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Homenageado
Waldemar Niclevicz
Alpinista Brasileiro e Bacharel em Turismo

Perfil

Waldemar Niclevicz ainda menino já mostrava traços fortes de um conquistador, adorava o atletismo e seus pendores para desafio o pulsavam insistentemente, ainda jovem entrou para a escola militar e aí precipitou-se toda uma linha de desejos sobre conseguir quebrar os seus próprios recordes. Niclevicz para manter e conservar o excelente resultado da performance física que é exigido no Alpinismo, corre a risca os seus regimes balanceados, assistidos por nutricionistas, o seu físico semanalmente passa por uma bateria de exames médicos especializados para medir seu desempenho. É realmente um atleta disciplinado que concorre sempre consigo próprio em busca de melhores resultados. Além disso Niclevicz é a soma de uma série de interesses conectivos a sua profissão onde tem se doado a estudos antropológicos, arqueológicos, biológicos e sociológicos, essas interações fazem parte de suas expedições.

Entrevista

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Você é natural de onde?
Waldemar Niclevicz
Nasci em Fóz do Iguaçu - PR, mas hoje moro em Curitiba - PR, na verdade paro em Curitiba porque viajo muito, fico pouco tempo em casa, estou sempre correndo o mundo com a bandeirinha do Brasil na mochila, escalando alguma montanha, isso já há 15 anos profissionalmente, há 18 anos que caminho pelas montanhas.

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Quando você sobe em uma montanha, além do espírito aventureiro e corajoso, essa montanha tem o significado de desafio ?
Waldemar Niclevicz
Existem muitas coisas que me atraem numa montanha, a questão do desafio é uma das principais delas, mas a mais importante é a questão do conhecimento. Eu adoro conhecer um lugar diferente, com cultura e natureza diferente. Geograficamente a montanha preserva muito essa cultura, povos e histórias que em outros lugares já não estão tão preservados.

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Onde é que a Natureza é mais preservada no Planeta?
Waldemar Niclevicz
O que acontece com a natureza, é que em nenhum lugar do mundo ela está tão preservada quanto no ambiente das montanhas, porque ali o homem não conseguiu chegar e destruir, se destruiu foi só o seu entorno e ela ainda se encontra num estado primaz, num estado intocável. É fácil perceber isso na nossa Serra do Mar, o que restou da nossa Mata Atlântica está na Serra do Mar, é onde existe uma das maiores biodiversidades do mundo e você só conhecerá a fundo se for conhecer e frequentar o ambiente das montanhas. Isso não acontece no Brasil mas acontece nos Andes, no Himalaia, até mesmo nos Alpes, o homem vive adaptado nesse mundo já há milhares de anos, como os Incas que viviam nos Andes, como o caso dos Xerpas que vivem na região Everest, como o homem que vive criando sua vaquinha nos Alpes Suíços, Franceses, Italianos, criando sua vinha e fazendo o seu vinho. Esses homens tanto o Alpino, quanto o Andino e o Himalaio tem características muito semelhantes com relação a sua arquitetura, agricultura, pecuária, então você vê que o homem se adapta perfeitamente ao seu meio.

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Quando você faz uma expedição como é a sua relação com esses Povos, essas Raças do entorno da montanha?
Waldemar Niclevicz
O que eu tento fazer é ser um pouco desse homem, desse montanhês, desse homem do Himalaia, ser um pouco desse homem Alpino. Embora eu tente ser um pouquinho de tudo, acho que meu coração é mesmo Andino, porque foi onde eu comecei a escalar montanhas grandes, onde eu me apaixonei realmente pelas montanhas, pela cultura pré-colombiana, principalmente pela cultura inca, a qual eu me considero um estudioso.

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Como é o Waldemar Niclevicz hoje?
Waldemar Niclevicz
Não sou somente um alpinista, tenho uma grande visão antropológica, uma visão sociológica, me considero uma espécie de arqueólogo, um explorador, um naturalista, tento ser um pouquinho do que foi Darwin. Tenho uma sede de conhecimento, sou impressionado com o homem e a natureza, adoro a natureza, mas a natureza onde o homem consegue viver em harmonia e integrado a ela, para mim essa é a natureza por excelência. Tenho certeza que esse foi o ambiente que Deus sonhou para nós, então hoje difícilmente o homem consegue essa harmonia, ou ele vai lá e destrói, ou a natureza fica em alguns lugares, poucos ainda no mundo, como as regiões polares e as montanhas em vários lugares do mundo.

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Niclevicz você se considera um ser humano comum ou diferente?
Waldemar Niclevicz
Eu me considero um ser humano comum como qualquer outra pessoa, eu sempre falo isso para as pessoas, sou uma pessoa como qualquer outra, só que tenho os meus sonhos, os meus desejos, minhas aspirações e talvez uma das diferenças com relação a algumas pessoas, não todas, é que eu corro atrás dos meus sonhos. Quando coloco um objetivo na cabeça vou atrás dessa aspiração até realizar, por isso não me considero um privilegiado, uma pessoa diferente, eu acredito que todas as pessoas podem ter essa iniciativa, podem romper as suas barreiras, podem romper seus limites em busca da realização dos seus sonhos, do seu sucesso profissional, em busca de satisfazer esse desejo interior que ele tem em qualquer sentido.

