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Grupos de Reis e Pastores do Interior Realizam Cortejo Nesta Quarta-Feira

Grupos de Reis e Pastores da capital e do interior ganham as ruas do centro histórico de São Luís. Eles estarão realizando nesta quarta-feira, dia 28, às 17h, um Cortejo que sai do Largo do Desterro até a Praia Grande, seguido de apresentações às 18h nas praças Valdelino Cécio, Nauro Machado e da Praia Grande (ao lado da Casa do Maranhão, na rua do Trapiche, s/n), com a participação de grupos dos municípios de Ribamar, Brejo, Penalva, Icatu, Iguaiba e São Luís.
Os folguedos Reis e Pastores são uma categoria de manifestação folclórica de nosso estado que estão ligados a teatralização do nascimento do Menino Jesus. Essa prática constitui-se desde a Idade Média, onde o nascimento e ressurreição de Jesus Cristo eram, invariavelmente, os temas explorados em peças curtas representadas no interior das igrejas e dos claustros, tudo isso com um único objetivo: a educação religiosa dos fiéis.
Essas manifestações têm, portanto, origens tradicionais e estão arraigadas nos costumes nordestinos, sob as mais diversas variações, tendo em suas partes constituintes, um espaço para interpretações do que poderiam ter sido as etapas desse processo.
Maria, José, anjos, floristas, pastoras e pastores, espanholas, ciganas e tudo mais que a capacidade de criação permitir fazem parte da brincadeira de pastor, composta tradicionalmente só por mulheres, que tem como marco oficial do início das suas apresentações ao público, o dia 24 de dezembro, data em que é retratado o nascimento do Messias.
Nessa festa, o pastor ilustra a visitação dos pastores ao Menino Jesus, segundo o evangelho de Lucas. Cestas, ramos de flores, castanholas, cajados são oferecidos como presente para o Menino que acaba de nascer. Os Reis, na brincadeira dos “Rêses”, como a chamavam os mais antigos e agora os jovens, é um repasse do que é tratado no Pastor, só que a ênfase é a visita de um rei e uma rainha à manjedoura de Jesus.
Diferentemente da antiga narrativa bíblica em que o velho europeu Melchior, o jovem africano Gaspar e o asiático Baltazar haviam visto a Estrela de Belém brilhando no céu no dia 6 de janeiro, e guiados por ela, viajaram para saudar a chegada daquele que, segundo a profecia, seria o Rei dos Reis, a Brincadeira no Maranhão possui somente a participação de um rei e uma rainha como personagens de destaque.
Todo o resto dos dois cordões que compõem a festa de Reis possui um formato uniforme, ao contrário do que acontece com o Pastor, que possui diversos componentes em seu enredo, além de ser entoado por uma quantidade maior de cantos e danças. Tudo isso é encenado por pessoas que vivem o dia-dia de maneira simples.
Em São José de Ribamar, a brincadeira tornou-se um tanto curiosa: eles comemoram o Reis Pastoral. Segundo uma das coordenadoras do Reis (ou será Pastor?!), Vânia Holanda, 50 anos, foi uma alternativa gerada pela demanda de idosos que participam da festa. “A maioria das pessoas que fazem parte de nossa brincadeira tem em torno de 65 anos de idade. A festa tem que terminar antes da meia-noite e deve demorar menos que o tempo normal das duas brincadeiras. Ficaria muito cansativo para as minhas ‘meninas’, como costumo chamá-las, realizar uma apresentação muito extensa”, explica a comerciante.
E assim a inovação foi feita. O grupo conta hoje com a participação de 50 pessoas, entre músicos e demais personagens. O calendário de apresentações também é diferente: não acontece em dezembro (como os Pastores costumam fazer) e se estende até fevereiro. A primeira mostra ao público acontece no dia seis de janeiro, conforme a festa de Reis. “Nossa brincadeira tem um pouco de cada uma delas – referindo-se a Reis e Pastor - procurando não deixar a encenação maçante”, esclarece Vânia ao ser questionada quanto ao caráter do seu grupo.
No Reisado de Brejo, a tradição foi mantida. Com o grupo composto por sete personagens, conhecidos como brinquedos ou passarinhos, a coordenadora Maria de Nazaré Silva Oliveira resolveu dar continuidade à brincadeira herdada de seu pai, que saía todas as noites de 1º de janeiro até o dia de Santos Reis. Nesse dia é encerrado o ciclo da brincadeira na Capela de Santa Rita de Cássia, no bairro Escalvado, na sede do município de Brejo, onde moram seus 14, dos seus 50 brincantes. Em suas reisadas, burrinha, caretas, biará, grampola (Catita), anjos, ciganas e as cantadeiras são acompanhados por sanfona, clarinete, tarol, prato e trombone.
O Pastor de Penalva também segue à risca todas as etapas dessa comemoração natalina. Em sua comunidade, no dia 24 de dezembro, inicia as apresentações às 19h e termina à meia noite, seguindo a seqüência: oração, “encruzamento” de arco, quadrilha, canto da meia noite e despedida. Em sua formação atual, tem a participação de 60 crianças e possui uma grande quantidade de personagens, além de cordão com seis partes.
Além do Reis Pastoral, Reisado de Brejo e Pastor Infantil de Penalva, outras três brincadeiras estarão se apresentando no circuito natalino promovido pela Secretaria de Estado da Cultura sob a coordenação da Superintendência de Cultura: Pastor Caminho de Belém (de Iguaíba), Reis de Jacareí dos Pretos (de Icatu) e Pastor do Menino Deus (de São Luís); com as coordenações de Alfredo Silva, Irene Tavares e Aliete Ribeiro de Sá, respectivamente.
Fonte: Governo do Estado do Maranhão
27/12/2005


 

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