Argentina pode ser primeiro País Sul-Americano a aceitar união de Homossexuais
A Argentina pode
se transformar, na próxima quarta-feira (14), no primeiro país
da América do Sul a modificar o Código Civil para incluir a
lei que reconhece a união entre pessoas do mesmo sexo. Com o apoio
do governo de Cristina Kirchner, o Senado vai se reunir para decidir a grande
polêmica que envolve todos os setores da sociedade argentina. Ontem
(11), o ministro do Interior, Florencio Randazzo, afirmou que o governo aguarda,
com expectativa, o momento em que a Argentina estará incluída
na vanguarda da igualdade dos direitos civis.
O projeto que será analisado pelos senadores não apenas legaliza
a união de pessoas do mesmo sexo, mas também concede a casais
gays o direito de adotar filhos. O texto foi aprovado pela Câmara dos
Deputados no dia 5 de maio deste ano. Entre outras modificações,
o projeto alterou o parágrafo do Código Civil argentino que
declara a validade da união civil apenas quando envolve "um homem
e uma mulher". A expressão foi trocada para "contraentes",
abrindo espaço para que a Justiça reconheça os casais
gays.
O projeto chegou à Comissão de Legislação Geral
do Senado argentino no final de maio. Desde então, os senadores promoveram
uma série de audiências públicas em Buenos Aires e em
outras cidades argentinas para ouvir diferentes segmentos da sociedade. A
Igreja Católica já manifestou, em várias ocasiões,
seu repúdio ao projeto. Ontem, por exemplo, o arcebispo de Buenos Aires,
cardeal Jorge Bergoglio, convocou uma jornada de orações em
todo o país e sugeriu que os sacerdotes lembrassem, durante as missas,
que a Igreja Católica considera inalterável o casamento, entre
o homem e a mulher, para a manutenção da família.
Em resposta, o senador Luis Juez, da Frente Cívica da cidade de Córdoba,
afirmou, durante entrevista a uma emissora de rádio, que votará
a favor da união entre pessoas do mesmo sexo sem que isso signifique
estar em guerra ou mudar sua condição heterossexual. Também
ouvida pela rádio, a senadora Sônia Escudero, do Peronismo Federal,
defendeu seu repúdio à lei que será examinada pelo senado,
dizendo que o projeto é juridicamente defeituoso porque "contraria
os direitos da maioria da sociedade".
A sessão do Senado argentino para examinar o assunto deverá
começar às 10 horas de quarta-feira, sem previsão de
encerramento. Se for aprovado, o projeto segue direto para sanção
da presidente Cristina Kirchner. Se rejeitado, somente poderá voltar
ao Senado no ano que vem.
(Luiz Antônio Alves - Correspondente da Agência
Brasil na Argentina)
Fonte: Agência Brasil.
12/07/2010