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Fale como você representa a sua Pátria, durante as expedições?
Waldemar Niclevicz
Eu faço isso em termos de natureza, em termos de esporte, de cidadania, porque um dos maiores orgulhos que eu tenho é de representar o Brasil lá fora, já que estou tendo esse privilégio. Nós não temos a tradição alpina no Brasil, o alpinismo não é algo popular no Brasil, então tenho o privilégio de ter sido o primeiro, apenas por esse fator, se não fosse o primeiro seria o segundo, o terceiro ou décimo. Sinto um orgulho enorme de levar a Bandeira do Brasil lá fora, de ser reconhecido, às vezes me confundem com alpinista italiano, inglês, falo que sou brasileiro e me dizem: "como se nem tem montanha lá ?" É nessas horas que sinto o prazer de ser brasileiro, ser admirado como brasileiro e o prazer de sentir que nós temos aqui no Brasil esse potencial, não só em termos de atletas, nós temos um potencial empreendedor, econômico imenso, o que temos que fazer é desenvolver esse potencial, acreditar nele e conquistar as nossas montanhas, sejam elas de rocha, de gelo, físicas, sejam elas do mundo dos negócios, de grandes sonhos que temos em nosso íntimo.

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Niclevicz você é um homem de fé, é persistente, as suas investidas de subir nessa ou naquela montanha medindo grau de dificuldades, estudando as possibilidades de circunstanciar a subida sempre terminam em êxito?
Waldemar Niclevicz
Nem sempre obtive êxito em minhas investidas, tive muitas frustrações em meus projetos, mas nem por isso abandonei a idéia de levar esse projeto até o fim. O Everest, a maior montanha do mundo, eu fui em 1991 para lá, fiquei a 300 metros do ponto mais alto, não consegui chegar lá em cima e realizar o meu grande sonho que era levar a bandeira do Brasil pela primeira vez na história, no alto da maior montanha do mundo. Eu tive que fazer uma segunda investida em 1995, só depois de 3 anos e meio que consegui recursos financeiros, que é sempre um obstáculo que a gente enfrenta hoje, o atleta e o empreendedor enfrentam esse problema, quase todo mundo tem um problema de dinheiro hoje para poder viabilizar os seus projetos, isso é um obstáculo, um desafio que tem que ser superado e esse exemplo do Everest é muito claro onde você é obrigado a desistir às vezes pelas circunstâncias, pelas dificuldades e não pela sua falta de capacidade, mas como vale a pena ser perseverante, seguir em busca desse sonho e fazer tudo para que ele venha a se realizar. O K2 é outro exemplo, fui até lá em 1998, o K2 é considerada a montanha mais difícil do mundo, é a "Montanha da Morte", "Montanha Selvagem", "Montanha Assassina", ou seja, são apelidos nada animadores do K2. Lá em 1998 cheguei a 8 mil metros, fomos levados por uma avalanche, quase morre todo mundo. Voltamos em 1999 e perdemos um colega que foi atingido por uma pedra, morreu uma pessoa e voltamos arrasados. Fiz uma terceira tentativa em 2000, e só nessa tentativa consegui chegar lá em cima. Então que isso sirva de experiência para as pessoas não imaginarem que quem faz sucesso hoje, sempre foi vitorioso, embora muitas pessoas achem que eu faço sucesso hoje. Nós não somos meramente privilegiados e abençoados por Deus, acredito sim que sou abençoado por Deus, graças a inúmeras situações que passei na minha vida e felizmente estou aqui hoje. Acredito que é graças a fé que tenho em Deus e em mim mesmo e nos meus projetos, esse comprometimento, que me levou a ter sucesso nos minhas empreitadas nas montanhas.

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Você se considera um Super Atleta, ou um Conquistador que vive buscando o êxito ?
Waldemar Niclevicz
Talvez muitas pessoas achem que hoje eu só tenho êxito, que tudo que faço dá certo, muitas coisas que faço dão errado, por inúmeras circunstâncias, mas de uma forma ou de outra tentamos superar tudo isso para que nós possamos chegar naquele ápice, naquele êxtase, naquele sucesso que todos nós queremos chegar.

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Como é ser um Alpinista, o investimento é alto?
Waldemar Niclevicz
Realmente fico preocupado quando as pessoas acham que sou um privilegiado, como acontece com muitos atletas, o que não é culpa deles, só porque nascem num berço de ouro e a família tem condições de investir na carrreira profissional desse atleta e ele consegue ter uma boa performance, uma boa projeção nacional e internacional. Eu vim de um berço muito simples, de uma família muito humilde, alguns acham que vim de berço de ouro porque todos falam que alpinismo é muito caro. Para escalar o Everest é preciso de 200 a 300 mil dólares, aí muitos dizem o Niclevicz tem pai rico. Não tive pai rico, tive que batalhar como todo mundo, nada vem de mão beijada hoje em dia e vale a pena batalhar, quando nós conquistamos realmente algo com esforço é que valorizamos mais essa conquista, isso gera um sentimento que chamo de amor, eu amo cada uma das minhas conquistas, das minhas montanhas, isso é o que me faz feliz hoje, que me faz sentir que tudo tem um valor e um sentido maior, quando nos doamos inteiramente.

