Fale conosco, e-mail, telefone e endereço.
Abertura

Cresce número de visitantes ao Museu do Benin

Após a reinauguração, no último dia 15 de julho, o Museu Casa do Benin, no Pelourinho, é um dos pontos mais visitados por baianos e turistas no Centro Histórico. O local chama a atenção pelas relíquias que contém em seu acervo permanente. São 200 peças de objetos e obras de arte da cultura africana na Bahia. Com a reforma, para melhor receber seus visitantes, o museu ganhou, no andar superior, espaços para exposições temporárias, restaurantes, além de um auditório e uma biblioteca.
Fundado em 1988, o Museu Casa do Benin, que pertence à Prefeitura Municipal de Salvador, é administrado, atualmente, pela Fundação Gregório de Mattos (FGM). A reforma foi concluída através de um acordo promovido entre a FGM, o Ministério das Relações Exteriores e a Fundação Odebrecht.
Logo na entrada, o museu revela sua história através das imagens de um quadro baseado no livro Fluxo e Refluxo, do antropólogo Pierre Verger. São fotografias que descrevem a troca de legados que une a Bahia e o Benin (lugar que funcionava como ponto de migração e imigração para os escravos no tempo da abolição). A viagem começa com a mostra das comemorações de festas populares de grande repercussão aqui na Bahia, como a Lavagem do Bonfim e o tradicional caruru em homenagem a São Cosme e São Damião, que no Benin ocorre com a mesma proporção.
Em seguida, pode-se observar que o quitute baiano mais famoso, o acarajé, também é comercializado lá, com o nome de "akará". As semelhanças estão também nas vestimentas, danças, gestos, na arquitetura e, principalmente, na devoção ao candomblé e nos cultos aos orixás. O museu reserva ainda particularidades pertencentes à cultura afrodescendente (peças em metais, artesanatos, acessórios, materiais para oferendas, entre outros). Estes estão separados em cinco balcões de madeira, que podem ser apreciados diariamente pelos visitantes.
Peças valiosas
No primeiro balcão, há uma peça em metal representando o cotidiano com a figura do Cortejo do Rei de Daomé "Akiko", uma peça em metal que tem o formato de um galo. Esse animal era colocado nos altares, ao lado das deusas, para representar a figura do masculino nas sociedades matriarcais daquela época. Há também materiais feitos com as mãos utilizados para oferendas aos orixás: o "Opaxorô" (cajado de Oxalá), o "Dambalawedo" (pote utilizado nas oferendas para guardar o Oxumaré macho), o "Aiowedo" (pote utilizado nas oferendas para guardar o Oxumaré fêmea), "Agere" uma espécie de cuscuzeiro usado no assentamento de Omulu e Obaluayê (orixás do candomblé) e o "Hoho" (peça de barro usada no culto quando nascem filhos gêmeos do mesmo sexo).
Mais adiante, o estilo de vida do povo Benin é representado através de acessórios, como leques e pentes (produzidos em madeira e usados em sua maioria pelas mulheres), e entre as variedades existe o "Filá" (chapéu utilizado pelo Rei, que lembra a "boina" utilizada pelo grupo musical Olodum). E os potes em cerâmica que eles chamam de "Ikoko Amo" (objeto doméstico usado nos assentamentos aos Voduns, nome dado também aos orixás). Logo após, em outro ambiente, representando o período de infância no Benin, barcos e embarcações em madeira serviam como brincadeiras e ao mesmo tempo faziam referência ao transporte utilizado para as viagens para o Brasil no tempo da escravidão. Há também o "jogo do ayo", um brinquedo popular em toda região da África, como é o dominó para os baianos.
Como acontece na Bahia, a influência musical no Benin é composta de ritmos bem originais, a exemplo dos "adjás" (instrumento musical semelhante ao utilizado pelos Filhos de Gandhy durante o Carnaval). Uma das danças mais conhecidas, a capoeira, deve ser acompanhada pelo "adson" (instrumento feito de barro que emite som junto ao berimbau). Nos cultos em oferenda aos babalorixás, homens produzem o som com a utilização do Gangan (conhecido também como tambor), e para fazer parte da festa as mulheres se enfeitam com colares de várias cores que representam cada orixá. O vermelho Yansã, o amarelo Oxum e o Azul Oxóssi.
Candomblé
No Benin, como na Bahia, existe um sincretismo religioso tendo adeptos de várias entidades religiosas. Porém, o candomblé, religião trazida pelos escravos, com suas manifestações, rituais e comportamentos, tem um espaço em destaque na Casa do Benin. Assim, o público pode conferir de perto os materiais que são utilizados nos cultos e oferendas aos orixás. Como o "osun" (pó vermelho usado nas obrigações ao candomblé), o peregun (usado nos banhos e na purificação durante a cerimônia aos orixás), o "ida oris" (conhecido na Bahia como "espada de ogum", serve como proteção), o "aridá" e o "obi-noz de cola" (fruto, cujas sementes servem como oráculo nas respostas dos orixás), o-"jinjin" (conhecido como aroeira, serve como descarrego durante o banho para os filhos de Ogum). Para se caracterizar durante as cerimônias, os participantes pintam o corpo e rosto com o "efun" (uma espécie de giz branco). Para o uso medicinal, os benizianos utilizam muito o "nana" (o chá feito com essa planta serve para a diarréia e também como cicatrizante).
Fonte: Prefeitura Municipal de Salvador
03/08/2006

 

Página de aberturaÍndice de notícias.

Índice do Canal