Lei da Ficha Limpa vale para as eleições deste ano
A lei Ficha
Limpa vale para o pleito deste ano. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu
hoje (10), por 6 votos a 1, que os candidatos com condenações
graves em órgão colegiado não poderão concorrer
nas eleições de outubro. A maioria dos ministros acompanhou
o voto do relator Hamilton Carvalhido, que considerou que o período
eleitoral começa apenas após o registro de candidaturas, no
dia 6 de julho.
O presidente da corte, ministro Ricardo Lewandowski, citou vários casos
julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para convencer os demais ministros
que, segundo a jurisprudência da Suprema Corte, as mudanças na
lei de inelegibilidade não afetam o processo eleitoral, e, portanto,
não precisam esperar um ano para serem aplicadas. “Esta lei homenageia
um princípios que representa a própria base do princípio
republicano, que é a moralidade no âmbito administrativo”,
disse Lewandowski.
A vice-procuradora Eleitoral, Sandra Cureau, também pesou a importância
da moralidade e da grande mobilização social em prol da aprovação
do projeto. “Não há como sustentar que essas normas tenham
que ser preteridas para eleições futuras. Seria uma grande decepção
para o povo brasileiro se mais uma vez não se conseguisse que os candidatos
sejam pessoas idôneas”, afirmou.
Outro argumento usado pelos ministros favoráveis à aplicação
da lei é o histórico recente de condenações de
candidatos por propaganda extemporânea pelo próprio TSE. “Se
os punimos por fazerem propaganda antes do processo eleitoral, é porque
o processo eleitoral não começou. Temos que ter o mesmo entendimento
em relação a essa lei”, disse a ministra Carmen Lúcia.
O mesmo argumento foi utilizado depois pelo ministro Aldir Passarinho Junior.
Apesar de terem votado a favor da aplicação da lei em 2010,
os ministros Arnaldo Versiani e Marcelo Ribeiro fizeram várias ressalvas.
“O processo eleitoral se inicia com o alistamento dos eleitores e termina
depois da prestação de contas. As regras começam um ano
antes. Eu acho que o Artigo 16 da Constituição se aplica para
qualquer legislação que trate desse assunto”, disse Versiani.
Os ministros só votaram favoravelmente à aplicação
da lei para não contrariar a jurisprudência do STF.
Voto vencido, o ministro Marco Aurélio disse que o tribunal fica em
situação delicada se agir contra o anseio da sociedade. “Quando
há consonância entre o que decidimos e o que a sociedade quer,
saímos aplaudidos. Senão, somos execrados”, disse o ministro.
Para ele, o período de convenções, que começou
hoje, já faz parte do processo eleitoral. (Débora
Zampier)
Fonte: Agência Brasil.
10/06/2010