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Quantas expedições você já realizou e quais foram as mais dificeis ?
Waldemar Niclevicz
Eu não esqueci de nenhuma delas, mas eu nunca contei, não tenho idéia de quantas escalei, às vezes as pessoas vem com a lista das principais montanhas, porque está em meu site www.niclevicz.com.br e querem saber quantas são realmente, mas não sei. Todas as minhas experiências tem um significado importante, mesmo a mais simples, desde a minha primeira viagem que fiz para fora do Brasil em 1985, com apenas 100 dólares no bolso, viajei 44 dias pela Bolívia e o Peru, até minha última viagem em que fiquei 3 meses no Nepal, no ano passado, que foi o Ano Internacional das Montanhas, pouca gente ficou sabendo aqui no Brasil que fizemos uma nova investida no Everest e acabamos escalando Lhotse que é a quarta maior montanha do mundo. Então eu tenho inúmeras lembranças de situações difíceis, situações que envolveram acidentes, mortes de colegas e também situações extremamente agradáveis, lembranças de momentos dos mais felizes da minha vida, amizades que em nenhum outro lugar consegui encontrar, momentos de puro êxtase, de pura felicidade, um encontro imenso comigo mesmo, uma introspecção que nenhum homem vai conseguir de outra forma, um contato íntimo com Deus que acho que nenhum outro homem vai ter esse confronto com Deus como eu tenho na montanha, porque essa é a minha crença, esse é o meu ambiente, você pode conseguir tudo isso no seu ambiente, no seu mundo, esse é o meu mundo, é a minha forma de ver a vida, os meus amigos, isso é muito interessante.

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Para você concretizar sonhos e quebrar tabus, é o mesmo que vencer desafios?
Waldemar Niclevicz
Eu acredito que se as pessoas começarem a encarar a vida como uma grande escalada, como uma grande montanha, essas pessoas vão poder me entender, nosso sonho está lá no topo, é o ápice, é onde nós temos que chegar, mas para chegarmos lá temos avalanches, obstáculos, dificuldades, tempestades e muito frio. Se você passar por todos esses sofrimentos, todos esses esforços, você vai sentir um prazer de uma dimensão muito maior, do que esses sofrimentos, por isso é que vale a pena. A salvação vem através de certos sofrimentos, como dizia Buda e eu acredito nisso.

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Fale de suas principais expedições, da maior aflição e emoção que você viveu?
Waldemar Niclevicz
Como eu estava dizendo, em cada expedição houveram bons e maus momentos, eu valorizo cada um deles. Mesmo nas minhas escaladas de final de semana no Pico Marumbi, por várias vezes eu ainda me emociono com as minhas montanhas, eu falo minhas porque são as montanhas verdes aqui no Brasil, porque lá fora no Himalaia, Alpes é rocha e gelo, é um ambiente também muito bonito mas que depois de 2 meses é muito desolador, muito frio. Eu tenho inúmeras lembranças, das montanhas que marcaram a minha vida: o Everest e o K2, duas montanhas ímpares, a primeira e a segunda maior montanha do mundo, pela sua grandeza, pela sua altitude. O Everest tem 8.848 metros e o K2 tem 8.611 metros de altitude. O Everest pelo seu fascínio, o seu magnetismo mundial, a maior montanha do mundo, pelo seu entorno, pela religiosidade do seu entorno. Há uma espiritualidade muito grande no Everest, no caminho para lá você passa por mosteiros, encontra os monges. A própria mitologia do Himalaia que é a Morada dos Deuses, como eu tenho uma espiritualidade muito grande tenho muita fé em Deus, tudo isso tem um significado muito grande, para outras pessoas pode não significar nada. O K2 é justamente o contrário, não tem nada disso, você vai pelo Paquistão, na fronteira com a China, o Paquistão é um país islâmico, é uma religião, uma cultura totalmente diferente da nossa, embora a gente não consiga entender, eles tem uma fé muito grande, imensa em Alá, eu admiro essa fé e cultura, admiro todo o tipo de crença, só que eles não cultuam a montanha como um Deus ou como a morada dos Deuses. Para o povo Andinos as montanhas são Deuses, no Himalaia as montanhas são o refúgio dos Deuses, é diferente. No Karakorum que é uma parte do Himalaia, ao norte do Paquistão com a China, as montanhas não são nada, são só elevações, é um lugar hostil e sem vida, onde o povo não mora, como eles não moram na montanha como ela é muito seca, muito árida, eles talvez não reverenciem, na Europa ela é reverenciada, em outros lugares também. Fica difícil com tantas experiências falar de uma experiência, são 15 anos dedicados integralmente a montanha, fica difícil falar de uma. A chegada no Everest foi um grande momento emocionante da minha vida, nunca chorei tanto. A primeira chegada no alto de uma grande montanha, em 1988 no Aconcágua, foi o início da minha carreira, foi um dos momentos mais marcantes da minha vida em que eu mais me emocionei, quase em todas as escaladas de grandes montanhas eu me emociono, não consigo controlar minha emoção, tento controlar meu choro e não consigo, porque aquilo tem um valor imenso para mim, para meus amigos, tenho uma gratidão imensa a Deus e a meus amigos.

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Quem está envolvido no preparo e desenvolvimento do Projeto de suas Expedições?
Waldemar Niclevicz
É muita gente hoje envolvida em meus projetos, quer seja participando diretamente ou não, meu treinador, meu médico, meu fisiologista, os patrocinadores, a mídia patrocinando meu trabalho, ou ajudando indiretamente, o padre, o pastor, meu amigo, o pessoal do bairro fazendo novena, é minha Mãe, os amigos da academia, os amigos do paraquedismo, tem toda uma sinergia, todo um magnetismo e eu acredito nisso, eu sinto a presença dessas pessoas junto comigo, eu sinto que não estou ali sozinho, embora fisicamente esteja, que estou ali representando o nosso país, tenho orgulho de ser um atleta brasileiro.

