Fundação aproveita Dia Nacional do Livro e oferece 20 mil obras gravadas para cegos
O
acesso de pessoas com deficiência visual a livros e revistas ainda é escasso
no país e é promovido por algumas entidades que procuram estimular a leitura
por meio do método braille. No braile, a leitura é feita pelo tato e há também
livros falados ou digitais, que a pessoa pode ouvir por meio discos gravados
colocados num computador.
A Fundação Dorina Nowill para Cegos, com sede em São Paulo, comemorou o Dia
Nacional do Livro (29 de outubro) com o oferecimento anual de 20 mil exemplares
de títulos universitários para cegos.
Segundo o responsável pelo desenvolvimento de produtos de informática da Nowil,
Ricardo Soares, a fundação, que funciona há 63 anos, começou a apoiar esse
público oferecendo primeiro obras em braile, que continua disponibilizando.
Posteriormente, partiu para os livros falados, gravados em fita cassete e
depois em CD.
Agora, boa parte desse trabalho é feita em formato MP 3, de acordo com a demanda
dos usuários, que ouvem a obra por meio de computadores por eles mesmos manipulados.
A fundação trabalha constantemente no desenvolvimento de novos métodos, com
produção própria para a versão de livros digitais, que são emprestados para
deficientes visuais em todo o país e também no exterior.
A biblioteca da Dorina Nowill tem mais de 1.270 títulos disponíveis e, a cada
mês, são acrescentados ao acervo de dez a 15 títulos novos gravados. A orientação
para a oferta são os best sellers (livros populares entre os leitores, que
figuram nas listas dos mais vendidos) que ficam no mercado de três a quatro
semanas e são então gravados de acordo com a demanda declarada pelos deficientes
visuais.
Soares disse que os recursos oriundos da Lei Rouanet, que estimula programas
educacionais, podem ser ajuda valiosa para quem trabalha no apoio aos deficientes.
A participação oficial, segundo ele, ajuda a disseminar as versões necessárias
para os cegos, que não são baratas.
Muitas instituições, como por exemplo universidades, demandam o trabalho da
Dorina. "Eificilmente alguém manifesta interesse de comprar. Todos querem
mesmo é receber gratuitamente, por isso, o apoio do governo é importante para
que se possa aumentar a oferta", afirmou Soares.
A biblioteca da Dorina Nowill tem um público de 2.500 clientes ativos cadastrados
e empresta por mês 2 mil exemplares do acervo falado, que são em geral mandados
pelos Correios, que também fazem a devolução. Os usuários se comunicam por
telefone, e-mail ou vão pessoalmente à entidade, quando moram em São Paulo.
De acordo com Soares, há necessidade de capacitação de pessoas para a produção
de material para os deficientes visuais, o que é um processo caro e demorado,
que requer incentivo governamental. Quanto mais o deficiente visual puder
ter acesso às obras, melhor será sua qualidade de vida. Por isso, todos têm
que se envolver nisso para ajudá-los, afirmou o representante da Fundação
Dorina Nowill para Cegos.
A Região Nordeste concentra cerca de 57 mil pessoas cegas, contra 54 mil no
Sudeste. São Paulo é o estado com maior número, 24 mil, seguido pela Bahia,
com 15,4 mil. Em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, que também são estados
populosos, o número de cegos oscila em torno de 14 mil, cada. A maioria tem
pouca instrução, o que dificulta o acesso aos meios alternativos capazes de
melhorar sua qualidade de vida.
(Lourenço Canuto )
Fonte: Agência Brasil.
01/11/2009