IBGE: Mulheres são mais escolarizadas, mas ainda ganham menos do que os homens
Mulheres no mercado
de trabalho são mais escolarizadas que os homens, trabalham menos que
o sexo oposto, mas também ganham menos e têm mais dificuldade
de ter a carteira assinada. Estes e outros dados fazem parte do estudo Mulher
no Mercado de Trabalho: Perguntas e Respostas, divulgado hoje (8) pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em comemoração
ao Dia Internacional da Mulher. As informações analisadas fazem
parte da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) 2009, realizada nas regiões
metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São
Paulo e Porto Alegre.
Segundo o estudo, em 2009, enquanto 61,2% das trabalhadoras tinham o ensino
médio completo, para os homens este percentual era de 53,2%. A parcela
de mulheres ocupadas com nível superior completo era de 19,6%, também
superior ao dos homens (14,2%). Por outro lado, nos grupos de menor escolaridade,
a participação dos homens era superior à das mulheres.
Em 2009, aproximadamente 35,5% das mulheres estavam contratadas com carteira
de trabalho assinada, porcentagem inferior à dos homens (43,9%).
Houve em 2009 redução de cerca de 36 minutos na diferença
entre a média de horas trabalhadas por homens e mulheres, devido à
diminuição na média de horas trabalhadas pelos homens.
Ainda assim, em 2009 as mulheres trabalhavam em média 38,9 horas por
semana, 4,6 horas a menos que os homens. A diferença na média
de horas trabalhadas entre as mulheres com ensino médio completo em
relação aos homens diminuiu para 3,6 horas. Em 2003 era de 4,4
horas.
As mulheres com um até três anos de estudo mantiveram a maior
diferença (7,2 horas) na média de horas trabalhadas, quando
comparadas aos homens. Em 2003 a diferença era de 7,3 horas.
O número de horas trabalhadas pelas mulheres que possuíam curso
superior completo só ultrapassava o das que tinham até três
anos de estudos. Já as mulheres com 11 anos ou mais de estudo foram
as únicas a aumentar a média de horas trabalhadas semanalmente,
em todo o mercado de trabalho: de 38,8 horas em 2003 para 39,1 horas em 2009.
Ainda segundo o IBGE, a média de rendimentos das mulheres continua
inferior à dos homens, mas melhorou nos últimos seis anos. Em
2009, enquanto o homem ganhava em média R$ 1.518,31, a mulher ganhava
R$ 1.097,93, 72,3% do rendimento recebido pelos homens. Em 2003, esse percentual
era de 70,8%.
Outro ponto ressaltado pelo estudo é que a maior diferença salarial
entre homens e mulheres foi registrada no grupo com nível superior
e no setor de comércio. Nesta área, a diferença de rendimento
para a escolaridade de 11 anos ou mais de estudo é de R$ 616,80 a mais
para os homens. Quando a comparação é feita para o nível
superior, ela é de R$ 1.653,70 para eles. Já nas atividades
relacionadas à construção, as mulheres com 11 anos ou
mais de estudo têm rendimento ligeiramente superior ao dos homens com
a mesma escolaridade: elas recebem, em média, R$ 2.007,80, contra R$
1.917,20 dos homens. (Flávia Villela)
Fonte: Agência Brasil.
08/03/2010