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Você iniciou o atletismo com que idade?
Waldemar Niclevicz
Comecei fazer atletismo desde os 14 anos, me considero e treino como um atleta, sou disciplinado como um atleta precisa ser, para alcançar bons rendimentos.

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Niclevicz, se superar, sofrer intempéries, vivenciar grandes emoções, vale a pena?
Waldemar Niclevicz
É um pouco de tudo isso que me faz emocionar, que me faz sentir muitas vezes privilegiado, com bolha no pé, com o nariz sangrando, rosto queimado, num fim de mundo olhando uma paisagem maravilhosa, que às vezes nenhum ser humano teve o privilégio de vislumbrar: aquele pôr do sol, entardecer, aquele amanhecer, privilégio que esse ser humano não teve e nunca vai ter se realmente não passar por essa provação, se não fizer calos no pé, se realmente não passar semanas comendo pouco, no K2 eu emagreci 12 Kg, já sou magro, imagina emagrecendo 12 Kg; então, vale muito a pena.

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Você vai lançar com detalhes suas histórias num terceiro livro?
Waldemar Niclevicz
No livro que vou lançar ainda este ano, mostra uma foto minha no auge do treinamento, digamos forte, faço todo um trabalho de resistência aeróbica, de resistência muscular e mostra o Waldemar depois, magro, pele e osso, mas imensamente feliz. Durante a conquista, quando cheguei lá em cima e durante muito tempo ainda, depois que cheguei no Brasil, eu estava em estado de êxtase, estava naquele sentimento de plenitude, ainda hoje quando vejo minhas imagens emocionado. Lançamos agora no Festival de Cinema de Curitiba o filme do K2, depois de 3 anos consegui parir esse filme, esse vídeo, uma coisa que foi muito forte para mim, às vezes as pessoas não conseguem entender esse sentimento, as pessoas muitas vezes comprovam o feito, simplesmente o Waldemar foi e subiu, mas por traz do feito tem um sentimento profundo que quem assistir o filme ou ler o livro vai sentir esse sentimento.

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Dessas suas Jornadas e Expedições, em algum momento você voltou para casa com parte do corpo lesado, pontas dos dedos ou outro lugar?
Waldemar Niclevicz
Graças a Deus nunca quebrei nada, mas tenho escoriações, ferimentos, principalmente nas articulações, é quando você cai e bate. Isso é comum para nós, ter um ferimento, um corte, geralmente você está esfolado, escalando normalmente nos ferimos, não é comum acidente grave, ter ferimentos graves, pontos, fraturas. Um outro problema sério é o frio, e o risco de congelamento, eu pela minha constituição cardiovascular, não tenho propensão a congelamentos, eu tenho uma excelente irrigação periférica, isso é meio genético, isso é também em razão do meu condicionamento físico. Tenho acompanhamento de um super fisiologista que é o Raul Osiesck, ele é um pai para mim, eu vejo isso no meu organismo não só por sentir, mas através de instrumentos, como funciona meu organismo hoje. Mas, mesmo assim no K2 eu tive princípio de congelamento em dois dedos da mão. Congelamento em pessoas que não tem um bom sistema cardiovascular é meio comum; tenho colegas que não tem dedos das mãos, dos pés, faltando ponta de orelha, ponta de nariz como um amigo japonês que também não tem, aliás tenho vários colegas, mas eu graças a Deus e com a minha resistência só tive problemas nas pontas de dois dedos no K2, foi um princípio de congelamento e não aconteceu nada mais grave, nesse mesmo momento no K2, nessa mesma escalada acabei passando uma noite à 8.400 metros, com 30 graus negativos, sem barraca e o meu colega que continuou descendo até a barraca, acabou tendo que amputar cinco dedos. Então veja a diferença de constituição física do organismo, ele que conseguiu chegar num refúgio antes, que era nosso acampamento, precisou amputar 5 dedos, eu que acabei me expondo ao frio extremo só tive princípio de congelamento dos dedos. Mas é lógico que se eu pegasse uma tempestade, se o tempo mudasse, começasse a ventar e entrasse nuvens, até eu que tenho ótima resistência perderia os meus dedos, porque quanto mais você fica exposto ao frio vai perdendo temperatura, entra aí a parte fisiológica que eu acho fantástica, como nosso organismo aumenta a capacidade de absorver oxigênio, como é que nosso organismo evita de enviar sangue para as extremidades porque ele sabe que vai perder calor, uma das principais funções do sangue é aquecer nosso organismo, então o Alpinista precisa saber de tudo isso para poder preservar a sua própria vida.


 

Foto: GMG.
Niclevicz é um ser humano descomplicado, de boa vontade, de bem com a vida, bem intencionado, vive e ama o que faz. Uma das coisas que mais se orgulha é erguer a bandeira do Brasil em suas expedições.

