessoas.

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Nélida Pinõn por Nélida Pinõn.
Nélida
Eu preferia que perguntasse isso ao vizinho, o que ele acha de mim, porque não quero criar falsidades ideológicas ao meu respeito. Eu não sei... me identifico uma pessoa que foi sofrendo mudanças, que foi se aperfeiçoando, que foi se detendo em temas que antes não ocupavam o meu espírito, sempre desejei muito aperfeiçoar o meu espírito, a minha alma, eu gosto muito de dizer que gosto de polir, limar a minha alma como se fosse prata inglesa, limpar a minha alma. Penso que talvez uma característica minha é a atração pelo saber, é uma inquietação intelectual muito profunda, uma curiosidade pela vida, é um apetite pela vida. Quando publiquei meu primeiro livro está lá escrito surpreendentemente chamado "Guia Mapa de Gabriel Arcanjo" escrevi aos meus 17 anos, fiz a mudança e publiquei aos 23 anos algo assim, e a personagem feminina diz assim: Tenho apetite de Almas, quer dizer quando disse que a personagem tem apetite de almas, eu ainda tenho, tenho apetite do outro, o outro me interessa, essa é uma das minhas características, sou ávida pela vida, a vida me fascina, o ser humano me fascina, eu gosto muito da delicadeza dos sentimentos e da paixão dos sentimentos. Acho que sou uma Mulher muito agradecida e acho também que tenho uma vocação muito grande para amizade, amizade é alguma coisa que cresce cada vez mais na minha maturidade, faço qualquer coisa por um grande amigo, acho que sou uma pessoa provida de alegria de viver, mas penso muito na morte, por exemplo, eu organizo a morte como se estivesse presente, já pensei o seguinte só falta dizer as pessoas que estão ao entorno de mim o seguinte: quando eu morrer faça isso, mas como vou saber fazer isso, hora me pergunto. Eu me vejo, vem o caixão, o Nélida como é que você quer aquilo? Também tem o lado que sou uma grande administradora, provedora, também saiu agora a propósito o Prêmio Príncipe de Astúrias, matérias lindas na Europa uma delas muito bonita, escrita pelo Juan Cruz, um grande Jornalista, Escritor Espanhol no Jornal El País, é um dos mais importantes e melhores Jornais do Mundo e dentre outras coisas muito bonitas e diz assim: Ela gosta tanto das comidas e das coisas, que a geladeira dela tem tantas iguarias, que poderia agüentar uma nova Guerra Mundial se houvesse. Então acho que penso muito na morte, mas com toda esta alegria que vocês então vendo, sou uma Mulher que tem prazer, adoro a solidão, tenho as heliocêntrias, as minhas peculiaridades cada vez eu gosto mais, preciso mais ficar sozinha para pensar e criar. Para mim é um prazer imenso ficar sozinha, também sou uma pessoa mundana, gosto de estar com as pessoas, mas de repente se eu não tiver solidão sinto que é uma sangria, que eu estou perdendo substancias, então o pensar na morte hoje? Penso com naturalidade, embora não saiba como vou enfrentar a morte, a gente nunca sabe, sobretudo peço a Deus que não me

deixe sentir dores, acho que a dor é indigna, ela rouba a tua dignidade, a tua elegância, aquelas opções de certas maneiras de um certo bom gosto e pelo amor de Deus não pense que bom gosto é opção de burguesa, não! O bom gosto casa-se com a tua alma, com o teu espírito, é uma conquista moral do bom gosto, da elegância.
Tratar bem o outro para mim não é um gesto vazio, tem dimensão moral.

Foto: GMG
Nélida Pinõn é uma pessoa de bem com a vida, com sede de viver e muito dedicada aos amigos.

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Quando você fala na solidão, é um momento de contemplação da criação?
Nélida
Não é só isso não! Claro que isso é fundamental durante o processo da escrita, tudo isso é estar sozinha mesmo, é para me encontrar mais em mim mesma, ouvir música, ler. Às vezes, meu Deus, tenho a minha vida íntima, mas não quero ver ninguém, não só eu, não quero na própria casa, preciso andar pelo meu espaço como se tivesse asas, é um estado de graça que eu sinto.
Sobretudo, quando eu falo de solidão real é muito prazerosa, porque não é uma solidão que me deixaram, ao contrário, se há uma pessoa que sempre foi amada sou eu, não é isso então, eu peço, preciso é um desejo profundo que espero e que exijo ser respeitada.
Muito obrigado pela atenção que nos tão dando, gostei muito das perguntas, espero ter podido corresponder, mas se eu falhei hoje, espero acertar amanhã.


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Portal NetBabillons, 08 de Julho de 2005.

 

 

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