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Rapper MV Bill faz palestra para jovens no projeto Viva Nordeste

Rap e cidadania. A arte panfletária e socialmente engajada do rap (iniciais de rhythm and poetics, ritmo e poesia, em inglês) é um dos instrumentos de inclusão adotados dentro do projeto Viva Nordeste, ação do Governo do Estado para promover a cidadania e a inclusão social de jovens e adultos dos bairros do Nordeste de Amaralina, Santa Cruz, Vale das Pedrinhas e Chapada do Rio Vermelho, em Salvador. No último sábado (08), a sede do projeto recebeu a visita do maior expoente do rap nacional, o carioca MV Bill, que fez palestra seguida de debate para mais de 200 jovens e lançou o livro Cabeça de Porco, escrito por ele junto com o ativista Celso Athaíde e o sociólogo Luiz Eduardo Soares.
Cinco exemplares do livro foram doados para a biblioteca da Casa de Serviços Viva Nordeste, inaugurada hoje (10). Reunindo realidades de bairros pobres recolhidas em oito estados brasileiros, o texto é um retrato da vida de comunidades carentes, em que os jovens têm poucas oportunidades e contato intenso com a violência. “A primeira coisa que eu percebi é que essas pessoas são vítimas de um quadro de invisibilidade. O que a gente faz é tentar dar visibilidade a essas pessoas e mostrar que elas têm que seguir caminhos diferentes”, declarou Bill.
O rapper destacou a importância de ações positivas de inclusão econômica e social que possam aglutinar esforços governamentais com as iniciativas da própria população carente, como as que estão sendo desenvolvidas pelo governo baiano no Nordeste de Amaralina. “Aqui existe um diálogo com a comunidade, através do grupo cultural Gabiru. Acredito que os projetos, mesmo que venham de fora, tenham que ter um contato com a comunidade. Com a chegada do Viva Nordeste, se junta uma coisa com a outra. Junta a força e o dinheiro do Poder para a realização com o Gabiru, que tem as necessidades da comunidade. Eu acho que essa junção vai começar a transformar o Brasil num país mais igualitário”, avaliou
Diálogo
O Gabiru é um dos braços do Viva Nordeste. Trata-se de um grupo de jovens que têm no hip hop (cultura que agrega ritmo, poesia, grafite e dança) uma importante forma de expressão e de organização. Para o DJ Harry Joe, 20 anos, um dos mais engajados no projeto, “o Gabiru surgiu de nossa própria vontade, mas com a chegada do Viva Nordeste a gente está tendo a condição de evoluir e crescer”. Ao fim da palestra ele integrou o grupo que apresentou um pouco do rap dos jovens do Nordeste de Amaralina e redondezas, reunindo dança e música, que misturam o hip hop e elementos de cultura afro-baiana.
Para a responsável pela organização comunitária do Viva Nordeste, Maria Teresa Ramos, “o diálogo com a comunidade é a base do projeto, mas a intenção é dar sustentação e apoio e criar condições para que a própria comunidade assuma o comando e a organização do projeto, dentro de mais um ano”. Ela explicou que o Viva Nordeste é um programa piloto coordenado pela Secretaria do Trabalho, Assistência Social e Esporte (Setras), mas que envolve comunidade, ONGs e outras esferas de poder público, com o objetivo promover cidadania e inclusão social.
Dentro dessa perspectiva, diversos cursos são oferecidos à comunidade. Esta semana, serão abertas as inscrições para um curso de aperfeiçoamento de DJs. São 20 opções de cursos profissionalizantes, tais como mecânica de automóveis, jardinagem, estética afro, pedreiro, costureira industrial e modelagem industrial. Também são criadas unidades produtivas, espécies de cooperativas em que os profissionais capacitados nos cursos se reúnem. Há também uma ação junto a vendedores ambulantes dos bairros beneficiados, para dar-lhes qualificação, apoio financeiro e ajuda para regularização junto à prefeitura.
Na sede do projeto, além da biblioteca, existe uma agência do CrediBahia, um infocentro ligado à internet, a Escola Kabum (que dá cursos de fotografia, webdesign e vídeo), o Núcleo de Apoio Psicossocial e Educacional, o Balcão da Justiça e Cidadania (serviços jurídicos), e o Núcleo de Balé da Fundação Cultural.
Fonte: Governo do Estado da Bahia.
10/10/2005

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