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Como foi a aceitação da família, que vê o seu filho partir para uma expedição difícil?
Waldemar Niclevicz
No início foi muito difícil, eu tive independência muito cedo. Por um lado meu pai esperava o melhor de mim, mas foi um super azar para meu pai, em razão de estímulos dele acabei indo para a Academia Militar das Agulhas Negras, com 14 anos em Campinas sai de casa. Depois de 3 anos em Campinas em regime de internato, imagine uma criança de 14 anos longe dos pais, eu sofri muito. Fui para Resende para a AMAM, fiquei 3 anos lá, só que antes da formatura pedi desligamento, aí começei a ter a minha vida, porque passei a não ser aceito pela minha família, principalmente pelo meu pai, que sonhava ter um filho militar. Tive que começar uma vida sozinho e estava disposto a isso, porque eu não queria ser militar, adorava escalar montanhas, mas ainda não tinha a visão de ser um Alpinista Profissional. Então me formei em turismo, porque pensei em trabalhar com turismo de aventura, turismo ecológico. Me formei em Turismo, batalhei uma bolsa na Universitá Commerciale Luigi Bocconi, na Itália, consegui uma passagem de graça e fui fazer um curso de Pós-Graduação em Economia e Turismo. A Bocconi é considerada a melhor faculdade de Economia da Europa, foi um super aprendizado para mim. Nessas viagens comecei a ter contato com Alpinistas de renome internacional e aí acabei tendo o privilégio de participar de expedições com eles para o Himalaia e tendo alguns feitos consideráveis em minha carreira graças aos meus amigos, sou muito grato a todas as oportunidades que eles me proporcionaram.

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Hoje eles o apoiam?
Waldemar Niclevicz
Sim. Hoje a minha família que me recriminava antes, agora apoia, me acham o máximo, principalmente o meu pai que praticamente me chutou de casa. Entendo perfeitamente o meu pai, que é de formação militar, ele que foi soldado, cabo, sargento, sub-tenente, capitão, então imagine o quanto foi importante o exército para ele, mas hoje nós temos outras possibilidades, há 50 anos atrás talvez a melhor oportunidade que se poderia ter era ser militar. Hoje minha mãe continua morrendo de medo, continua rezando, meus irmãos também, mas hoje principalmente minha família e meus amigos entendem que o que eu faço é com muito planejamento, com muito cuidado, muita responsabilidade, muita seriedade, não é uma simples aventura, não é um louco escalando uma montanha, é um Alpinista experiente, prudente, sei o que estou fazendo e porque estou fazendo, não estou fazendo isso para ficar famoso, para ganhar dinheiro, ou aparecer no jornal, faço isso porque gosto, tenho um amor imenso pelo que eu faço. Sei a hora de voltar, inúmeras vezes tive que retornar, sei que a montanha continua lá, vou poder fazer inúmeras outras investidas, quantas eu quiser, não vale a pena arriscar, não tem montanha que mereça a ponta de um dedo, a vida. Faço tudo com muita segurança, sinto-me mais seguro escalando uma montanha do que muita gente que anda na rua de carro, acho o carro extremamente perigoso.

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Niclevicz qual é a sua próxima Expedição, qual é o grau de perigo que você vai enfrentar?
Waldemar Niclevicz
O perigo existe, não que eu ignore, mas eu trato muito bem com ele, sei muito bem gerenciar esses riscos.Tenho um novo projeto, as pessoas imaginariam agora uma escalada impossível no Himalaia, para quem já escalou a maior montanha do mundo, a montanha mais difícil, o maior paredão vertical do mundo que é a Trango Tower. Os Sete Cumes do Mundo que são as maiores montanhas de cada continente, seis das maiores montanhas do mundo eu já estive, só existem 14 maiores com mais de 8 mil metros, eu, um dia, gostaria de cumprir as 14, só 10 homens escalaram as 14. Mas resolvi desengavetar um projeto antigo que já está no papel há 12 anos, o Mundo Andino, é um projeto voltando para a Cordilheira dos Andes, nunca deixei de ir para lá desde 1995, todos os anos vou para algum lugar dos Andes, tenho uma paixão imensa. Agora vou realizar esse meu projeto de vida que é o Mundo Andino, é em 3 anos, de 2004 a 2006, escalar mais de 100 montanhas percorrendo desde o Caribe até a Terra do Fogo com um caminhão 4x4 extremamente equipado, percorrendo a Venezuela, Colombia, Equador, Perú, Bolívia, Argentina e Chile com uma equipe multidisciplinar escalando mais de 100 montanhas e fazendo o Estudo do Entorno dessas Montanhas, tanto o lado físico, quanto o lado humano. É um projeto que envolve muita pesquisa, principalmente aquelas do meio ambiente, para isso vamos ter Biólogos, Zoólogos, Geólogos, gente das mais diversas áreas, vamos ter diversas ações sociais também, médicos presentes. Como funciona: vamos estar escalando montanhas na Bolívia, quando eu e minha equipe estivermos subindo na Montanha, o Caminhão Andino não vai ficar parado, ele vai ficar circulando no entorno dessa montanha, visitando vilas, o médico prestando sua ação de auxílio a essa população, nós vamos estar identificando as necessidades da população, vamos estar viabilizando equipamentos para essa população depois, caso seja necessário um tipo de equipamento médico hospitalar vamos estar contatando com empresas aqui no Brasil, estimulando a doação desse equipamento e entregando para a população local. Do mesmo modo um Geólogo, Nutricionista ou Biólogo brasileiro, uma pessoa que queira estudar o Condor nos Andes, colocar em contato com uma pessoa que entenda de Condor no Equador para que esse pesquisador brasileiro possa fazer uma pesquisa em campo e possa trazer para o Brasil a importância do Condor para aquele ecossistema. Da mesma forma trazer um Arqueólogo Peruano para fazer uma Conferência em uma Universidade aqui no Brasil, da importância da Civilização Inca, não só para o Mundo Andino, não só para a Cordilheira dos Andes, mas também para a América do Sul, a importância que isso pode ter tido para o Brasil. É uma expedição multifunção, é o meu sonho; eu me considero um explorador no melhor sentido, um naturalista, ou seja, tentando fazer o que os exploradores fizeram a 100 ou 200 anos atrás, entrentando todas aquelas dificuldades, mas utilizando da tecnologia a meu favor, para beneficiar o maior número de pessoas. É um sonho que eu não consegui viabilizar num primeiro momento, porque não tinha credibilidade, mas graças a Deus hoje eu já tenho, não digo no mercado de patrocínio, no mercado esportivo, mas em termos gerais, para que pessoas creditem nisso, de sensibilizar o Governo Brasileiro, de sensibilizar a Prefeitura de nossa cidade, o Governo de nosso Estado a ajudarem a apoiar esse projeto de mandar um pesquisador de uma Universidade daqui para fazer um doutorado ou mestrado conosco para que nós possamos gerar um conteúdo, para que seja divulgado esse conteúdo e todo mundo receba esse beneficio.

