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Um livro sobre a rainha


Cleópatra ganha livro de história no Brasil

A vida da mais famosa rainha do Egito, Cleópatra, é tema de um livro de história da jornalista brasileira Arlete Salvador.
A vida da rainha egípcia Cleópatra é tema do livro de uma jornalista brasileira. Arlete Salvador, que atuou na grande imprensa do País, é especializada em Política e mestre em Relações Internacionais, lançou, no começo deste mês, a obra “Cleópatra”, pela Editora Contexto. O subtítulo é “Como a última rainha do Egito perdeu a guerra, o trono e a vida e se tornou um dos maiores mitos da história”. É uma biografia doce sobre a rainha? Longe disso.
Arlete começa o livro, de história, com uma das várias perguntas que ainda rondam o mito Cleópatra. Como ela morreu? O primeiro capítulo traz o texto de cenas do filme produzido por Hollywood em 1963 com Elizabeth Taylor no papel principal, onde o desfecho da vida da rainha é uma picada - com o seu próprio consentimento - de uma cobra naja. A teoria de que a polêmica Cleópatra se suicidou, aliás, é história oficial.
Arlete lembra que existem apenas dois relatos consistentes sobre a vida de Cleópatra, do pensador grego Plutarco e do historiador romano Cássio Dio. Os dois confirmam a hipótese de suicídio, mas lançam algumas desconfianças sobre a picada da cobra, que teria levado à morte também as camareiras de Cleópatra na prisão. Os escritos de Cássio Dio e Plutarco, porém, se baseiam em relatos. "Ambos escreveram seus livros mais de um século depois da morte da rainha", diz Arlete.
Por isso a escritora conta também sobre teorias mais recentes sobre a morte de Cleópatra, como a de que foi envenenada por Otávio, para quem perdeu o trono, e conta das pesquisas arqueológicas, ainda inacabadas, que podem trazer novas luzes sobre o tema.
O primeiro capítulo ainda tem outra grande pergunta sobre Cleópatra: a sua beleza. Teria sido ela bela ou feia? Moedas nas quais sua face está gravada trazem uma mulher nariguda, de queixo pontudo, magra. Ao mesmo tempo, a atriz Elizabeth Taylor deixou na cabeça da maioria das pessoas a imagem de uma rainha bela. Arlete questiona e traz visão fresca sobre a história da rainha do Egito, que teria vivido até o ano 30 a.C.
Como a própria autora descreve, o livro é de linguagem simples, próxima do leitor. Quase uma grande conversa. "Não é um compêndio histórico, embora eu não tenha nada contra eles. É uma grande história", diz Arlete, lembrando que ela aborda também o contexto político e cultural daquela época, que era de muita efervescência política. O Egito deixou de ser ptolomaico, linhagem de origem grega da qual Cleópatra foi a última rainha, para passar às mãos do Império Romano, por meio de Otávio, que se tornaria Augusto, o primeiro imperador romano.
O processo
Arlete conta que todo o processo, de decisão sobre o tema do livro, pesquisa e redação, levou dois anos. E por qual motivo uma brasileira quis escrever sobre Cleópatra? "A Editora Contexto preparava uma coleção de biografias de guerreiros e eu sugeri Cleópatra porque queria escrever sobre uma mulher", diz a jornalista. Na pesquisa, Arlete se apaixonou por sua personagem e acabou se tornando também uma admiradora. "Ela não tinha nem medo nem pudor de exercer o poder. Por isso, como muitas mulheres ainda hoje, ela era criticada e atacada. Acho a história de Cleópatra muito atual", afirma Arlete.
Já na primeira busca, nas livrarias, a jornalista descobriu que não havia nada sobre a rainha nas prateleiras. E reforçou: era uma oportunidade e tanto. Ela acredita, inclusive, que essa falta de informações sobre Cleópatra acabou sendo preenchida por especulação e fantasia. "O que é natural quando se trata de um personagem tão antigo e controverso. Meu livro coloca algumas peças no lugar, separando o que é informação verdadeira e o que é especulação", afirma. Arlete diz que fez um trabalho com viés "político e feminista".
Assim como a rainha, Arlete afirma que sua vida também não é exatamente o que a sociedade espera ver. "Eu tenho 50 anos, sou solteira e sem filhos. Malho, escrevo, viajo, nunca quis ter filhos", conta. As tantas viagens a levaram à Grécia, origem dos ptolomeus, de onde é uma das suas melhores amigas. Mas, segundo ela, Cleópatra não está presente na Grécia. Ao Egito, Arlete ainda não teve tempo de ir. "Mas, de qualquer forma, não resta quase nada para ver do período de vida de Cleópatra e da dinastia Ptolomaica", diz Arlete.
Fonte:ANBA
12/04/2011

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