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Existem Patrocinadores para este Projeto: o Governo Federal, os Estados ou de sua cidade, como é a participação?
Waldemar Niclevicz
Hoje tive o prazer de falar com o Governador de Santa Catarina, volta e meia falo com o Governador do Paraná. Tive alguns encontros com o Presidente Fernando Henrique Cardoso, estou na expectativa de ter um encontro com o Presidente Lula e alguns Ministros. Todos esses políticos, falam das dificuldades que o país enfrenta e eu entendo, agora essas pessoas tem um poder político imenso e quando elas querem conseguem sensibilizar a iniciativa privada para que eles patrocinem os nossos projetos, é isso que eu cobro sempre dos nossos governantes, que eles façam essa parte, não custa nada para o Governador ou Ministro, Vereador, Deputado, Prefeitos, chamarem a atenção das empresas para abrirem portas, eu já tive experiências. O que mais encontro de dificuldade hoje é chegar nas pessoas que tem poder de decisão dentro da empresa, quando eu consigo esse contato o patrocínio é conseguido até com uma certa facilidade, porque os valores são muito modestos, eu não falo em valores de milhões de reais, falo em 40 mil, 100 mil reais que às vezes é uma cota anual de um projeto meu. São projetos bem pés no chão, não viso lucros com meus projetos, hoje o que me dá dinheiro é fazer palestras para empresas, então essa é minha receita, vamos dizer assim. O que consigo com os patrocínios é para manter o projeto, manter a equipe que está trabalhando que abre mão de 3, 4 meses do ano de seu trabalho para fazer uma pesquisa, para levar a bandeira do Brasil lá em cima.

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Você sempre procura sensibilizar as áreas governamentais, políticos para subsidiar econômicamente os seus Projetos?
Waldemar Niclevicz
Isso é o mínimo que nós precisamos fazer, eu faço sempre esse apelo, que os políticos recebam os atletas e usem de sua influência não só em busca do seu voto, mas para gerar esse benefício para a sociedade, porque quando um Atleta leva a Bandeira do Brasil, do seu Time de Futebol, da sua Cidade, do seu Estado, para qualquer lugar do Mundo, isso cria motivação na criança, no estudante, no universitário, no nosso jovem, no nosso adolescente, que são as pessoas que precisamos investir porque são o nosso futuro, eles se sensibilizam de uma maneira incrível. Quando vou em uma Universidade ou Escola, não só para gente grande, mas também para gente pequena, gosto de conversar com crianças, é muito gratificante, eles vibram, eles sabem, eles reconhecem, é um papel importante de cidadania que nós estamos desempenhando e nós merecemos, não só eu, o Waldemar Alpinista, mas outros atletas brilhantes que temos. Precisamos pensar um pouco menos em Futebol e dar oportunidade a outros Atletas para viabilizarem seus Projetos, qualquer que seja o tipo de Esporte, principalmente aqueles menos populares. Nós temos um potencial imenso em nosso país, o brasileiro tem muita garra, muita raça e ele precisa desenvolver a sua técnica, precisa ter condições materiais para isso, ele precisa ter dinheiro para comer e se especializar.

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Niclevicz já passou dificuldades, como por exemplo fome, em pleno tempo de treinamento?
Waldemar Niclevicz
Eu já passei por isso há 15 anos atrás, eu não conseguia ter uma boa dieta alimentar. É horrível para um atleta, tinha tonturas, a nutricionista falava: "compre isso!" e eu não tinha dinheiro para comprar o que eu precisava para repor as minhas calorias, aí tinha fadiga e desmaiava. É um absurdo ver uma maratonista do Brasil correndo descalça porque não tem dinheiro para comprar um tênis. Infelizmente enfrentamos isso! Temos que nos preocupar com o meio ambiente, com a fome, com a segurança que é outro absurdo no Brasil, temos que não tirar dinheiro do Governo, porque o dinheiro tem que ser destinado para a educação, para a saúde e segurança, o dinheiro do nosso imposto. Temos que conseguir recursos econômicos dos empresários, isso tem um retorno de mídia imenso, impagável. Um anúncio em uma página de revista semanal está custando R$ 100.000,00, isso é o que pedimos para uma cota anual de patrocínio do nosso Projeto Mundo Andino. O empresário pode falar: "mas eu nem sei quem é o Waldemar", então o político pode nos ajudar, dizer o que já fiz, conquistei e me aproximar desse empresário, no encontro após explanar o projeto, ele vai falar: "Waldemar, de quanto é o valor para te ajudar a realizar a expedição".

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Como é o condicionamento do Niclevicz, qual é a sua dieta?
Waldemar Niclevicz
Procuro ter uma alimentação o mais saudável possível, eu não bebo, não fumo, sou uma pessoa que usa nenhum tipo de droga, respeito muito o meu organismo, sei que minha performance está ligada a minha saúde física e ao meu condicionamento físico, tenho uma vida infelizmente, às vezes, estressada como todo mundo que tenta viabilizar seus projetos, mas tenho uma alimentação extremamente balanceada. No início eu não tinha, passei por algumas experiências, hoje tenho uma super nutricionista que é a Lili Purin, Nutricionista do Atlético Paranaense, que é um clube que sempre me apoiou também, o meu fisiologista, o Raul Osieck, essas pessoas ajudam a regrar a minha vida. O meu treinador, por exemplo, Júlio Arachesky estamos juntos há 5 anos, ele é disciplina, hoje ele é um grande amigo, é uma pessoa com quem me abro, não é só treinador, é uma espécie de psicólogo. Então você consegue regrar a sua vida e fazer com que tenha um resultado melhor em razão desse trabalho, que tem que ser feito com muita disciplina. Pela minha própria formação nunca você vai me ver comendo uma picanha com gordura, eu sempre vou tirar, nunca vou comer um cupim ou uma costela gordurosa, porque que sei que faz mal para mim, isso não faz mal para quem tem uma vida normal, para um atleta faz. Eu nunca vou beber um copo de cerveja porque sei que meu desempenho vai cair, é uma questão de opção, tem atleta que toma cerveja, que fuma, tudo bem, é a opção dele, só que ele vai ter um rendimento que não vai ser o melhor que ele poderia dar, porque se ele não tivesse esses simples vícios, teria um melhor rendimento. Tem pessoas que falam "o Waldemar é radical!", não é que eu seja radical, mas eu percebo quando não durmo direito, quando fico uma semana sem treinar minha performance diminui. Uma vez por mês eu faço um teste de avaliação física, de VO2, entro numa esteira e meço a quantidade de oxigênio que inspiro e expiro. Se por uma semana eu paro de treinar a minha capacidade de absorver oxigênio diminui, a resistência muscular também, não é o que eu acho, é baseado em testes, em resultados, instrumentos, isso é muito interessante. Paras as pessoas que são amadores, que fazem o seu esporte nos fins de semana, não precisa ser dessa forma, agora se você quer escalar o K2, como eu fiz, sem oxigênio artificial, se quiser escalar 100 montanhas em 3 anos ou 10 montanhas em 20 dias como vamos fazer no Mundo Andino, é preciso ter essa performance, eu preciso ter esse resultado, essa resistência aeróbica e muscular, senão não vou conseguir atingir essas marcas. Muitos vão dizer que sou ambicioso e posso dizer que sim, gosto de ultrapassar os meus limites, de provar minha capacidade técnica, minhas capacidades físicas e psicológicas, me colocar a prova de um grande desafio e ter o prazer de superar esse desafio. Uma pessoa pode ter uma vida normal, muito cômoda e ser feliz, pode ser um grande empresário fazer muito sucesso com sua empresa, seu produto e ser mais feliz ainda.

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Waldemar palestrante, que temas que mais gosta de desenvolver?
Waldemar Niclevicz
Desde que voltei do Everest em 1995 comecei a ser convidado por empresas para dar palestras, primeiro para faculdades, após empresários e executivos. À princípio diziam que era para contar como eu tinha conseguido chegar no alto do Everest. Comecei a contar essa história, as pessoas gostaram de me ouvir e hoje já fiz praticamente 200 palestras, para mais de 100 grandes empresas, para públicos os mais variados possíveis, geralmente para executivos. Já fiz para operários da Vale do Rio Doce, já fiz para presidentes de empresas e sempre cada uma das palestras foram muito gratificantes, acredito que não fui só para ensinar, mas foi uma grande troca de conhecimentos e acima de tudo o que deixo é minha experiência de vida, é uma palestra motivacional, embora às vezes se torne um pouco técnica. Quando as pessoas querem, eu falo sobre planejamento estratégico, gerenciamento de riscos, expedir equipes, tomadas de decisão, lideranças e me aprofundo mais. Também falo sobre semana de prevenção de acidentes, gerenciamento de risco, dos cuidados que tem que ter. Em outras palestras eu abordo esses temas de uma maneira muito genérica e mostro como escalei o meu Everest, a palestra é "Conquistando o seu Everest", como escalei "o meu Everest" e como as pessoas podem escalar "o seu Everest". Cada um tem um Everest dentro de si, dentro do seu negócio, dentro da sua atividade e é esse mesmo Everest que escalei quando cheguei na maior montanha do mundo, não foram os 8.848 metros de altitude, foi o Everest que existe em mim, foi o Everest dentro do meu próprio ser. Então é uma palestra motivacional, é uma palestra que sensibiliza as pessoas, eu me emociono fazendo palestras, as pessoas se emocionam, falo levem um lencinho porque tem gente que chora, porque eu pego na emoção, porque não admito que a pessoa tenha um sonho e não tenha coragem de realizar esse sonho. Minha missão é fazer com que essa pessoa tenha coragem, que ela tome atitudes, que ela faça da vida dela uma vida melhor, que faça do mundo um mundo melhor, porque "ele" mudou, teve coragem de sair do fundo dos vales e encarar as dificuldades, encarar as tempestades, avalanches, obstáculos e chegar no alto da sua grande montanha. Adoro fazer palestras, me empolgo muito com elas e graças a Deus minhas palestras acabam sendo hoje uma soma considerável de dinheiro, para que eu possa realizar os meus projetos.

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Os jovens Universitários são o futuro do Brasil, que conselho você dá a esses jovens?
Waldemar Niclevicz
É o que disse anteriormente, que tomem atitudes, que tracem objetivos em suas vidas, que acreditem em nosso Brasil, que acreditem em sua capacidade, em seu potencial, que procurem desenvolver suas habilidades, que sejam ambiciosos em suas áreas de atividade, que se dediquem ao máximo dentro de suas universidades. Achei um absurdo quando sai da Academia Militar, que é um lugar onde todo mundo é obrigado a ser CDF, lá você estuda muito, de lá sai para uma Universidade Federal onde ninguém estudava, a maioria colava, eu achava isso um absurdo! Logo que entrei fui participar do Centro Acadêmico e também parte do diretório do DCE e era um dos que mais lutava para chamar as pessoas para estudarem, porque depois eles teriam um canudo na mão e iriam falar que a Universidade não os preparou. Não houve um congresso ou seminário durante a universidade que eu não participei, fui em todos eles. Publiquei dois artigos enquanto estava na Universidade porque fui me especializando em planificação turística. Não adianta hoje você ficar lá na Universidade sentado em uma sala de aula esperando o curso acabar para conseguir um emprego, não vai conseguir assim. Hoje, da nossa turma, os alunos mais dedicados, o primeiro da classe que era o CDF, sempre tirava as melhores notas, eu era o segundo; o terceiro, o quarto, os alunos mais dedicados, todos hoje estão bem empregados e fazendo um bom papel na área de turismo ou nosso estado ou na Secretaria de Turismo de Curitiba, eu me orgulho disso, tem um que está em Brasília trabalhando no Governo Federal com turismo ajudando a desenvolver o nosso país. Então acreditem nisso, façam a sua parte, isso é importante para que realmente vocês sejam pessoas de sucesso, para que não sejam mais um desempregado, que é uma pena... Quando falo com essas pessoas por ai, me dá pena mesmo, porque elas não tem capacitação, tem graduação superior, mas não sabem fazer nada, não tem nenhuma qualificação embora tenham curso superior. Especializem-se, aproveitem esse momento da faculdade, dêem o melhor de si, sugem os professores, exijam o máximo de seus cursos, façam estágio, partam para mercado de trabalho antes de terminar a faculdade, para ter uma idéia do perfil do mercado que vocês vão enfrentar, para depois terem idéia do que vai ser enfrentado, para vocês serem pessoas de sucesso como devem ser.

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Como o dinamismo da Internet tem lhe ajudado em sua Expedições?
Waldemar Niclevicz
Não só dinâmica, eu diria indispensável. Quando lancei a primeira versão do meu site em 1998, percebi ao publicar o incremento imenso em termos de negócios, contatos, consegui atingir um número imenso de pessoas, consegui ser muito mais conhecido fora do Brasil, porque minhas expedições são todas transmitidas on line via satélite, na Internet. Principalmente nos Estados Unidos e na Europa, passei a ser muito conhecido através da Internet; depois a Internet alavancou matérias em revistas especializadas, matérias em jornais fora do Brasil, que também consolidaram uma imagem lá fora. Hoje qualquer pessoa consegue me encontrar na Internet, antigamente como poderiam fazer para me encontrar? era bem mais difícil para conseguir meu telefone ou email, hoje você digita Niclevicz em um buscador qualquer e vai ter várias indicações e com certeza a do meu site também. Hoje o retorno comercial, ou seja, o valor comercial agregado ao meu projeto em razão dessa divulgação on line é muito grande, hoje eu não posso chegar para o meu patrocinador e dizer que tudo bem, ele on line sabe o resultado da expedição, se eu cheguei lá em cima ou não, também porque a logomarca dele está ali sendo divulgada, está recebendo mídia, está recebendo fotos, recebendo imagens via satélite. Hoje eu não consigo fazer nenhum projeto sem oferecer, sem expor o patrocinador na internet.
Acredito que um site tem que ser muito fácil e claro em sua visualização em todos os termos. A Internet é uma grande ferramenta, tenho grandes amigos, que nunca vi na minha vida, mas que são amigos internautas, fãs, pessoas que mandam mensagem de todo o mundo, da Bahia, de Manaus, Minas Gerais, brasileiros que estão no exterior, na Califórnia, no Japão, que são super amigos virtuais, amigos da Internet.

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Portal NetBabillons, 14 de Junho de 2003.

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